Raízen apresenta plano de reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões a credores
A Raízen apresentou aos credores sua proposta final de reestruturação, um passo fundamental no esforço, que já dura meses, da produtora de açúcar e etanol para concluir uma renegociação extrajudicial de suas dívidas.
Os detentores de títulos locais, incluindo os chamados Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), devem se reunir nesta quarta-feira (3) para começar a avaliar o plano, segundo comunicado da companhia.
Conversas separadas com bancos e detentores de títulos emitidos no exterior também devem ocorrer nos próximos dias, disseram pessoas familiarizadas com o assunto antes da divulgação oficial da proposta.
A firma, que enfrenta o prazo de 8 de junho para fechar um acordo, espera obter o apoio de mais de 70% dos credores — bem acima da maioria simples necessária para aprovar a operação, afirmaram as fontes antes da publicação do plano de recuperação nesta quarta-feira. As pessoas pediram anonimato por tratarem de negociações privadas.
Um representante da Raízen se recusou a comentar.
Um acordo permitiria à Raízen avançar com uma reestruturação extrajudicial para enfrentar sua dívida de R$ 65 bilhões.
A gigante dos biocombustíveis se endividou fortemente nos últimos anos para financiar uma expansão ambiciosa, mas apostas malsucedidas em etanol e combustíveis de aviação, somadas à alta dos juros, pressionaram seu balanço monetário.
As negociações também envolvem a futura estrutura de governança da companhia. A Raízen propõe a criação de um comitê de credores com cinco membros, enquanto o diretor monetário, Lorival Luz, deve assumir mais responsabilidades como diretor de reestruturação (chief restructuring officer).
O plano também recomenda a manutenção do atual conselho de administração da Raízen até o primeiro trimestre do próximo ano. Ao mesmo tempo, deixa em aberto a permanência de Rubens Ometto no colegiado após esse período, caso ele realize uma injeção de capital de R$ 500 milhões na firma.
Um porta-voz de Ometto também se recusou a comentar.
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Autor: Karla Mamona