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Alta das taxas abre janela para renda fixa isenta. LCI, CRA e cia: qual bate mais com o seu perfil

A renda fixa mantém seu reinado em 2026. Nem mesmo o rompante da bolsa nos primeiros meses do ano conseguiu ofuscar o apelo das taxas de juros em patamares historicamente elevados.

Nesse ambiente, os títulos isentos de IR voltam ao centro das atenções.

Para você ter uma ideia de quão atrativos estão os isentos em um momento de elevação de taxas: um papel sem imposto de renda que pague IPCA+ 8% ao ano equivale a um produto com IR que retorna IPCA+ 10%. E o mercado secundário tem sido prolífico em retornos daí para cima.

Mas debêntures incentivadas, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs não são iguais só por pertencerem à categoria da renda fixa isenta. Cada um desses ativos exibe características próprias, que vamos examinar mais adiante.

Em um ambiente de firmas em recuperação extrajudicial, juros elevados, inflação resistente, tensão geopolítica e volatilidade crescente diante da aproximação das eleições, cada um desses títulos reage de maneiras bem diferentes.

Quem, por exemplo, busca travar taxas de juros elevadas para os próximos anos, os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA), no momento, são imbatíveis.

Para quem quem precisa de liquidez, ou seja, quer contar com a possibilidade de vender o papel antes do vencimento ao longo dos próximos meses, o melhor alvo são as debêntures incentivadas.

Mas se você busca isenção com risco menor, mesmo que tenha de sacrificar um pouco de liquidez e retorno, então as melhores opções são as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).

Protegidas pelo FGC

No caso das letras, os emissores são bancos. As LCIs e LCAs costumam ser usadas como instrumentos de captação de recursos destinados a linhas de financiamentos. Como são produtos originados por instituições financeiras, contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Por conta do risco menor, acabam funcionando como uma porta de entrada mais conservadora ao universo dos isentos. Em compensação, pagam menos comparadas às debêntures e aos certificados.

No mercado atual, as taxas oferecidas têm se situado entre 80% e 95% do CDI para a maior parte das LCIs e LCAs – o equivalente a um CDB que paga 100% a 112% do CDI para um investimento de dois anos. Há até o caso do Banco do Brasil, que tem ofertado LCIs a 65% do CDI, equivalente a 76% do CDI num produto tributado.

Dinheiro congelado por seis meses

As letras bancárias, no entanto, exibem uma característica que investidores com necessidade de liquidez no curto prazo podem achar problemática: os produtos têm uma carência mínima de seis meses, ou seja, o dinheiro aplicado fica preso por meio ano, sem poder ser resgatado.

Após esse prazo, muitas LCIs e LCAs passam a ter liquidez diária. Significa que o investidor consegue resgatar os recursos em qualquer dia útil e, praticamente, sem o efeito da marcação a mercado se o papel é atrelado ao CDI, porque a recompra é feita pelo banco e não por meio de negociação no mercado secundário.

Mas é preciso ficar atento. Nem todos os instrumentos contam com esse benefício e a carência de seis meses é piso e não regra, portanto, pode ser maior, de acordo com as condições definidas no lançamento.

Antes de aplicar você precisa verificar se a letra prevê a liquidez e qual o prazo mínimo acordado. Devido às características das LCIs e LCAs, o mercado secundário – onde os detentores de títulos vendem os ativos antes do vencimento – tende a ser muito limitado.

Crédito privado com taxas maiores

Quem busca rendimentos elevados por mais tempo ou quer um retorno isento atrelado à inflação pode olhar para as debêntures e produtos securitizados. A maior parte desses títulos oferece remuneração atrelada ao IPCA mais uma taxa, fórmula chamada no mercado de IPCA+.

Essa característica se consolidou porque, além dos prazos mais longos e da menor liquidez, a concorrência no mercado de produtos pós-fixados é bem mais acirrada, pois abrange desde produtos bancários, como CDBs, LCIs e LCAs, aos títulos públicos, entre os quais o Tesouro Selic e o recém-lançado Tesouro Reserva.

Os CRIs e CRAs são instrumentos emitidos por uma securitizadora em benefício de uma companhia. Os certificados usam recebíveis do tomador como “lastro”. Os perfis de firmas que captam por meio desses instrumentos, portanto, são bem mais variados – idem para os riscos.

Ainda que tenham garantias que podem ser executadas se houver a inadimplência dos devedores, o fato é que o emissor não tem a solidez de um banco. Em troca, você recebe taxas mais agressivas.

Hoje, no mercado secundário, não é raro encontrar CRIs e CRAs pagando IPCA 8% ou IPCA+10% ao ano. Alguns CRIs de loteamento e multipropriedades chegam a negociar acima de IPCA+10% em momentos recentes de estresse.

Até mesmo títulos do gênero de firmas de grande porte têm sido oferecidos no mercado secundário com juros reais de dois dígitos. É o caso de CRAs da MBRF, dona da Sadia e Perdigão. A gigante das proteínas tem certificados de recebíveis do agro com vencimentos em 2027 e 2030, com retornos de IPCA+ 10,6% e IPCA+ 10,2% ao ano.

Outra companhia, a laboratórios Dasa, tem CRIs com vencimentos em 2029 e 2032, ofertados no secundário com retornos de até IPCA+ 13,94% – o equivalente a 16,40% de um investimento tributado.

Retorno maior, risco elevado

Os certificados, apesar de contarem com garantias, têm uma liquidez muito menor no mercado secundário. Para vender os papéis antes do vencimento, então, você precisa aceitar descontos relevantes, que se traduzem em taxas mais altas. Na renda fixa, se o preço do título cai, a taxa sobe.

As taxas de CRIs e CRAs têm subido justamente porque o mercado ficou bem mais seletivo depois dos eventos em série de recuperação extrajudicial e judicial. Em um intervalo de poucos meses, firmas como Raízen, GPA, Oncoclínicas, Kora Saúde e Grupo Toky, dono da Mobly e Tok&Stok, pediram proteção contra credores e entraram em processos de reestruturação das dívidas.

A combinação de Selic alta, desaceleração econômica e custo monetário elevado aumentou o prêmio exigido pelos investidores. Em várias operações, o spread abriu fortemente no mercado secundário. O spread, no caso, é o prêmio a mais cobrado pelos investidores em relação aos títulos públicos.

Incentivo que faz a diferença

As debêntures incentivadas ocupam um meio-termo interessante entre segurança e retorno. São emitidas por firmas de infraestrutura — saneamento, energia, logística, rodovias — e ganharam enorme relevância nos últimos anos.

A liquidez se tornou um dos diferenciais desses tipos de títulos de dívida corporativa. O mercado secundário de debêntures já é maior do que todo o mercado primário de capitais.

Esse mercado de títulos “usados” movimentou quase um trilhão de reais no ano passado. Mais precisamente, R$ 947,4 bilhões. Acima dos R$ 838,8 bilhões que as firmas captaram por meio de emissões de títulos – contando ações, notas comerciais, notas promissórias, Fdics, FIIs, CRIs, CRAs e as debêntures primárias (vendidas diretamente pelas firmas).

As debêntures isentas também sentem o peso do cenário de incertezas. Mas como a demanda e a liquidez são muito mais elevadas que a dos certificados, o spread desses papéis também é menor.

No momento atual, as debêntures incentivadas de firmas sólidas têm sido negociadas entre IPCA+6,2% e IPCA+7,5%.

O título incentivado da Algar Telecom com vencimento em 2031 aparece no mercado secundário com taxa de IPCA+ 8,9% ao ano. Outra debêntures isenta, da Concessionária do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, com prazo até 2037, oferece retorno de IPCA+ 7,72%. Já o papel da Autopista Regis Bittencourt de 2031 aparece com rendimento de IPCA+ 9% ao ano – equivalente a IPCA+10,6% no mundo tributado.

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Autor: Sérgio Tauhata

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