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Stablecoins: quem ganha com o dólar cripto no Brasil?

Os brasileiros declararam pouco mais de R$ 1 trilhão em stablecoins em pouco mais de seis anos, como mostrado aqui no início deste mês. Mas não é só a Receita Federal que ganha dinheiro (via impostos) com essa movimentação.

Existe toda uma cadeia de intermediários – como emissoras de stablecoins, corretoras, blockchains e bancos – que fica com uma fatia desse bolo.

O valor estimado para todos os envolvidos no processo, que cobram taxas ou oferecem a infraestrutura necessária para manter tudo funcionando, varia entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões, segundo levantamento da Vault Capital feito a pedido do InvestNews.

Cada participante ganha dinheiro de uma forma diferente.

Quem fica com cada fatia

As corretoras lucram com o fluxo. Cada compra ou venda de stablecoins gera taxas ou spreads, que variam entre 0,15% e 0,40% do valor negociado, segundo o estudo. Considerando os R$ 1,13 trilhão (valor exato) movimentados em stablecoins no período, isso representaria algo entre R$ 1,7 bilhão e R$ 4,5 bilhões para as exchanges.

As emissoras lucram com o estoque. O dinheiro que serve de lastro para as stablecoins costuma ficar aplicado em títulos do Tesouro americano (as famosas treasuries), e os juros gerados por esses investimentos ficam com a firma emissora, e não com o usuário.

A Tether, responsável pela USDT, a maior stablecoin do mercado, encerrou 2025 com US$ 186,5 bilhões emitidos e lucro líquido superior a US$ 10 bilhões, por exemplo. A estimativa da Vault é que a parcela desse ganho atribuível ao uso brasileiro das stablecoins fique entre R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões para emissoras como Tether e Circle, dona da USDC, segundo maior cripto dólar do mercado.

Já as blockchains lucram com a movimentação. Cada transferência gera uma tarifa fixa, independentemente do valor enviado – movimentar US$ 100 ou US$ 1 milhão costuma custar praticamente a mesma coisa. Segundo o estudo, redes como Tron e Ethereum devem ter capturado entre R$ 200 milhões e R$ 900 milhões com a atividade relacionada ao mercado brasileiro.

Os bancos, por sua vez, ganham em três frentes: tarifas cobradas das corretoras, receitas com operações de câmbio necessárias para transformar reais em dólares e recompor o lastro das stablecoins e, mais recentemente, serviços de custódia institucional para grandes investidores. Segundo a Vault, esse grupo também deve ter ficado com algo entre R$ 200 milhões e R$ 900 milhões.

“Somados os quatro elos da cadeia, o ecossistema capturou entre R$ 4,3 bilhões e R$ 11,2 bilhões no período – de 0,4% a 1,0% do volume movimentado. Como é improvável que todos os participantes estejam simultaneamente no piso ou no teto das premissas, a faixa entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões é a leitura mais defensável”, afirma Felipe Mendes, head de research da Vault Capital.

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Stablecoins e a dolarização

As stablecoins representaram 80% de tudo o que os brasileiros declararam em criptoativos no ano passado. Entre os motivos para o avanço desses ativos no país estão a possibilidade de dolarizar parte do patrimônio sem precisar abrir conta no exterior ou comprar moeda em espécie e o uso crescente dessas moedas em operações de câmbio e pagamentos internacionais.

E o interesse segue em alta. Só em junho, segundo dados da plataforma Índice Biscoint, o volume negociado nas principais exchanges do país atingiu R$ 13,81 bilhões, um recorde histórico.

No mundo, essas criptomoedas também vêm ganhando espaço tanto nas carteiras dos investidores quanto entre firmas, que enxergam nelas uma alternativa para pagamentos, remessas internacionais e liquidação de operações.

Nem tudo, porém, é aceleração. Depois de meses de crescimento quase ininterrupto, o setor perdeu cerca de US$ 10 bilhões desde o pico registrado em maio. Apenas em junho, a redução foi de US$ 7,7 bilhões, o maior recuo mensal desde o colapso do projeto cripto Terra-Luna, em 2022.

Para especialistas, porém, esse movimento está longe de representar uma crise. A retração equivale a cerca de 3% do mercado global de stablecoins. Paul Howard, diretor sênior da firma de trading Wincent, afirmou ao portal especializado em cripto CoinDesk que a queda representa apenas um ajuste temporário após um período de forte expansão, e não uma mudança na trajetória de crescimento do setor.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h20.

Bitcoin (BTC):  -1,32%, US$ 63.013,89

Ethereum (ETH): -1,01%, US$ 1.780,11

BNB (BNB): -0,84%, US$ 569,43

XRP (XRP): -1,38%, US$ 1,07

Solana (SOL): -0,52%, US$ 76,35

Outros destaques do mercado cripto

A bolada da Receita com erros no IR cripto. Quem não declara corretamente está ajudando a engordar os cofres da Receita Federal. Segundo documentos enviados ao Congresso Nacional, o órgão arrecadou R$ 8,3 milhões em multas aplicadas por omissão, atraso ou informações incorretas sobre operações com criptomoedas entre 2020 e abril de 2026. Além disso, uma ação-piloto focada em ganhos de capital e rendimentos com cripto resultou em R$ 54 milhões em créditos tributários.

Inmetro de olho na tecnologia cripto. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) deu o pontapé em um projeto que usa blockchain para criar um agente digital para veículos e gerar um registro de dados inviolável. Quase R$ 2 milhões serão destinados ao grupo de pesquisa responsável pela iniciativa. Vale lembrar que outras entidades, como o Detran-PR, já usam a tecnologia por trás das criptomoedas para registrar automóveis.

Clarity Act segue na corda bamba. O Clarity Act, projeto de lei que pretende definir quem regula o que no mercado cripto nos EUA, entrou em uma corrida contra o relógio. Senadores trabalham em uma nova versão do texto, que pode ser apresentada já na próxima semana e levada à votação ainda em julho. O problema é que o projeto ainda enfrenta resistência de parte dos democratas, principalmente em relação às regras de ética para autoridades públicas com ligação ao setor cripto.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

Dinheiro Portal

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