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O braço-direito de Zuckerberg tem nova missão na Meta: fazer a empresa inteira usar IA

As tensões vinham crescendo na Meta há semanas. Rumores sobre uma grande rodada de demissões circulavam enquanto a companhia investia dezenas de bilhões de dólares em IA. Em seguida, funcionários foram informados de que seus cliques e movimentos de mouse seriam monitorados para ajudar no treinamento de agentes de inteligência artificial capazes de operar computadores.

Parte dos funcionários criticou a coleta de dados, e alguns chegaram a iniciar uma petição pedindo o cancelamento da medida.

Andrew “Boz” Bosworth entrou em cena sem pedir desculpas. Aos que queriam optar por não participar, respondeu que não seria possível. Aos preocupados com privacidade, o CTO (Chief Technology Officer) recomendou que evitassem acessar e-mails pessoais em dispositivos corporativos.

Braço-direito de Zuckerberg há mais de duas décadas, Bosworth se tornou conhecido por sua personalidade provocadora e estilo de liderança duro — características que frequentemente o colocam no centro de controvérsias e, ao mesmo tempo, o transformam em uma espécie de escudo para o fundador bilionário da Meta.

Quando Zuckerberg apostou que o “metaverso” seria o futuro do Facebook, foi Bosworth quem assumiu o comando da iniciativa, vista posteriormente como um projeto caro e malsucedido.

Mais tarde, após a Meta anunciar o desenvolvimento de tecnologias militares para soldados americanos, Bosworth chegou a ingressar na reserva do Exército dos EUA, decisão que irritou parte dos funcionários.

Agora, Zuckerberg o escolheu novamente para liderar talvez sua missão mais delicada: transformar a Meta em uma firma “AI-first”, focada em inteligência artificial, capaz de competir com startups mais ágeis.

O executivo — que pode receber quase US$ 1 bilhão em remuneração caso ajude a elevar o valor de mercado da Meta em 500% nos próximos cinco anos — abraçou a função com entusiasmo.

Em um memorando interno enviado aos funcionários, Bosworth afirmou que a Meta está caminhando para um modelo no qual agentes de IA farão a maior parte do trabalho. “Nosso papel será direcioná-los, revisar e ajudá-los a melhorar”, escreveu.

Entre as mudanças defendidas por ele estão equipes grandes com poucos gerentes e a substituição de documentos de planejamento por protótipos práticos.

“Já estamos vendo tarefas que levavam horas passarem a ser feitas em minutos — e, em breve, talvez nem precisemos mais estar envolvidos em algumas delas”, afirmou.

As discussões sobre automatização levantaram preocupações internas sobre quantos funcionários continuarão necessários após a transformação. Na última quarta-feira (20), a Meta demitiu 8 mil pessoas e transferiu outras 7 mil para funções relacionadas à inteligência artificial.

Dos primeiros dias do Facebook

Bosworth, hoje com 44 anos, cresceu em um rancho da família em Saratoga, no Vale do Silício, e aprendeu programação aos 10 anos. Estudou em Harvard University, onde foi monitor de um curso de ciência da computação frequentado por um jovem Zuckerberg. A disciplina: introdução à inteligência artificial.

Pouco depois da criação do Facebook, Bosworth entrou na firma em 2006, quando ela tinha menos de 100 funcionários.

Ele participou diretamente de uma das primeiras grandes controvérsias da rede social: foi um dos principais engenheiros por trás do News Feed, o feed de publicações que se tornaria marca registrada das redes sociais modernas. A novidade gerou críticas de usuários preocupados com privacidade, mas impulsionou fortemente o engajamento na plataforma.

Anos depois, liderou também a expansão da publicidade mobile da firma, mesmo sem experiência prévia no setor. Desde então, o negócio publicitário da Meta cresceu até se tornar uma operação de cerca de US$ 200 bilhões por ano.

Personalidade explosiva

Ao longo dos anos, Bosworth ganhou reputação de executivo provocador e sem filtros.

Enquanto Zuckerberg é conhecido pela comunicação controlada, Bosworth costuma escrever memorandos internos contundentes, responder perguntas de funcionários em sessões abertas no Instagram e comentar assuntos polêmicos nas redes sociais.

Em 2016, ele causou indignação ao defender, em um memorando interno, a estratégia de crescimento do Facebook mesmo que a plataforma pudesse ser usada por cyberbullies ou terroristas. O texto acabou vazando anos depois e provocou forte reação negativa.

Mais recentemente, Bosworth esteve à frente da área de realidade virtual e aumentada da Meta, assumindo papel central na aposta no metaverso após a mudança de nome da firma em 2021.

O projeto, porém, não entregou os resultados esperados. Cinco anos depois, o metaverso ainda não decolou, e a Meta passou a redirecionar recursos para áreas com mais tração, como inteligência artificial e óculos inteligentes.

Hoje, o foco de Bosworth está na nova prioridade da companhia: incorporar IA ao trabalho diário dos funcionários e automatizar o maior número possível de tarefas. Entre suas novas responsabilidades está a supervisão de uma nova divisão de engenharia aplicada à IA, criada para acelerar o desenvolvimento de modelos capazes de competir com firmas como OpenAI e Anthropic.

Entre em contato com Meghan Bobrowsky pelo e-mail meghan.bobrowsky@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Karla Mamona

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