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Papel higiênico e mais 4 mil itens: os produtos que vão pagar tarifa de 37,5% para entrar nos EUA

Açúcar de cana bruto, bolachas e papel higiênico estão entre os quase 4 mil produtos brasileiros que passam a pagar 37,5% de tarifa para entrar nos Estados Unidos a partir desta sexta-feira (24). A alíquota soma a sobretaxa de 25% em vigor desde quarta-feira (22) à nova tarifa de 12,5%.

Washington justifica a nova cobrança com a alegação de que o Brasil falha no combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas.

Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a nova sobretaxa alcança 4.060 produtos brasileiros. O impacto chega a US$ 12,4 bilhões em exportações, o equivalente a 29,4% de tudo que o Brasil vende aos americanos.

Desse total, 3.985 produtos já pagavam os 25% anteriores e passam a somar 37,5%. Outros 75 produtos, que somam US$ 1,6 bilhão, ficam sujeitos só à nova alíquota de 12,5%.

O olhar dos bancos

Para o mercado monetário, o efeito mais claro do novo tarifaço aparece no setor de máquinas e bens industriais. 

Em relatório, a XP avalia que o anúncio é neutro para a Embraer e para as fabricantes de autopeças Tupy e Frasle, cujos preços em bolsa já refletiam esse cenário. Para a WEG, a leitura da corretora é de um efeito apenas marginalmente negativo, uma vez que a tarifa já era amplamente esperada pelos investidores.

O Goldman Sachs foi além e colocou números na conta. O banco estima que cerca de 29% da receita líquida da WEG venha da América do Norte, e que até um terço desse total possa ser diretamente afetado pela nova cobrança. 

A proporção, no entanto, tende a diminuir: a fabricante de motores elétricos vem transferindo parte da produção do Brasil para o México, movimento que os analistas leem como uma forma de mitigar o risco tarifário ao longo do tempo.

Já os analistas do BTG Pactual tratam o efeito como um vento contrário passageiro para a WEG, não como um risco estrutural para a companhia.

Os mais taxados…

A tarifa combinada de 37,5% atinge 25,5% de todo o valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos. Madeira e celulose e papel são os setores mais penalizados.

Na madeira, 83% das exportações caem na alíquota mais alta. Em celulose e papel, o percentual é de 76%. A lista de produtos inclui moldura de pinho, papel higiênico e papel-cartão para embalagens de bebidas.

No setor de alimentos, entram na tarifa mais alta açúcar de cana bruto, carne suína congelada, ração para cães e gatos e biscoitos. Químicos como álcool etílico e benzeno, além de granito e mármore, seguem o mesmo caminho.

Máquinas e equipamentos escapam parcialmente dessa conta. A maior parte das exportações do setor, 83,9%, cai na tarifa setorial de 50% da Seção 232, sobre aço e insumos metálicos, e não na combinação de 37,5%.

… e os isentos

Nem toda a pauta exportadora brasileira é penalizada. Café não torrado, carne bovina, ferro-gusa e óleos de petróleo estão isentos de qualquer tarifa adicional.

Esse grupo isento responde por 51,3% das exportações do Brasil aos Estados Unidos. Outros 18,9% das vendas, equivalentes a US$ 8 bilhões e 1.102 produtos, seguem sujeitos apenas às medidas setoriais da Seção 232.

A nova tarifa de 12,5% decorre de uma investigação americana baseada na Seção 301 da lei de comércio dos Estados Unidos. A apuração analisou 60 parceiros comerciais.

O resultado enquadrou o Brasil, junto com outras 37 economias, entre os países que não impuseram nem aplicaram de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Para a CNI, os argumentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, em inglês) não refletem a realidade brasileira. A entidade sustenta que o país tem um dos arcabouços legais mais modernos do mundo para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias de suprimentos.

Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos para reduzir os impactos sobre a indústria.

Segundo Alban, a entidade já negocia com o governo federal e com os setores mais afetados medidas de curto prazo.

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Autor: Raquel Brandão

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