Últimas Notícias

A Honda nunca enfrentou uma crise como esta — e a recuperação não será fácil

A Honda conseguiu se manter lucrativa durante o colapso monetário global, desastres naturais, uma crise de segurança e a pandemia. Então veio a guinada do mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos.

A montadora japonesa, quinta maior fabricante de automóveis dos EUA em vendas, enfrenta alguns dos desafios mais severos de seus quase 70 anos como firma de capital aberto. As tarifas americanas pressionaram os lucros em seu principal mercado. Fabricantes chinesas surgiram como uma nova ameaça. Acima de tudo, suas ambições com veículos elétricos na América do Norte entraram em colapso.

Devido a perdas de US$ 10 bilhões relacionadas ao abandono de seus planos para veículos elétricos, a Honda informou nesta quinta-feira seu primeiro prejuízo anual como companhia listada em bolsa: cerca de US$ 2,7 bilhões.

“Precisamos tentar estancar a sangria o mais rápido possível”, afirmou o CEO Toshihiro Mibe.

A Honda está entre várias montadoras tradicionais que têm dificuldade para navegar em um mercado norte-americano cada vez mais volátil. Apesar de ser reconhecida por sua expertise em engenharia, a firma ficou para trás na corrida tecnológica automotiva em relação às rivais chinesas.

Os problemas da companhia colidiram com uma grande aposta em veículos elétricos. Os custos para desenvolver tecnologia capaz de competir com Tesla e montadoras chinesas exigiram investimentos gigantescos. Agora que a aposta deu errado, a Honda enfrenta sua pior situação financeira desde sua fundação.

Diferentemente de outras montadoras que reduziram investimentos em elétricos ou cancelaram futuros modelos, a Honda investiu bilhões em carros que jamais chegarão às ruas. A decisão também deixa a companhia com poucos veículos elétricos para vender globalmente, fazendo-a perder terreno para concorrentes chineses e sul-coreanos.

Os planos ambiciosos da Honda eram baseados nas regulamentações da era Biden nos EUA, mercado onde a companhia vende a maior parte de seus veículos. As políticas buscavam transformar o mercado de carros novos em majoritariamente elétrico até a próxima década. Mas a reversão promovida pelo presidente Donald Trump, que criticava o “mandato dos veículos elétricos”, eliminou essa pressão sobre montadoras como a Honda.

Executivos da firma esperavam que os veículos elétricos representassem cerca de 15% das vendas de carros novos nos EUA. Hoje, o índice está mais próximo de 6%.

“Se continuássemos com isso, sabíamos que geraríamos prejuízos no futuro”, disse Mibe.

Modelos elétricos

Entre os projetos cancelados estão três novos modelos elétricos que seriam produzidos em Ohio e um complexo de US$ 11 bilhões no Canadá, que incluiria fabricação de veículos elétricos, baterias e materiais. A Honda também desistirá do plano de abandonar motores a combustão até 2040.

Em vez disso, Mibe afirmou que a companhia passará a apostar em uma tecnologia mais familiar: os híbridos. A mudança começará com um novo sedã e um SUV voltados para a América do Norte em 2027. Mais de uma dezena de modelos híbridos serão lançados globalmente até 2030.

Mibe disse esperar devolver a Honda à lucratividade no atual ano fiscal, apesar de prever novas baixas contábeis relacionadas aos elétricos.

Ele também indicou que a Honda passará a atuar de forma mais defensiva. O executivo quer proteger a firma contra mudanças nas políticas dos EUA enquanto aumenta investimentos em veículos a gasolina.

Ao mesmo tempo, a montadora precisa acompanhar os avanços de ponta liderados pela Tesla e por startups chinesas. Mibe afirmou que a Honda aumentará os investimentos em software e incorporará tecnologia de baterias e elétricos aos novos híbridos, o que poderá permitir a produção de modelos totalmente elétricos quando o gosto dos consumidores americanos mudar novamente.

A Honda cresceu até se tornar um gigante automotivo global a partir de origens humildes. Inicialmente fabricante de motocicletas e scooters, seus veículos confiáveis e econômicos desafiaram os carros americanos consumidores de combustível nas décadas de 1970 e 1980, conquistando uma base fiel de clientes.

A companhia continuou acumulando avanços tecnológicos ao longo das décadas, chegando a superar a Toyota no lançamento de híbridos nos EUA em 1999.

Mais recentemente, porém, a Honda passou de inovadora a retardatária em veículos elétricos e tecnologia de direção autônoma. Dificuldades iniciais com modelos elétricos próprios e sistemas autônomos levaram a firma a concluir que precisava apostar de forma mais agressiva no futuro da indústria automotiva, mesmo às custas de sua linha atual.

Para financiar bilhões de dólares em novos elétricos, a Honda precisou reduzir investimentos em seu negócio de motores a combustão — historicamente a principal força da companhia.

Agora, para recuperar sua vantagem competitiva, Mibe pretende abandonar parcialmente a tradição mais fechada da Honda de desenvolver motores e carros internamente. A firma buscou parcerias com montadoras como a General Motors para acelerar a transição aos elétricos.

O primeiro elétrico da parceria Honda-GM, o SUV Prologue, foi baseado na tecnologia da montadora americana, e não da Honda. O Prologue foi o sexto veículo elétrico mais vendido de 2025, mas as vendas despencaram desde então, segundo a Motor Intelligence. Nos quatro primeiros meses deste ano, as vendas ficaram abaixo da metade do registrado no mesmo período do ano anterior.

Mesmo assim, os planos elétricos da Honda já estavam avançados. A firma havia finalizado os designs, encomendado equipamentos caros de produção e até convidado jornalistas ao Japão para testar protótipos — sinal de quão adiantado estava o programa.

Agora, Mibe afirmou que a Honda passará a depender mais de tecnologia elétrica desenvolvida por “parceiros locais” na China para competir melhor naquele mercado. Ele também reiterou a meta de devolver a companhia à lucratividade no atual ano fiscal, apesar de novas perdas relacionadas aos elétricos.

“Em vez de focar apenas em veículos elétricos, queremos ser flexíveis, seja para avançar nessa direção ou seguir pelo caminho oposto”, afirmou Mibe.

Escreva para Sean McLain em sean.mclain@wsj.com e Patrick George em patrick.george@wsj.com

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo