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Com que rapidez o Estreito de Ormuz pode voltar a operar normalmente?

Os preços do petróleo estão sendo negociados abaixo de US$ 80 por barril após o presidente Donald Trump assinar um acordo para encerrar a guerra com o Irã, movimento que os investidores esperam que alivie uma das maiores interrupções de oferta das últimas décadas.

Mas traders e executivos do setor energético afirmam que o mercado de petróleo e de outras matérias-primas essenciais para a economia global continuará apertado por semanas, possivelmente meses. Navios precisam ser reposicionados, infraestruturas danificadas precisam ser reparadas e estoques esgotados terão de ser reconstruídos.

Isso significa que o memorando de entendimento — que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã após os EUA suspenderem sanções sobre as vendas de petróleo iraniano — deve funcionar mais como a abertura gradual de uma válvula de alívio do que como a liberação imediata de um fluxo intenso.

Pelo acordo, o Irã já deveria ter suspendido seu bloqueio ao estreito e iniciado os preparativos para garantir a passagem segura de embarcações comerciais. Até agora, porém, o avanço parece lento.

Os navios já estão voltando a navegar no Golfo Pérsico?

Até a manhã de quinta-feira, o tráfego próximo ao Estreito de Ormuz permanecia reduzido, segundo marítimos e firmas de rastreamento de embarcações.

Ainda assim, alguns navios — incluindo três petroleiros transportando petróleo saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa — cruzaram a hidrovia, de acordo com a firma de dados Kpler.

Outras embarcações estão se preparando para a travessia. Tripulações relataram que estão limpando os cascos, reabastecendo combustível e embarcando suprimentos para cruzar o estreito nos próximos dias.

Marítimos ancorados perto de Dubai disseram ter observado superpetroleiros se deslocando em direção à entrada do estreito.

Até o momento, a Marinha iraniana não informou oficialmente, por rádio, que a passagem foi reaberta.

Em uma gravação obtida pelo The Wall Street Journal, a Marinha Sepah — unidade especial subordinada à Guarda Revolucionária Islâmica — informou na quinta-feira que a travessia continua proibida. Segundo a corporação, a passagem ainda depende de autorização e escolta militar.

A Kpler registrou apenas seis travessias verificadas em 17 de junho. A maioria utilizou a rota costeira iraniana e uma embarcação navegou sem transmitir sinal de localização.

Em junho, cerca de dez navios por dia atravessaram o estreito, muito abaixo dos mais de cem registrados diariamente antes da guerra.

Quanto tempo levará para o Estreito de Ormuz voltar ao normal?

O acúmulo de embarcações paradas, a necessidade de troca de tripulações e períodos de descanso indicam que o tráfego não voltará ao normal por várias semanas, talvez meses.

Analistas da Kpler estimam que o movimento possa atingir cerca de 50% dos níveis pré-guerra — aproximadamente 50 a 60 embarcações por dia — dentro de um mês, desde que não ocorram novos contratempos.

A normalização completa pode levar meses, afirmou Sheila Cameron, diretora-executiva da associação Lloyd’s Market Association, que representa seguradoras ligadas ao mercado de Londres.

Segundo ela, os armadores precisam de garantias sobre a remoção de minas marítimas, a reabertura integral da infraestrutura portuária e regras claras para pagamento de tarifas.

A principal preocupação continua sendo a presença de minas navais. Por isso, os navios devem permanecer próximos às costas do Irã e de Omã até que a rota central do estreito seja considerada segura, limitando o número diário de travessias.

O acordo firmado na quarta-feira prevê que o Irã discuta a futura administração do estreito com Omã e outros países do Golfo.

O bloqueio naval dos EUA já foi suspenso?

O processo já começou.

Pelo acordo de paz, os EUA devem iniciar imediatamente a retirada do bloqueio naval e concluí-la em até 30 dias.

Sinais de flexibilização surgiram antes mesmo da assinatura do pacto. Três petroleiros transportando mais de 5 milhões de barris de petróleo iraniano deixaram o porto de Chabahar e cruzaram a linha do bloqueio americano na terça-feira.

Outras embarcações com bandeira iraniana fizeram o mesmo na quarta e na quinta-feira, segundo firmas de monitoramento marítimo.

Quando petróleo, GNL e fertilizantes retidos no Golfo chegarão ao mercado?

Produtores de petróleo e gás provavelmente não retomarão totalmente as operações interrompidas até que os petroleiros retornem ao Golfo Pérsico.

Mesmo após a retomada do tráfego, serão necessárias semanas para que o petróleo alcance compradores em mercados distantes.

Segundo Michael Haigh, chefe de pesquisa de commodities do Société Générale, se o estreito reabrir no fim de junho, o alívio na oferta só será percebido no final de agosto, enquanto uma normalização mais consistente não deve ocorrer antes de setembro.

Até lá, consumidores continuarão consumindo estoques em julho e agosto, ampliando a pressão sobre reservas já reduzidas.

Quando a produção de petróleo voltará aos níveis anteriores à guerra?

Produtores do Oriente Médio reduziram a produção em mais de 11 milhões de barris por dia em maio em comparação com os níveis pré-guerra, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.

A retomada envolve obstáculos logísticos e desafios de engenharia significativos.

De acordo com Francis Osborne, chefe de análise de petróleo da Argus Media, restaurar a produção regional aos níveis anteriores à crise pode levar entre quatro e seis meses.

A International Energy Agency estima que metade dos campos petrolíferos do Golfo possa voltar à produção normal em até duas semanas e cerca de 80% em seis semanas.

Os 20% restantes, concentrados principalmente no Iraque e no Kuwait, representam os maiores desafios. Alguns podem nunca recuperar totalmente os níveis anteriores à guerra.

No Iraque, a saída de trabalhadores estrangeiros e danos à infraestrutura dificultaram a avaliação das condições dos campos. Em alguns poços, substâncias semelhantes à parafina e ao asfalto podem ter obstruído a produção.

A consultoria Wood Mackenzie estima que os campos do sul do Iraque precisarão de cerca de nove meses para recuperar 85% da produção pré-guerra.

Já a Rystad Energy calcula que os reparos na infraestrutura energética danificada custarão pelo menos US$ 58 bilhões.

Qual será o impacto da recomposição dos estoques?

Os estoques globais de petróleo caíram cerca de 350 milhões de barris entre março e maio, segundo dados da IEA — volume equivalente a aproximadamente três dias e meio do consumo mundial.

Nos EUA, executivos do setor afirmam que serão necessários meses para recompor as reservas estratégicas mesmo após a reabertura do estreito.

Desde o fim de março, mais de 70 milhões de barris foram retirados da Reserva Estratégica de Petróleo americana, de um total de 172 milhões autorizados pelo governo Trump.

Mantido o ritmo atual, esse limite poderá ser atingido no início de setembro, deixando a reserva em cerca de 243 milhões de barris — muito abaixo do pico superior a 700 milhões de barris registrado em 2009.

Escreva para Rebecca Feng em rebecca.feng@wsj.com e para Georgi Kantchev em georgi.kantchev@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Karla Mamona

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