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Saíram na hora errada? Maioria dos fundos que bateram o Ibovespa perdeu investidores em 12 meses

Os fundos de ações, assim como a Bolsa de Valores, vivenciam um paradoxo: os produtos que conseguiram entregar rendimentos acima do Ibovespa em níveis recordes são os mesmos que perderam espaço na carteira dos investidores. Dados do TradeMap, obtidos pelo E-Investidor, ilustram bem essa realidade: dos 36 fundos que superaram o principal índice da B3, 28 registraram redução da sua base de cotistas nos últimos 12 meses.

As razões por trás desse movimento estão ligadas à atratividade da renda fixa. Nos últimos anos, a Selic subiu até a marca dos 15% ao ano como parte dos esforços do Banco Central em convergir a inflação para a meta. Como consequência, os juros elevados passaram a atuar como parâmetro de rentabilidade mínima exigida pelos investidores, sobretudo para aqueles que observam apenas o potencial de retorno no curto prazo dos investimentos.

Como os títulos públicos costumam acompanhar a trajetória da taxa Selic, alocar parte do patrimônio em ativos de Bolsa deixou de parecer um bom negócio para muitos investidores. Essa percepção foi sustentada por dois fatores: de um lado, a renda fixa passou a oferecer retornos elevados com menor risco de mercado; de outro, os riscos domésticos e as tensões geopolíticas pressionaram os ativos de renda variável. A combinação desses elementos resultou na saída de capital dos fundos de ações.

Veja os 10 fundos de ações mais rentáveis dos últimos 12 meses

Fundos de Ações
Evolução no nº de cotistas
Rentabilidade nos últimos 12 meses 
Itaú Petrobras FIF
-1.412 55,68%
Bradesco FIF Petrobras
-718 55,25%
Bradesco H Petrobras FIF
-218 55,17%
Itaú Petrobrás Fundo Mútuo Privatização FGTS
-205 55,14%
Caixa Petrobras FIF
-936 55,07%
Santander Petrobras 2 CIC FIF
-449 54,99%
Itaú Index Petrobras FIF
-8.308 54,85%
Santander Petrobras FIF
-463 54,31%
Itaú Petrobras I FIF
-332 54,29%
BB Petrobras FIF
-2.442 53,11%
Fonte: TradeMap

Segundo dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados monetário e de Capitais (Anbima), os fundos de ações registraram uma saída líquida de R$ 25,3 bilhões nos últimos 12 meses, contra a entrada de R$ 147,6 bilhões em fundos de renda fixa no mesmo período.

“O início de 2025 carregou os traumas do fim de 2024, quando a bolsa estava nos 119 mil pontos e o dólar acima de R$ 6. Sobre essa base frágil, somaram-se as incertezas com a política comercial dos Estados Unidos, tensões geopolíticas, desconfiança com o cenário fiscal doméstico e um ambiente global de aversão ao risco”, diz Cândido Piovesan, Trader da Mesa de Alocação da Nippur Finance.

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As incertezas no contexto internacional, porém, tiveram um desfecho inesperado para os brasileiros. Especialistas observam que a nova agenda política e econômica de Donald Trump fragilizou a percepção do papel do dólar como porto seguro e alterou parte do fluxo de capital. Esse movimento resultou em uma redução das alocações nos Estados Unidos e redirecionou esse capital para mercados emergentes, como o Brasil.

Apenas em 2026, os estrangeiros aportaram R$ 55,1 bilhões na Bolsa brasileira, segundo dados mais recentes da B3. No ano passado, esse volume chegou a R$ 26,80 bilhões. “Esse fluxo chegou majoritariamente via ETFs internacionais e operações diretas na B3, não via fundos ativos locais. Uma quantidade modesta de capital estrangeiro é suficiente para mover o índice de forma expressiva, dada a diferença de escala entre o capital global e o mercado doméstico”, complementa Piovesan.

Há oportunidades nos fundos de ações em 2026?

A alta recente dos fundos de ações não limita as oportunidades na indústria. Especialistas ressaltam que, apesar da volatilidade tanto no cenário internacional quanto doméstico, as projeções indicam um cenário benigno para o mercado acionário. E o grande responsável pela construção desse ambiente tem sido o ciclo de queda de juros, iniciado em março deste ano. Nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), o colegiado decidiu pela redução da taxa Selic, que hoje permanece no patamar de 14,50%.

A guerra no Oriente Médio e os seus efeitos sobre o preço do petróleo, porém, adicionaram cautela na condução da política monetária. Como mostramos nesta reportagem, o colegiado teme que a alta da commodity possa pressionar a inflação do país e, por consequência, obrigá-los a reduzir a magnitude dos cortes. Ainda assim, a expectativa é de novas reduções nos próximos meses. Segundo o Boletim Focus, o mercado estima uma Selic a 13% no fim do ano. Se isso se confirmar, teríamos pela frente uma redução de 1,5 pontos percentuais até dezembro.

“Os fundos de ações devem ter captação melhor com a queda dos juros e com a continuidade da alta do Ibovespa. Historicamente, retornos passados e juros explicam a captação dos fundos de ações. O retorno já está melhor, falta os juros ficarem mais baixos”, pontua Fernando Siqueira, Head de Research da Eleven Financial.

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No entanto, um ambiente doméstico mais favorável não elimina a necessidade de o investidor selecionar fundos com portfólios consistentes. Isso porque as tensões geopolíticas devem continuar no radar, e seus desdobramentos podem tanto intensificar o fluxo estrangeiro para o Brasil quanto redirecionar os recursos para ativos de proteção, como o ouro.

Além disso, 2026 é um ano de eleição presidencial. Em tese, períodos eleitorais exigem dos investidores resiliência para não vender suas posições em momentos de estresse. “É importante entender que, quando você olha para fundos de ações, há diversas estratégias. Então, a gente busca diversificar nossas alocações nessas estratégias. Mantemos uma parte em portfólios indexados ao Ibovespa, outra parte em carteiras focadas no longo prazo, por exemplo”, diz Marco Bismarchi, sócio e gestor de portfólio da TAG Investimentos.

O jeito ideal de investir em fundos de ações

Além das perspectivas econômicas, outro ponto que não pode ser subestimado é o horizonte de investimentos: fundos de ações costumam entregar retornos consistentes em uma janela de, pelo menos, cinco anos. Por isso, Luciana Seabra, planejadora financeira certificada (CNPI e CFP®) e especialista em fundos de investimentos, explica que os investidores precisam acreditar nos fundamentos do portfólio e compreender que o mercado é cíclico. Ou seja, terá tanto momentos de baixa quanto momentos de alta.

Ela ressalta ainda que os anos de 2021 e 2024 protagonizaram um dos momentos mais desafiadores para os gestores de fundos de ações. Isso porque os efeitos da pandemia e a alta expressiva dos juros afetaram a economia real e a saúde financeira das firmas. Por outro lado, a analista explica que são nesses momentos que os investidores deveriam ter aproveitado os preços baixos para aumentar a sua exposição.

“Desde o ano passado, muitos fundos de ações entregaram retornos de 30%, 40% ou até 50%, mas muitos investidores não souberam esperar e resgataram suas alocações. É o jeito errado de investir em bolsa”, afirma.

A atenção não deve ser direcionada apenas aos ciclos econômicos. O investidor também precisa estabelecer um percentual de exposição do portfólio na classe de ativos antes de tomar qualquer decisão. Essa definição vai depender do perfil de risco, mas Seabra recomenda ter uma exposição em torno de 30% do patrimônio. A outra condição é ter uma reserva de emergência, que seja equivalente a sua renda mensal de três meses a um ano.

Sem esse capital, o investidor corre o risco de resgatar os recursos aplicados em períodos de baixa do mercado para fazer frente a situações de emergência.“Tem que ser o dinheiro de longo prazo”, diz Seabra. “Então, a minha recomendação é o investidor montar uma carteira com seis a sete fundos de ações que tenham bons atributos quantitativos, qualitativos e um bom histórico”, ressalta.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Daniel Rocha

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