Gestora traça dois caminhos para o bitcoin: US$ 50 mil ou US$ 100 mil
O bitcoin (BTC) opera em queda na manhã desta terça-feira (9), na faixa dos US$ 62 mil. No acumulado semanal, a criptomoeda segue pressionada por tensões geopolíticas, vendas de investidores institucionais, migração de recursos para o setor de inteligência artificial (IA) e juros elevados.
Diante desse cenário, o pessoal da gestora suíça 21Shares desenhou dois caminhos possíveis para o ativo digital.
No primeiro, mais pessimista, as tensões geopolíticas permanecem elevadas e a migração de capital para ativos ligados à IA continua. Nesse cenário, uma queda abaixo de US$ 62 mil abriria espaço para um teste da faixa entre US$ 50 mil e US$ 55 mil.
Já no segundo cenário, mais otimista, o bitcoin mantém o suporte atual e reconstrói uma base para uma nova tentativa de alta.
A tese passa pela redução das saídas dos ETFs, pela diminuição do impacto negativo relacionado à Strategy (a maior tesouraria de bitcoin do mundo, que vendeu bitcoins recentemente) e por avanços regulatórios que ajudem a restaurar a confiança dos investidores.
Nesse caso, o mercado voltaria a mirar a região dos US$ 100 mil.
O que observar daqui para frente
O panorama atual ainda é incerto. As saídas dos ETFs americanos continuam – só na segunda-feira (8), os fundos registraram retiradas líquidas de US$ 91 milhões, segundo dados da plataforma SoSoValue. Além disso, as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem sem avanços concretos.
Por outro lado, a questão da Strategy deu uma acalmada. Depois de vender criptos, a companhia voltou a comprar e colocou em caixa mais 1.550 unidades de BTC, investindo cerca de US$ 101 milhões. O movimento ajudou a melhorar (um pouco) o humor do mercado.
A região de US$ 78 mil, segundo a gestora, representa um ponto-chave para observar. O nível reúne a média do mercado e a resistência da média móvel de 200 dias – um dos indicadores mais usados da análise técnica para identificar tendências de longo prazo.
“Recuperar esse nível é fundamental para uma mudança de tendência. Do lado negativo, os US$ 60 mil funcionam como principal suporte estrutural.”
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A questão dos juros
Mas tem outra questão pesando sobre as criptos: o ambiente de juros, segundo Andre Franco, CEO da Boost Research.
“Payroll forte (o relatório do mercado de trabalho dos EUA), inflação pressionada por energia e repricing de altas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduzem o apetite por ativos de longa duração e sem geração de caixa, como o bitcoin”, diz.
Ele acredita que, no curto prazo, o ativo tende a oscilar entre US$ 61.800 e US$ 64.200, com risco de testar a parte inferior dessa faixa caso os yields (rendimentos dos títulos do Tesouro americano) continuem subindo ou o CPI dos EUA (índice de inflação do país) reforce a leitura de juros mais altos por mais tempo.
Pontos a favor do bitcoin
Apesar do cenário ainda incerto para o mercado cripto, a 21Shares afirma que segue inclinada ao cenário positivo para o restante do ano.
Um dos motivos é que os investidores de longo prazo continuam acumulando bitcoin.
“Mesmo após venderem cerca de 52 mil BTC durante a queda, seus estoques permanecem próximos das máximas históricas e cresceram US$ 15 bilhões em valor ao longo do ano.”
A gestora também destaca que a queda atual de cerca de 50% em relação à máxima histórica continua bem abaixo da média de cerca de 80% observada em ciclos anteriores.
Outro ponto é que o volume de bitcoins enviados para corretoras permanece muito abaixo dos níveis registrados durante a correção de fevereiro, sinalizando que a pressão vendedora atual está longe de um movimento de pânico.
Além disso, a oferta total de stablecoins permanece acima de US$ 320 bilhões – um sinal, de acordo com a casa, de que ainda existe muito capital disponível para entrar no mercado.
A gestora também chama atenção para projetos com fundamentos considerados sólidos, como a Hyperliquid, exchange descentralizada que continua atraindo recursos mesmo em um ambiente mais desafiador para os ativos digitais.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -0,68%, US$ 62.666,34
Ethereum (ETH): +0,14%, US$ 1.671,63
BNB (BNB): +0,24%, US$ 599,45
XRP (XRP): +0,89%, US$ 1,15
Solana (SOL): +0,03%, US$ 66,17
Outros destaques do mercado cripto
Adeus, NovaDAX. A NovaDAX, uma das cinco maiores exchanges do Brasil em volume de negociação, anunciou na segunda-feira (8) que vai encerrar suas operações no país. Em nota enviada para a gente, do Investnews, a corretora afirmou que a decisão foi tomada após uma “análise cuidadosa de nossas prioridades e dos rumos futuros da companhia”. Os clientes têm até 30 de agosto para sacar seus recursos.
Coinbase quer mais diálogo com CVM. Na semana passada, o governo federal nomeou o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em nota, a Coinbase afirmou que a mudança acontece em um momento importante para o mercado e disse esperar que o “diálogo técnico e a cooperação entre reguladores e participantes da indústria continuem avançando e contribuindo para maior segurança jurídica”.
Binance mira o mercado de ações. As gigantes cripto seguem de olho no Brasil – e não apenas nos ativos digitais. A Binance quer ampliar sua atuação e passar a oferecer também produtos do mercado tradicional, como ações e outros valores mobiliários que ficam sob supervisão da CVM. O plano envolve a Sim;paul, corretora de finanças tradicionais adquirida pela firma em 2022. Ao que tudo indica, a disputa pelo investidor brasileiro está só começando.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
