Últimas Notícias

Na escalada da disputa comercial entre EUA e Canadá, Embraer pode se beneficiar em jatos executivos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ameaçou impedir a venda de jatos da Bombardier nos Estados Unidos, no mais novo capítulo da escalada da disputa comercial com o Canadá – e que pode, no limite, até gerar novas oportunidades de negócios para a Embraer.

“NÃO HÁ MAIS VENDA DE BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS!”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (7).

“Os produtos deles não são bons o bastante! Mais de 50% de sua receita vem dos Estados Unidos – eles vivem de compradores americanos, firmas americanas, aeroportos americanos e serviços americanos.  Tudo isso enquanto o Canadá bloqueia nossos GRANDES bancos e firmas americanas em todos os EUA.”

A ameaça de Trump ocorre no momento em que o Canadá se prepara para impor, na terça-feira (8), tarifas de 15% a 50% sobre centenas de produtos dos EUA, em uma tentativa do primeiro-ministro Mark Carney de responder às novas tarifas comerciais de seu par americano contra o país.

Trump não especificou se estava impondo algum tipo de proibição às aeronaves ou uma nova tarifa sobre sua importação. Mas já havia ameaçado tomar medidas contra elas antes, ao alegar que o Canadá bloqueava a certificação de jatos Gulfstream fabricados nos EUA.

Oportunidade potencial para Embraer

Tarifas extras sobre aeronaves da Bombardier podem abrir oportunidades de negócios para a Embraer. Atualmente, as duas companhias concorrem em apenas um segmento de jatos de médio porte e “super midsize“: por exemplo, o Praetor 600 e o Legacy 500 da Embraer concorrem com o Challenger 3500 e modelos equivalentes da Bombardier.

No começo de 2025, a Embraer acertou um contrato com um pedido de US$ 7 bilhões da Flexjet, operadora privada de jatos, para a entrega de 182 aeronaves, entre os modelos Praetor 600 e Praetor 500 e Phenom 300E, com direito a 30 unidades adicionais como opção.

Atualmente, a Embraer compete sem a concorrência da canadense no segmento de jatos executivos de entrada, com o Phenom 100 e 300, enquanto a Bombardier leva vantagem nas aeronaves de longo alcance com a família Global (5500, 6500, 7500).

No passado recente, até o início desta década, as duas concorriam no segmento de jatos comerciais regionais: os ERJ/E-Jets da Embraer contra os CRJ da Bombardier (o programa acabou vendido para a Mitsubishi).

Nem o governo canadense nem a Bombardier responderam imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg.

A Casa Branca também não respondeu de imediato a um pedido de comentário durante o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

Uma medida do governo Trump contra a Bombardier poderia ter consequências para fabricantes americanos que integram a cadeia de fornecedores da firma.

A Bombardier tem mais de 2,8 mil fornecedores sediados nos EUA, em 47 estados, disse o CEO Eric Martel no ano passado.

Mais da metade dos custos do jato Global 7500, da Bombardier, está vinculada à produção nos Estados Unidos, por exemplo. As asas são fabricadas no Texas, a aviônica, em Iowa, e os motores, em Indiana, enquanto a montagem e o acabamento são feitos no Canadá.

Autoridades do governo Trump sugeriram que os EUA poderiam retaliar com suas próprias medidas em resposta às tarifas do governo Carney, e a possibilidade de uma nova tarifa sobre automóveis foi ventilada.

O governo Carney está prestes a elevar, na terça, os impostos de importação sobre diversos produtos americanos de aço para 50%, ante uma tarifa de 25%, além de aplicar taxas de importação sobre uma série de itens de consumo, salvo uma reviravolta de última hora.

As ações comerciais de retaliação mútua se seguem ao colapso de um possível acordo comercial entre as duas nações norte-americanas.

Negociadores dos EUA e do Canadá tentaram durante semanas chegar a um acordo para reduzir as tensões comerciais e evitar uma nova rodada de tarifas americanas, chegando aparentemente a concordar sobre os termos gerais antes de o entendimento ruir no mês passado.

Isso abriu caminho para tarifas americanas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, que entraram em vigor em 22 de agosto. Autoridades canadenses anunciaram os detalhes de suas tarifas retaliatórias três dias depois.

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: Bloomberg

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo