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‘Expectativa em cada caloria’: como os remédios para emagrecer estão mudando a estratégia da PepsiCo

Os preços da gasolina estão pressionando o orçamento dos consumidores nos Estados Unidos. Os medicamentos para perda de peso estão reduzindo o apetite. A indústria de alimentos e bebidas está sentindo os efeitos de ambos os movimentos.

O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, no entanto, enxerga novas oportunidades para uma das maiores firmas de bebidas e snacks dos Estados Unidos, desde o controle de porções até produtos que ajudam a aumentar o foco mental. No início deste ano, a PepsiCo reduziu os preços de snacks como Doritos e Lay’s, uma medida que impulsionou a recuperação dos volumes de vendas, embora com menor margem de lucro.

O Wall Street Journal conversou com Laguarta, que nasceu na Espanha, sobre o que os consumidores estão dispostos a pagar atualmente, por que a PepsiCo está testando caminhões automatizados e a repercussão da Copa do Mundo. A seguir, trechos editados da entrevista.

Vocês venderam mais snacks no último trimestre, mas tiveram um lucro menor. Qual é a situação do negócio de alimentos da PepsiCo?

Se você considerar a primeira metade do ano, o volume cresceu 1%, o que é uma grande melhora em relação aos últimos dois anos. Esse era o principal objetivo: recuperar o consumo. Estamos ganhando participação de mercado em volume na categoria, e a própria categoria está crescendo em volume.

Se você olhar para os números de volume que tivemos no passado, isso é uma grande conquista e temos orgulho disso. Agora, o desafio é otimizar.

A PepsiCo reduziu preços no início do ano. Desde então, houve uma guerra e uma alta nos preços dos combustíveis. O que vocês estão ouvindo dos consumidores?

Claramente, houve um novo fator de pressão com o preço da gasolina. Isso colocou uma pressão adicional sobre os orçamentos das famílias de baixa e média renda. Portanto, a acessibilidade de preços é ainda mais relevante hoje do que era no início do ano, quando decidimos reduzir os preços.

Mas sabemos que o consumidor está disposto a pagar por coisas nas quais enxerga valor. Estamos vendo o crescimento de alimentos permitidos, alimentos e bebidas funcionais e produtos com controle de porções. Então, precisamos oferecer nossos produtos nas porções certas e com o preço adequado.

firmas de alimentos e bebidas estão adicionando colágeno, proteína, creatina e outros ingredientes voltados à saúde e bem-estar. Veremos uma Pepsi com proteína algum dia?

Os consumidores estão mudando suas expectativas em relação a cada caloria que colocam no corpo. Tudo o que estamos fazendo — adicionar proteína aos nossos snacks e bebidas, incluir fibras, hidratação funcional e cafeína — são benefícios que os consumidores esperam.

O sabor é o ponto de partida. Depois disso, precisamos oferecer outros benefícios. A tendência dos prebióticos é muito clara nas bebidas. O consumidor continua evoluindo, e nós evoluímos junto com ele.

Quais novos benefícios funcionais vocês estão buscando?

O chá é uma categoria que se encaixa muito bem em determinados benefícios, especialmente o foco mental. Estamos tentando inovar com a marca Pure Leaf nesse segmento. Energia ou combustível para o corpo são grandes tendências, assim como hidratação funcional.

Como a PepsiCo está reformulando o negócio para a era dos medicamentos GLP-1?

Há mais famílias adotando os medicamentos GLP-1 em suas vidas, e isso cria novos hábitos de consumo. Há uma busca maior por hidratação, mais fibras na dieta, mais proteína e também o desejo de manter pequenos prazeres, mas em porções menores.

Se você pensar nos nossos pacotes múltiplos e no crescimento dos kits variados de produtos, eles têm sido um grande sucesso. Os consumidores querem um equilíbrio entre prazer e calorias. Pacotes de 120 calorias ou 100 calorias são ótimos exemplos de sucesso.

A PepsiCo planeja automatizar parte de sua frota de caminhões. O que isso significa para funcionários e para o negócio?

Estamos testando tecnologias que podem nos ajudar a lidar com a necessidade de mais pessoas, em um momento em que sabemos que há escassez de motoristas e provavelmente haverá no futuro. Neste momento, são apenas testes, ainda não uma implementação em larga escala na firma.

Alguns dos nossos funcionários fazem entregas às 2h ou 3h da manhã. São empregos que algumas pessoas querem fazer, mas, se pensarmos daqui a cinco ou dez anos, provavelmente haverá menos pessoas dispostas a trabalhar nesses horários. Então precisamos estar preparados para essa realidade.

E a Copa do Mundo? O que ela está trazendo para os negócios da PepsiCo?

Temos patrocinado o evento com Lay’s e algumas de nossas outras marcas. O número de ocasiões de consumo que são criadas, os momentos sociais, a paixão e as emoções que essa Copa do Mundo gera — e o fato de podermos participar disso — são ótimos para nossas marcas e para nossos negócios.

E a vitória da Espanha sobre Portugal nos minutos finais?

O que você acha? Eu estava comemorando como louco. Isso é algo muito importante para os europeus. Como você sabe, nós levamos isso muito a sério.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Karla Mamona

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