Simpar vende portuária por R$ 1,8 bilhão para grupo da ICTSI
A Simpar, a holding da família Simões, anunciou nesta quinta-feira (23) a venda de 100% da HSIM Participações e Holding, controladora da CS Porto Aratu, para a ICTSI Americas, subsidiária da operadora portuária global ICTSI, com sede nas Filipinas. A transação foi avaliada em R$ 1,8 bilhão e marca a saída da companhia do ativo portuário desenvolvido nos últimos anos.
A venda será realizada pela Simpar e por sua subsidiária integral CS Brasil Holding e Locação, que detêm, respectivamente, 63,27% e 36,73% da HSIM.
Segundo fato relevante divulgado pela companhia, o valor da operação considera um Equity Value de R$ 750 milhões, que corresponde ao valor da participação dos acionistas, e uma dívida líquida de aproximadamente R$ 1 bilhão, com base na posição do primeiro trimestre de 2026.
O pagamento aos vendedores será feito em duas etapas: R$ 650 milhões serão desembolsados no fechamento da transação e até R$ 100 milhões adicionais serão pagos por meio de um mecanismo de earn-out, ou seja, um valor adicional condicionado ao cumprimento de metas previstas no contrato, em até 18 meses após a conclusão do negócio.
O fechamento da operação está condicionado ao cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a autorização do poder concedente.
Estratégia de monetização
A Simpar afirmou que a operação reforça sua estratégia de desenvolver, expandir e vender ativos de infraestrutura.
Segundo a companhia, os três principais ativos de infraestrutura desenvolvidos pelo grupo — Ciclus Rio, Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu — somam um valor de R$ 3,9 bilhões, com taxa interna de retorno (TIR) média de 36% ao ano, equivalente a um retorno 24 pontos percentuais acima do CDI e 30 pontos percentuais superior ao Ibovespa no mesmo período.
No caso da CS Porto Aratu, a firma informou que investiu R$ 128 milhões em capital próprio, obtendo um retorno equivalente a 5,8 vezes o valor investido em um prazo médio de 3,6 anos.
Transformação do porto
A Simpar informou que investiu cerca de R$ 900 milhões na modernização da operação portuária, transformando um ativo da década de 1970 em uma plataforma de maior capacidade e eficiência.
Entre as melhorias, a companhia destacou a construção integral do terminal ATU18, a modernização do terminal ATU12, a ampliação da capacidade de armazenagem para 270 mil toneladas, além de obras de dragagem e da aquisição de novos equipamentos.
Segundo a firma, a capacidade operacional do porto foi ampliada em cinco vezes nos últimos quatro anos, alcançando potencial para movimentar 9,5 milhões de toneladas por ano. A infraestrutura também foi preparada para atender ao corredor agrícola do MATOPIBA e já está apta a operar navios Panamax, com potencial para receber embarcações maiores, do tipo Post-Panamax.
A venda da CS Porto Aratu é mais um passo da estratégia da Simpar para reduzir o endividamento e monetizar ativos de infraestrutura desenvolvidos pelo grupo. Em maio, o CEO Fernando Simões disse ao InvestNews que a companhia entrava em uma nova fase, com menor ritmo de aquisições e investimentos e maior foco em gerar caixa e aumentar a eficiência dos negócios já existentes.
Fundada em 1956 pelo imigrante português Julio Simões como uma transportadora em Mogi das Cruzes (SP), a firma se transformou em uma holding que reúne oito companhias, entre elas JSL, Movida, Vamos, Automob e CS Brasil. Entre 2020 e 2023, o grupo realizou mais de 20 aquisições e expandiu sua atuação para áreas como infraestrutura, saneamento, concessões e serviços monetários.
Esse ciclo de expansão elevou a dívida da companhia em um período de alta dos juros. Em resposta, a Simpar iniciou um processo de desalavancagem que incluiu um aumento de capital de R$ 2,9 bilhões, com participação do BNDESPar, e a venda de ativos. Em 2025, a holding vendeu a Ciclus Rio, firma de tratamento de resíduos, por R$ 1,8 bilhão. Na época, a operação foi apresentada como o primeiro passo de uma estratégia de monetização de ativos não listados — movimento que agora tem continuidade com a venda da CS Porto Aratu.
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Autor: Redação InvestNews