Grupo dono do Habib’s consegue proteção contra credores por dívida de R$ 312 milhões
O Grupo Gennius, controlador das redes de restaurantes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, obteve na Justiça proteção contra seus credores, conseguindo fôlego para renegociar mais de R$ 300 milhões em dívidas.
A tutela cautelar antecedente, como é conhecida tecnicamente, costuma ocorrer antes pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial. A Justiça de São Paulo acolheu parte dos argumentos do grupo e concedeu 60 dias de proteção, dando fôlego para a firma iniciar a renegociação de suas dívidas – o prazo dado pelo judiciário termina em setembro.
As dívidas do Grupo Gennius somam R$ 312,4 milhões. O pedido envolve 174 firmas ligadas ao conglomerado, incluindo a Alsaraiva Empreendimentos Imobiliários, a Allpasta Empreendimentos e Participações e a Mercatto Express.
Também foram incluídos no processo o presidente e fundador do grupo, Alberto Saraiva, e Belchior Saraiva Neto, um dos administradores da companhia.
A informação foi publicada em primeira mão pelo NeoFeed. Procurado pelo InvestNews, o Grupo Habib’s confirmou o pedido e acrescentou que a operação das lojas continua normalmente.
A dona do Habibs disse ainda que o objetivo da medida é “negociar os passivos monetários acumulados durante o período desafiador dos últimos anos”.
Concessão parcial
Além de conceder a proteção judicial, o juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, também determinou que os credores não interrompam ou suspendam o fornecimento de serviços considerados essenciais para a operação, como água, energia elétrica, gás e tecnologia.
Por outro lado, o juiz negou o pedido para liberação de recebíveis e investimentos cedidos fiduciariamente. Segundo a decisão, esses créditos não estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial conforme o entendimento atual da jurisprudência.
Apesar de a proteção cautelar ter sido estendida a Alberto Saraiva e Belchior Saraiva, que alegaram atuar como produtores rurais integrados à operação, o Ministério Público pediu que sejam apresentadas mais provas para comprovar essa integração operacional e financeira.
Crise é antiga
O Grupo Gennius enfrenta problemas monetários há alguns anos. Uma das firmas citadas no pedido, a Campo Limpo Point Comércio de Alimentos, registrou prejuízo de R$ 1,8 bilhão no ano passado e de R$ 685 milhões no primeiro trimestre deste ano.
A companhia também apresenta patrimônio líquido negativo há pelo menos cinco anos, o que significa que suas dívidas superam, de forma recorrente, o valor de seus ativos.
Entre os credores listados no processo estão fornecedores e instituições financeiras. A Bamko Importação aparece com crédito de R$ 4,2 milhões, enquanto a Seara Alimentos tem R$ 1,4 milhão a receber e a De Marchi, R$ 1,7 milhão. Também aparecem firmas como Duas Rodas Industrial, Banco Inter e Ouribank.
Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s se tornou uma das maiores redes de alimentação do Brasil seguindo um modelo de franquias. Na década de 2010, a companhia cresceu rapidamente impulsionada pelo aumento do consumo da classe C. O grupo chegou a faturar cerca de R$ 3 bilhões por ano e operar aproximadamente 600 unidades.
O modelo de grandes restaurantes de rua, com estacionamento, parquinho infantil e drive-thru, porém, passou a pressionar os custos da operação nos últimos anos.
Como parte da reestruturação, a firma fechou dezenas de unidades maiores e deficitárias e passou a priorizar formatos mais enxutos, como lojas menores em praças de alimentação de shoppings, quiosques e operações voltadas ao delivery, incluindo dark kitchens.
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Autor: Redação InvestNews