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Na era da IA, grandes fundos buscam ativos da vida real: de esportes e viagens até cassinos

O venture capital costuma estar associado a apostas em tecnologias de alto risco e grande potencial de retorno. Ultimamente, porém, alguns investidores de venture capital têm encontrado novas oportunidades em negócios mais analógicos: equipes esportivas, imóveis icônicos e até brinquedos infantis.

Os investidores estão em busca de oportunidades protegidas do avanço da IA, incluindo negócios baseados em experiências humanas que o ChatGPT não consegue substituir.

Josh Kushner, fundador da gestora de investimentos Thrive Capital, está entre os investidores que recentemente adquiriram participações em algumas das principais franquias esportivas dos Estados Unidos, incluindo o San Francisco Giants e, em um acordo de US$ 12,5 bilhões, o Los Angeles Lakers, que se tornou a equipe esportiva mais valiosa da história.

Jeff Bezos faz parte de um consórcio de investidores que participa de um acordo para comprar uma participação minoritária no Liverpool Football Club, do Reino Unido, ao lado do cofundador do Facebook, Eduardo Saverin. O negócio avalia o clube em mais de US$ 7 bilhões.

Marc Stad, fundador do Dragoneer Investment Group, está adquirindo o controle do Minnesota Timberwolves, enquanto um grupo liderado pelo investidor de venture capital e apoiador da OpenAI Vinod Khosla está adquirindo o Seattle Seahawks.

Essas equipes lendárias são ativos escassos, com bases de torcedores fiéis e receitas previsíveis provenientes de direitos de transmissão, além de poderem oferecer vantagens fiscais significativas para investidores ricos.

Algumas firmas de venture capital estão apostando que as equipes esportivas são menos vulneráveis ao ritmo acelerado do desenvolvimento da IA, que ameaça transformar setores como software, serviços jurídicos e finanças.

“As pessoas querem assistir a seres humanos de verdade jogando esportes”, disse Sudeep Ramnani, fundador da 885 Capital, investidora da Professional Fighters League, uma liga de artes marciais mistas. “Isso faz sentido no contexto de como o mundo está mudando.”

Alguns investidores esperam que a nova riqueza gerada pelo boom da IA impulsione gastos maiores com experiências presenciais, viagens de luxo, imóveis e produtos físicos.

Cada vez mais, investidores estão direcionando recursos para ligas esportivas de nicho e startups do setor, como a Professional Fighters League, criada para desafiar o UFC e que recentemente se fundiu com a firma de esportes de combate Most Valuable Promotions, do influenciador de redes sociais Jake Paul.

Investir em novas ligas esportivas exige muito menos capital, mas envolve riscos maiores, segundo alguns investidores. Não há garantia de que essas ligas conseguirão construir uma base real de torcedores, e há preocupações de que a redução do tempo de atenção das pessoas torne mais difícil atrair e manter o público. Conteúdos gerados por IA também disputam cada vez mais o tempo dos consumidores.

Harley Miller, fundador da Left Lane Capital, é um dos primeiros investidores da Real American Freestyle, uma liga de luta livre voltada para famílias e cofundada por Hulk Hogan em 2025. Miller disse que o negócio apresentou um avanço consistente, com uma base de fãs crescente disposta a viajar para acompanhar os torneios.

“São ativos concretos e difíceis de replicar”, disse Miller. “Não é algo especulativo que possa ser colocado em xeque pelo lançamento de um novo modelo de linguagem de grande porte daqui a um ano.”

A Left Lane também investe na Pro Padel League, na Snow League — uma liga profissional de esportes de inverno fundada por Shaun White — e na League One Volleyball.

“Esses não são ativos de troféu para nós”, disse Miller, cuja firma também investe em marcas voltadas ao consumidor, como Blank Street Coffee e 7th Street Burger. “Estamos buscando retornos no estilo venture capital”, normalmente um múltiplo do investimento original.

A busca por negócios à prova de IA se estendeu para além dos esportes e do entretenimento e chegou a ativos físicos, como firmas de manufatura e energia.

A People, de Barry Diller, está em negociações para assumir o controle da MGM Resorts em um acordo que avalia a gigante dos cassinos em mais de US$ 12 bilhões.

“Enquanto todo mundo estava correndo atrás de todo tipo de ‘oportunidade de IA’, eu queria correr na direção oposta”, disse Diller em uma entrevista anterior ao The Wall Street Journal.

Beth Ferreira, sócia da firma de investimentos comandada pela estrela do tênis Serena Williams, que levantou US$ 111 milhões para seu primeiro fundo em 2022, chama os investimentos que abrangem produtos físicos, viagens e bem-estar de “economia da experiência”.

Ela tem concentrado seus esforços nessa área com base na tese de que as pessoas passam cada vez mais tempo diante de telas, tornando mais valiosos os momentos vividos no mundo físico.

“Estamos realmente procurando fundadores que estejam construindo negócios em que a tecnologia personalize e otimize a experiência, mas não substitua a experiência”, disse Ferreira.

A Serena Ventures se reuniu com potenciais firmas para investimento que vão de startups de viagens a uma liga de curling. Uma das firmas que recebeu capital foi a StickerBox, uma companhia de brinquedos infantis que utiliza IA.

As crianças podem pedir à StickerBox para criar uma imagem. O brinquedo gera a imagem usando IA e depois a imprime como um adesivo físico.

Essa aposta já deu resultado. A StickerBox foi adquirida em agosto pela Spin Master, firma de brinquedos que fabrica os produtos da Patrulha Canina. A venda avaliou a StickerBox entre US$ 35 milhões e US$ 50 milhões.

“Embora seja uma aposta contrária à IA, ela faz parte da ascensão da IA”, disse Ferreira.

Escreva para Kate Clark pelo e-mail kate.clark@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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