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Stablecoin: cripto de real da B3 ganha data para estrear

A stablecoin da B3, anunciada no fim do ano passado, já tem previsão de lançamento: entre agosto e setembro deste ano. A data foi confirmada por Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da bolsa, ao InvestNews.

Uma stablecoin é uma criptomoeda atrelada a outro ativo, como real, dólar, euro e ouro. Ela pode ser usada para remessas internacionais, transferências ou simplesmente para manter recursos vinculados a determinado ativo sem precisar sair do universo das criptomoedas.

No caso da moeda da B3, que já tem até nome – B3RL -, a proposta é facilitar a liquidação de operações financeiras.

“Ela está conectada com os bancos e corretoras que vão poder se apoiar sobre esse tipo de produto. Então, cada um vai usar para os seus casos de uso”, afirmou Paiva.

A B3RL será lastreada em títulos do Tesouro, assim como boa parte das outras stablecoins brasileiras.

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Mercado em expansão

Hoje, o país já conta com 13 stablecoins atreladas ao real. Juntas, elas somam um valor de mercado de cerca de R$ 700 milhões, segundo um estudo da plataforma Fintrender divulgado em maio deste ano.

Parte dessas moedas é voltada ao investidor de varejo e opera em blockchains públicas (abertas a qualquer usuário), enquanto outras são direcionadas ao mercado institucional. Essas últimas operam em blockchains permissionadas – as redes com acesso restrito a participantes autorizados.

Um relatório recente da Visa e da plataforma de análise Dune mostra que o volume mensal movimentado pelas stablecoins de real saltou de cerca de US$ 180 milhões, no início de 2023, para US$ 1 bilhão em fevereiro deste ano.

Com isso, essas criptos locais passaram a representar cerca de 10% do mercado global de stablecoins – o estudo não inclui as criptos de dólar, ok? Os tokens ligados ao euro lideram esse segmento, com aproximadamente 80% de participação.

Tokenização e 24/7

Além da stablecoin, a B3 também pretende iniciar a tokenização de ativos do mercado monetário em 2027. A tecnologia permite transformar ativos tradicionais, como ações e títulos, em tokens registrados em blockchain.

“Logo no ano que vem a gente começa a fazer a tokenização dos valores mobiliários e das ações, para que possamos construir os primeiros casos de uso de colateral e permitir que os investidores utilizem esses ativos nas próprias liquidações”, disse Paiva.

A ideia também é ampliar o horário de negociação, seguindo o modelo das criptomoedas, que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Bolsas ao redor do mundo já caminham nessa direção.

“Essa infraestrutura de stablecoin e tokenização pode viabilizar isso de uma forma mais rápida e mais flexível”, falou Paiva.

Um mercado de R$ 13 bilhões

O mercado brasileiro de tokenização vem crescendo no Brasil. Segundo a plataforma RWA Monitor, o país soma 5.632 ativos tokenizados, equivalentes a cerca de R$ 13 bilhões. Em volume captado, o total já se aproxima de R$ 12 bilhões.

Apesar do avanço, a regulação ainda é apontada como um dos principais desafios para o setor. O tema, porém, também entrou no radar dos reguladores.

No ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmou que a tokenização seria uma das prioridades da agenda regulatória de 2026. Na semana passada, a autarquia criou um grupo de trabalho para aprofundar os estudos sobre o tema.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  -1,00%, US$ 64.992,11

Ethereum (ETH): -2,28%, US$ 1.881,98

BNB (BNB): -0,74%, US$ 565,90

XRP (XRP): -2,65%, US$ 1,10

Solana (SOL): -2,99%, US$ 75,43

Outros destaques do mercado cripto

Governo abraça a tecnologia cripto. Blockchain não envolve só cripto e mercado monetário. O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), responsável por definir diretrizes para o uso e o desenvolvimento da internet no país, revelou em estudo que 25% dos órgãos federais e 17% dos estaduais já utilizam a tecnologia. A inteligência artificial está ainda mais avançada: 70% dos órgãos federais e 58% dos estaduais já usam IA.

IA comprando com cripto. A gente falou ontem sobre a nova fase da IA, que deve dar um up nas criptos, né? Pois então, as firmas do setor já estão se preparando para isso faz tempo. A Coinbase, a maior exchange cripto dos EUA, ampliou sua ferramenta que permitirá às firmas receber pagamentos de agentes de IA, ou seja, robôs capazes de comprar produtos e serviços de forma autônoma. Segundo a corretora, essa é uma de suas principais apostas para o futuro da internet e vem sendo desenvolvida há anos.

Em busca de espaço. Em um mercado dominado por gigantes como USDT e USDC, não é fácil conquistar espaço. A RLUSD, stablecoin da Ripple, que o diga: o volume de transferências da moeda caiu cerca de 25% no último mês. Para mudar esse cenário, a firma colocou no mercado uma plataforma para facilitar a emissão e o resgate do token por clientes institucionais e investiu em uma rede de pagamentos voltada ao mercado corporativo. Será que agora ela decola?

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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