O que esperar da primeira ‘Woodstock para Capitalistas’ sem Warren Buffett
Pela primeira vez em décadas, a conferência anual da Berkshire Hathaway ocorrerá sem Warren Buffett no centro do palco. O evento será realizado neste sábado (2), a partir das 7h (9h em Brasília), em Omaha, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos. O evento, aguardado pelo mercado monetário, é chamado de “Woodstock para Capitalistas”.
A ausência no protagonismo, no entanto, não significa que o investidor ficará de fora. Para William Castro Alves, estrategista-chefe e sócio da Avenue, é esperado que o agora presidente do conselho da firma esteja na tribuna da frente, onde os filhos do megainvestidor, que também são acionistas da Berkshire, costumam ficar. “É difícil saber se vai falar alguma palavras à plateia, mas é certo que todos gostariam de ouvi-lo.”
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Quem deve conduzir o evento, antes capitaneado por Buffett e seu braço-direito Charles Munger, que morreu no fim de 2023, é o novo CEO, Greg Abel, ao lado de Ajit Jain, executivo responsável pela área de seguros da Berkshire e apontado por Buffett como uma das contratações mais importantes da história da companhia. Ambos devem apresentar os principais destaques do balanço do trimestre.
“Abel costuma ecoar muito as falas de Buffett. Os investidores estarão atentos se ele dará de fato continuidade à sua filosofia de investimentos. Mas é esperado que seja uma reunião mais pragmática, com foco nos negócios. É difícil ser carismático como Buffett.”
A Berkshire está saindo de um modelo informal, que era centralizado por Buffett, para um mais estruturado, com “sub-CEOs” por blocos. Por isso, haverá uma segunda rodada de perguntas para outros dois executivos: Katie Farmer, CEO da divisão de ferrovias, e Adam Johnson, que cuida da área de consumo, serviços e varejo.
“A conferência marca o início de uma nova era. O mercado avaliará a desenvoltura operacional e visão para o futuro de Greg Abel e sua dinâmica de governança com outros líderes, como Ajit Jain”, diz Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad
A expectativa é de que o evento seja mais vazio, e não chegue perto do número de participantes do ano passado, ao qual, mesmo sem saber que seria o último de Buffett, investidores compareceram em peso. Todos buscavam respostas sobre onde investir em um cenário de elevadas incertezas, pouco depois do anúncio da política comercial do presidente americano Donald Trump.
Toda a conferência será transmitida ao vivo pela CNBC e pouco antes do início do evento a Berkshire Hathaway divulga o seu balanço do 1º trimestre. Os investidores aguardam os resultados com certa tensão. Afinal, enquanto o índice de ações das 500 maiores firmas americanas, o S&P 500, subiu 30% nos últimos 12 meses, as ações da Berkshire caíram 10%. Para Alves, a saída de Buffett e a incerteza sobre o rumo da firma daqui para a frente influenciaram muito no desempenho do papel.
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Cenário desafiador
Outro ponto de destaque esperado pelo mercado é a leitura do cenário macroeconômico e juros que partirá do novo CEO.
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Em um ambiente de recordes no mercado de ações, mas com juros altos e inflação resiliente, conflitos geopolíticos e tensões comerciais globais, o mercado buscará entender a visão de Abel sobre os riscos e as oportunidades além dos Estados Unidos.
Caixa recorde
Por fim, acionistas da firma também devem continuar a perguntar o que será feito com o caixa da firma, que continua em um nível alto. A Berkshire encerrou 2025 com uma posição de caixa recorde de US$ 373,3 bilhões. Para Lobo, da Nomad, já foi dado um passo importante sobre o assunto com a retomada nas recompras de ações em março, após quase dois anos.
“Os investidores monitoram o ritmo dessas recompras, que funcionam como um sinal claro da convicção da nova gestão sobre o valor intrínseco da firma e sobre o nível dos preços de mercado para novas alocações.”
Apple e petróleo devem ser destaques
Atualmente, o maior investimento monetário da Berkshire é em ações da Apple. Não é por acaso que a conferência de resultados anual da firma acontece logo depois da divulgação do balanço da fabricante do iPhone.
Contudo, há algum tempo a firma vem diminuindo sua posição na big tech: segundo o último relatório que mostra seus investimentos, a Apple (AAPL34) representava 22,60% do portfolio e havia sido reduzida em 4% em relação ao último documento divulgado. Como a Apple mudou seu CEO neste mês, investidores estarão ansiosos para saber qual a visão da Berkshire sobre a nova gestão da firma. Mas Abel já a classificou como um ativo de longo prazo, indicando que o ciclo agressivo de vendas deve dar lugar à estabilidade, diz Lobo.
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A Berkshire também é conhecida por investir em firmas de petróleo. Ações da Chevron são o seu quinto maior investimento. Investidores estarão curiosos para saber a visão da firma sobre o investimento em energia ante o choque do petróleo provocado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
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A firma aplica ainda em ações de consumo, varejo e serviço, que vêm sendo um ponto de atenção em um ambiente no qual o sentimento de consumo está muito baixo. Há temores sobre aumento da inflação no país e isso pode repercutir nos dados gerais do balanço.
Recentemente, a Berkshire investiu na rede de pizza Domino´s (D2PZ34), que veio sendo castigada na Bolsa. Por outro lado, passou a ter uma fatia no jornal The New York Times, cujo papel vem se valorizando.
A novidade será acompanhar como Abel planeja posicionar a Berkshire diante da revolução da inteligência artificial, uma demanda crescente dos investidores
Outros negócios
A divisão de seguros, negócio que vinha sendo questionado pelos investidores, deve continuar a melhorar, analisa Alves. “A Geico demorou a investir em tecnologia, enquanto a Progressive, sua concorrente, crescia. Mas o negócio se recuperou bem. Investidores estarão atentos a como a temporada de furacões pode aumentar os sinistros.”
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Autor: Marília Almeida
