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Tesouro Direto fica muito perto de pagar 15% ao ano e taxa pode subir ainda mais

Tesouro Direto com taxa de juros de 15% ao ano? O título com juros prefixados e vencimento em 2032 chegou bem perto de cruzar essa fronteira. Alcançou 14,95% na quinta-feira (23) e nesta sexta-feira (24) tem sido negociado com um retorno anual de 14,87%.

Um juro desse tamanho foi visto pela última vez em abril do ano passado. E uma taxa acima de 15% ao ano apareceu no início de 2025, durante o período de turbulência maior causada pelos temores fiscais que levou o dólar a superar R$ 6,20 a partir do fim de 2024.

O leve alívio dos juros nesta sexta-feira ocorreu em meio ao recuo dos preços do petróleo para abaixo de US$ 100 o barril, marca que voltou a alcançar nos últimos dois dias.

O cenário da Guerra do Irã, no entanto, permanece incerto e os sinais emitidos pelos governos dos EUA e do país islâmico indicam uma nova escalada do conflito, mais do que uma trégua.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou lançar um ataque “massivo” contra o Irã nos próximos dias. E os Houtis, aliados da nação islâmica, avançaram os ataques para além do Estreito de Ormuz, alvejando navios também no Mar Vermelho.

Inflação e tarifas

A volta do barril do petróleo aos três dígitos reaqueceu os temores sobre a inflação globalmente.

No Brasil, a subida dos juros ganhou recentemente mais um elemento: o novo tarifaço imposto pelo governo americano sobre produtos nacionais.

Os Estados Unidos decidiram aplicar uma nova tarifa contra o Brasil, desta vez de 12,5%, que deverá se somar aos atuais 25% que já entraram em vigor.

A taxação extra decorre de uma alegada investigação do governo Donald Trump em busca de indícios de trabalho forçado nas cadeias de suprimento globais, que atinge cerca de 60 países.

No total, milhares de produtos brasileiros devem enfrentar uma penalidade que vai alcançar 37,5% para entrar no mercado americano.

Os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, também têm mostrado muita volatilidade nos últimos dias. O papel com vencimento em 2032, por exemplo, partiu de IPCA+ 8,20% na segunda-feira (20) para os atuais IPCA+ 8,31% ao ano. Mas um dia antes chegou a alcançar uma taxa de 8,39%.

Tesouro sem volatilidade

O que o investidor deve fazer agora? Antes de mais nada, ter cautela.

Se você busca aplicar recursos novos no curto prazo, por exemplo, para viajar no fim do ano, a renda fixa pública oferece como opções os títulos atrelados à Selic, como o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva.

Ambos têm correção diária pela taxa básica.

O Tesouro Reserva exibe algumas vantagens adicionais, como zero volatilidade – ou seja, o dinheiro aplicado só sobe – e possibilidade de resgate a qualquer momento: o sistema está disponível por 24 horas nos sete dias na semana, inclusive sábados, domingos e feriados.

Porém o novo produto do Tesouro Direto ainda está disponível apenas para correntistas do Banco do Brasil.

O Tesouro Selic, por sua vez, tem baixíssima volatilidade, rendimento diário e resgate no mesmo dia.

Nessa aplicação, porém, os saques estão disponíveis apenas durante o horário de funcionamento da plataforma, entre 9h30 e 18h, de segunda a sexta-feira. Além disso, qualquer pedido de resgate feito após as 13h ou no fim de semana só cai na conta no dia útil seguinte.

No bolso ou na tela?

Para quem já tem dinheiro em títulos IPCA+ ou prefixados, o melhor é evitar os resgates. Se você aplicou com uma taxa menor do que a atual, então está vendo o saldo em reais da conta cair.

Nesse caso, se sacar o dinheiro, vai tornar real o prejuízo visto na tela. Essa variação acontece devido à chamada marcação a mercado, que é a variação de preços e taxas diária dos títulos.

Essa oscilação acontece porque o interesse dos investidores em comprar ou vender os papéis antes do vencimento, no chamado mercado secundário, é impactado por diversos fatores – como expectativas sobre a inflação, a guerra no Oriente Médio, o noticiário político, a situação fiscal do governo e até, como se viu, os desenvolvimentos no comércio exterior.

Retorno garantido no vencimento

O momento é oportuno para aqueles investidores com mais tolerância ao sobe-e-desce dos preços e das taxas.

Os títulos de vencimentos mais longos, no entanto, de 10 ou mais anos, apresentam uma volatilidade muito maior do que os mais curtos.

Nesse caso, o potencial tanto de perdas quanto de ganhos com a marcação a mercado é maior comparado aos papéis IPCA+ ou prefixados com prazos mais curtos, por exemplo, de cinco anos ou menos.

Os retornos estão historicamente elevados, acima de IPCA+ 8% para vários títulos e chegando perto de 15% no caso daqueles que pagam uma taxa fixa, como explicamos acima.

Mas, como o próprio comportamento dos papéis recentemente mostrou, os juros podem continuar a subir nas próximas semanas – e até nos meses seguintes, pois é bom lembrar também que, quanto mais perto das eleições, maior a chance de a volatilidade aumentar.

É sempre importante ressaltar que, independentemente da variação no dia a dia, você vai receber exatamente tudo o que contratou – o retorno no momento da aplicação ao longo do prazo do papel – se levar o título até o vencimento.

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Autor: Sérgio Tauhata

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