OranjeBTC perde R$ 3 bilhões em valor de mercado desde estreia na bolsa
A OranjeBTC, maior tesouraria de bitcoin (BTC) do Brasil, perdeu cerca de R$ 3 bilhões em valor de mercado desde sua estreia na bolsa, em outubro de 2025.
A companhia chegou à B3 por meio de um IPO reverso com 155,2 milhões de ações negociadas a R$ 26 cada, o que lhe conferia um valor de mercado próximo de R$ 4 bilhões.
Desde então, suas ações acumulam queda de aproximadamente 75% e atualmente são negociadas a R$ 5,95, segundo dados da TradingView. Com isso, o valor de mercado da firma encolheu para cerca de R$ 895 milhões.
A companhia também estreou na bolsa com aproximadamente 3.675 bitcoins em tesouraria, posição que equivalia a cerca de R$ 2,4 bilhões na época.
Hoje, a firma detém 3.803 BTC. Considerando a cotação atual do bitcoin em reais – próxima de R$ 326 mil -, a reserva é avaliada em aproximadamente R$ 1,24 bilhão.
Ou seja, mesmo após ampliar sua posição em bitcoin, o valor da tesouraria caiu em relação ao período da estreia.
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Culpa do bitcoin – mas não só
O principal fator por trás do declínio é a queda do bitcoin. Entre outubro de 2025 e hoje, a maior criptomoeda do mundo passou de cerca de US$ 126 mil para os atuais US$ 63 mil, acumulando uma queda próxima de 50%.
O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo conflitos geopolíticos, vendas de investidores institucionais, juros elevados nos Estados Unidos e dúvidas em relação ao setor de tecnologia e inteligência artificial.
Mas há outro elemento por trás da queda das ações: o enfraquecimento da tese das chamadas tesourarias de bitcoin.
A proposta dessas firmas é simples. Ao acumular BTC em seus balanços, elas buscam convencer investidores de que suas ações valem mais do que apenas os ativos digitais mantidos em caixa.
A expectativa é que consigam captar recursos, adquirir mais bitcoins e ampliar seu patrimônio ao longo do tempo.
Uma forma de medir essa confiança é por meio do chamado mNAV, indicador que compara o valor de mercado da firma com o valor dos bitcoins que ela possui.
Quando a OranjeBTC estreou na bolsa, seu mNAV era de 1,54. Isso significa que o mercado avaliava a companhia em um valor 54% superior ao de seus bitcoins.
Hoje, o indicador caiu para 0,81. Na prática, isso significa que a firma passou a ser negociada com desconto em relação ao valor de seus ativos digitais.
O mesmo movimento pode ser observado na Strategy, maior tesouraria de bitcoin do mundo. Em momentos de maior euforia do mercado, suas ações chegaram a negociar a três ou quatro vezes o valor dos bitcoins mantidos em caixa. Atualmente, o múltiplo gira em torno de 1,20.
A redução desses prêmios, segundo analistas, mostra que parte dos investidores passou a questionar a ideia de que acumular bitcoin em balanço é suficiente para justificar avaliações superiores ao valor dos ativos detidos por essas firmas.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.
Bitcoin (BTC): -1,84%, US$ 63.596,76
Ethereum (ETH): +3,66%, US$ 1.688,63
BNB (BNB): +1,56%, US$ 602,80
XRP (XRP): +2,22%, US$ 1,16
Solana (SOL): +3,01%, US$ 66,85
Outros destaques do mercado cripto
Parceria entre UnB e Cardano. A Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Cardano – organização por trás da criptomoeda ADA, uma das maiores do mercado – firmaram uma parceria para promover pesquisas e iniciativas educacionais voltadas a blockchain, criptomoedas, fan tokens, entre outros. O acordo terá duração de três anos e busca aproximar a academia de tecnologias que vêm ganhando espaço no mercado digital.
A insegurança da tokenização imobiliária. A tokenização de ativos imobiliários segue avançando no Brasil e já movimenta cerca de R$ 1 bilhão. Especialistas alertam, porém, que a falta de clareza regulatória e o aumento das disputas judiciais têm dificultado a expansão do setor e afastado investidores. Para representantes do mercado, uma maior segurança jurídica será essencial para atrair novos aportes e acelerar a modernização do segmento imobiliário.
Cenário incerto para a Zcash. A criptomoeda Zcash (ZEC) despencou após desenvolvedores revelarem uma falha que, em tese, poderia permitir a criação ilimitada de moedas falsas dentro da rede. O problema afeta o sistema de privacidade e existe desde 2022 sem ter sido detectado. Após a divulgação de uma correção emergencial, o ativo digital recuperou um pouco das perdas, mas a situação ainda deixa o mercado com a pulga atrás da orelha.
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Autor: Lucas Gabriel Marins