Como Bezos aprendeu a gostar de Trump — e a ganhar mais contratos para a Blue Origin
No primeiro mandato de Trump, a relação entre os dois era marcada por hostilidade. Em 2017, Trump chegou a perguntar a assessores se seria possível dividir a Amazon e manifestou abertamente sua antipatia por Bezos e pelo jornal The Washington Post, então controlado pelo bilionário.
Hoje, porém, a dinâmica é completamente diferente. Bezos tornou-se um aliado próximo de Trump, participando de eventos privados, mantendo contato frequente com o presidente e fortalecendo sua posição em Washington.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, Trump chegou a dizer a assessores que gostaria de ver Bezos alcançar a Lua com a Blue Origin e garantir que a firma recebesse contratos governamentais relacionados a esse objetivo.
Uma análise do Wall Street Journal mostra que os contratos federais da Blue Origin cresceram de forma expressiva durante o segundo mandato de Trump. Embora concorrentes como a SpaceX ainda tenham contratos muito maiores em valor absoluto, a velocidade de crescimento da Blue Origin superou a dos rivais.
Entre os principais contratos conquistados estão:
- Aprovação da Força Espacial dos EUA para realizar sete missões militares e de inteligência, em contratos que podem chegar a US$ 2,4 bilhões;
- Um contrato de US$ 78 milhões para expansão da infraestrutura espacial na Flórida;
- Autorização para disputar projetos ligados ao escudo antimísseis “Golden Dome”, estimado em US$ 151 bilhões;
- Um contrato da NASA de US$ 188 milhões para transportar cargas ao polo sul da Lua como parte do programa Artemis.
Pessoas próximas a Bezos afirmam que ele percebeu a importância da relação que Elon Musk havia construído com Trump. Havia o temor de que a SpaceX consolidasse uma vantagem ainda maior nos contratos governamentais caso a Blue Origin não desenvolvesse sua própria influência política.
A aproximação também coincidiu com o desgaste da relação entre Trump e Musk em 2025. Após conflitos públicos entre os dois, Trump teria manifestado a aliados o desejo de ver mais contratos espaciais destinados a outras firmas, incluindo a Blue Origin.
Além da firma espacial, a própria Amazon também se beneficiou. Os contratos da Amazon Web Services (AWS) com o governo americano atingiram recorde de US$ 389 milhões no primeiro ano do atual mandato de Trump, alta de cerca de 54% em relação ao último ano do governo Biden.
A mudança de postura de Bezos também ficou evidente no The Washington Post. O empresário promoveu transformações profundas no jornal, incluindo a decisão de não apoiar nenhum candidato presidencial em 2024 e uma ampla redução de pessoal. Essas medidas ajudaram a reduzir as tensões com Trump.
Aliados de Bezos afirmam que o empresário passou a enxergar Trump como alguém mais pragmático e menos radical do que imaginava anteriormente. Em entrevista à CNBC, em maio, Bezos declarou que o presidente tinha “muitas boas ideias” e que “acertou em muitas coisas”.
Apesar da aproximação, a Blue Origin continua atrás da SpaceX em diversos indicadores operacionais. A firma realizou apenas 11 voos no ano passado, a maioria voltada ao turismo espacial, enquanto a SpaceX realizou 161 lançamentos, principalmente para colocar satélites em órbita.
Ainda assim, os dados analisados pelo Wall Street Journal indicam que a Blue Origin foi a firma espacial cuja receita contratada pelo governo cresceu mais rapidamente desde o retorno de Trump à Casa Branca.
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Autor: Karla Mamona
