Brasileiros declaram R$ 1 trilhão em stablecoins em pouco mais de seis anos
Os brasileiros têm uma “quedinha” pelas stablecoins, aquelas criptomoedas atreladas a outros ativos, como dólar, ouro, real, entre outros. E isso ficou evidente nos dados divulgados na terça-feira (30) pela Receita Federal.
Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, os contribuintes declararam R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptomoedas. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão correspondeu às stablecoins, ou 71,7% do volume movimentado.
No ano passado, a participação dessas criptos “estrelinhas” ficou acima de 80% do volume mensal declarado. Em outras palavras, de cada cinco reais movimentados em criptomoedas, mais de quatro passaram por stablecoins.
O número de operações com esses ativos também deu uma esticada no Brasil. Foram 185,7 milhões de operações de compra e venda declaradas no período, contra praticamente nenhuma em 2019.
A stablecoin preferida
E tem uma favorita nessa história: a USDT, stablecoin emitida pela Tether e pareada ao dólar americano. Sozinha, ela respondeu por 88,7% de todo o volume declarado em stablecoins no período analisado.
Segundo a Receita, isso equivale a cerca de R$ 1 trilhão em transações entre agosto de 2019 e dezembro de 2025.
Na sequência aparece a USD Coin (USDC), emitida pela Circle e segunda maior stablecoin do mercado, com 7,1%. Em terceiro lugar está a brasileira Brazilian Digital Token (BRZ), pareada ao real, com 3,4%.
Detalhe: o volume negociado de USDT foi de R$ 13,11 bilhões em junho, segundo a plataforma Índice Biscoint. O valor é 36,1% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado e representa o maior volume desde janeiro de 2024, quando o monitoramento começou.
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O que explica a alta das stablecoins de dólar?
O apetite dos brasileiros pelas chamadas criptos de dólar aumentou nos últimos anos por vários motivos. Um deles é a facilidade de dolarizar parte do patrimônio sem precisar abrir uma conta no exterior ou comprar moeda física.
Outro fator é que esses ativos podem ser usados em operações de câmbio e, por enquanto, escapam da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que torna mais barato, por exemplo, enviar dinheiro para o exterior.
Essa vantagem, no entanto, pode estar com os dias contados. O governo estuda cobrar uma alíquota de 3,5% de IOF sobre operações com essas criptomoedas.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -1,14%, US$ 58.604,12
Ethereum (ETH): -0,70%, US$ 1.572,11
BNB (BNB): -1,17%, US$ 542,34
XRP (XRP): -0,12%, US$ 1,04
Solana (SOL): +1,93%, US$ 75,02
Outros destaques do mercado cripto
Audiência sobre stablecoins. Hoje tem audiência pública na Câmara dos Deputados. A partir das 9h, parlamentares discutem o Projeto de Lei 4.308/2024, que cria um marco regulatório específico para essas criptomoedas. O texto estabelece regras para a emissão e a circulação de stablecoins no país. Devem participar representantes do Banco Central, da Receita Federal e de entidades do setor. Vamos ficar de olho por aqui.
Trump e sua fortuna em criptos. As criptomoedas ganharam um peso enorme no patrimônio do presidente dos EUA, Donald Trump. O relatório monetário anual divulgado pelo governo do país mostra que o político recebeu cerca de US$ 300 milhões ligados à World Liberty Financial, firma de cripto da família. O documento também revela investimentos na Coinbase e na Strategy, além de uma carteira com bitcoin, ethereum, USDC e outros ativos digitais.
Nova dor de cabeça para a Binance. Olha essa. A Binance e seu fundador, Changpeng Zhao (CZ), enfrentam mais um problema na Europa. A dupla foi alvo de um processo de cerca de US$ 200 milhões no Reino Unido, movido por quase 1.700 investidores. Eles alegam que a corretora ofereceu produtos de alto risco sem autorização do regulador local. A firma disse que pretende contestar a ação.
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Autor: Lucas Gabriel Marins