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Magalu resiste a entrar na guerra de preços do e-commerce e perde R$ 1,2 bilhão em vendas

O e-commerce brasileiro se tornou alvo de batalha de grandes players em busca da venda ao consumidor: do líder Mercado Livre ao gigantismo da big tech Amazon, o avanço de chineses como Shopee e Temu e a força de locais como Magazine Luiza e Casas Bahia.

Para o Magalu, da família Trajano, a estratégia da vez passa pela decisão deliberada de vender com foco em rentabilidade e, portanto, na preservação de margens, ainda que isso signifique neste momento abrir mão de vendas que comprometam essas métricas financeiras.

Os resultados do primeiro trimestre recém-divulgados pela companhia deram nova dimensão aos efeitos dessa decisão: o Magalu perdeu R$ 1,236 bilhão em vendas online em um ano, o equivalente a 11% do que registrou no mesmo período de 2025. A queda foi de R$ 11,193 bilhões para R$ 9,957 bilhões.

O encolhimento do Magalu se deu tanto nas vendas de produtos de terceiros – os sellers -, modalidade conhecida como 3P, como do próprio estoque (1P): no primeiro caso, a queda na base anual foi de 14,3%, para R$ 3,906,5 bilhões; no segundo caso, de 8,8%, para R$ 6,050,5 bilhões.

“O desempenho do trimestre refletiu o nosso foco primordial na preservação das margens operacionais”, apontou o Magalu no documento de resultados, em mensagem assinada pela diretoria, sob a liderança do CEO, Fred Trajano.

Como reflexo desse encolhimento no e-commerce, as vendas totais do Magalu – equivalentes ao GMV (volume total de mercadorias transacionadas) – recuaram cerca de R$ 900 milhões em um ano (-5,6%), para R$ 15,154 bilhões no primeiro trimestre.

Ou seja, nem o avanço de 6,9% nas vendas totais das 1.245 lojas físicas puderam compensar a queda.

A margem bruta (métrica que mostra o que sobra das receitas após descontar os custos de produção ou de aquisição de mercadorias) resistiu em 30,8%, versus 30,6% um ano antes; mas a margem Ebitda, que mede a eficiência operacional, caiu de 8,1% para 7,8% na mesma comparação.

A decisão de cautela do Magalu contrasta com a estratégia de abrir mão de margens adotada pelo Mercado Livre, cuja expansão das vendas tem acelerado a cada trimestre.

“O lucro operacional caiu 20% na comparação anual, uma vez que optamos por priorizar investimentos de crescimento de longo prazo em detrimento da rentabilidade de curto prazo”, apontou o Mercado Livre, liderado no Brasil por Fernando Yunes, no seu informe de resultados.

“Reduzir o limite mínimo [de R$ 79 para R$ 19 para milhões de produtos] para o frete grátis no Brasil foi uma das decisões mais importantes que tomamos em 2025, e os resultados do primeiro trimestre de 2026 reforçam nossa convicção de que foi a escolha certa”, disse o Meli no documento.

O crescimento do GMV do Mercado Livre no Brasil acelerou para 38% na comparação anual em base de câmbio neutro, sustentado pelo aumento de 56% no número de itens vendidos na mesma base, ante 45% no quarto trimestre de 2025, 42% no terceiro trimestre e 26% no segundo trimestre.

Pressão contínua sobre o Magalu

Esse cenário de pressão sobre o Magazine Luiza deve persistir nos próximos trimestres, segundo avaliação do time de equity research do BTG Pactual.

“Continuamos a acreditar que a performance operacional do Magazine Luiza deve seguir limitada”, escreveram os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendom em relatório sobre os resultados.

Eles apontam três fatores para esse prognóstico: “dinâmica de demanda ainda fraca em categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos; concorrência crescente no e-commerce, especialmente nas operações de marketplace; e juros elevados, que continuam pressionando tanto a demanda dos consumidores quanto as despesas financeiras”.

As ações do Magalu recuaram 9,95% na B3 nesta sexta (8), para R$ 7,15. O valor de mercado caiu para R$ 5,6 bilhões, ainda mais distante do recorde de R$ 170 bilhões no fim de 2020. No acumulado de 2026, as perdas se aproximam de 20%; em 12 meses, estão na ordem de 17%.

As ações do Meli também recuaram – 12,70% – na Nasdaq nesta sexta, levando o market cap para US$ 83 bilhões; em 12 meses, a queda supera o patamar de 30%.

Magalu aposta em parcerias com marcas

No caso do marketplace, que respondeu por 39% das vendas online, a estratégia do Magalu para estimular o desempenho passa por reforçar e acertar novas parcerias com marcas conhecidas em diferentes categorias, com a expectativa de que isso se traduza em mais receitas.

“O momento é de foco na curadoria de sellers e na rentabilidade, qualificando o sortimento para que ele seja complementar à nossa oferta das categorias mais tradicionais — um movimento que faz parte do nosso posicionamento como um brand place“, disse a firma no documento.

O Magalu citou a entrada de marcas como Westwing, Ou e Tupperware (produtos de casa), Conair e Kiss (beleza), Arno e Dyson (eletroportáteis) e Sestini (acessórios de viagem) nessa frente.

Há outras frentes elencadas como importantes para o crescimento, como a de serviços monetários e a de vendas digitais com uso de IA (inteligência artificial), em canais como o WhatsApp.

A questão para investidores passa por saber quanto tempo vai demorar para que essas frentes devolvam o Magalu ao caminho do crescimento e se de fato será possível alcançar esse feito sem entrar na guerra de preços do e-commerce diante de concorrentes tão capitalizados como o Mercado Livre.

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Autor: Marcelo Sakate

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