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Jatinhos, clubes e fazendas: as mordomias milionárias dos grandes executivos

Cerca de US$ 20 mil em bebidas alcoólicas gratuitas. Mais de US$ 100 mil em ingressos para eventos esportivos. Uso pessoal frequente de uma fazenda de caça pertencente à firma.

As mordomias — os extras, muitas vezes luxuosos, adicionados à remuneração dos executivos — estão em alta.

[E, como tudo neste texto está em dólar americano, pode multiplicar por cinco para ter o equivalente em reais].

Entre as 500 maiores companhias abertas dos Estados Unidos, os gastos com quatro dos benefícios mais caros aumentaram desde 2021, segundo a consultoria Equilar. A alta foi liderada pelo custo mediano da segurança para executivos, que mais do que dobrou no período.

O Wall Street Journal analisou os benefícios divulgados nos relatórios anuais mais recentes de 1.500 das maiores firmas de capital aberto dos Estados Unidos. Ao todo, essas companhias gastaram quase US$ 600 milhões com aproximadamente 15 mil benefícios concedidos a executivos e membros de conselhos de administração.

Foi isto que encontramos.

Alguns dos benefícios eram surpreendentemente pequenos, como os US$ 492 pagos para cobrir a “manutenção do gerador residencial de reserva” de Antonio Neri, presidente-executivo da Hewlett Packard Enterprise, cuja remuneração total chegou a US$ 23,5 milhões.

A HP afirmou que o pagamento ajuda a garantir que seu CEO possa continuar comandando a firma durante uma eventual queda de energia em sua residência. A companhia disse ter divulgado o benefício em cumprimento às exigências regulatórias.

Há também as associações a clubes. Pelo menos 400 executivos tiveram parte ou a totalidade das mensalidades e de outros custos de clubes pagos por suas firmas, segundo a análise do Journal. Algumas companhias afirmaram que esses espaços são utilizados para atividades profissionais.

A rede de restaurantes Texas Roadhouse pagou US$ 131 mil ao seu CEO em 2025 para cobrir a taxa de admissão e as mensalidades de um clube de campo em Louisville, no Kentucky, cidade onde fica a sede da firma.

A companhia afirmou que a associação ao Valhalla Golf Club foi determinada pelo conselho de administração, com o objetivo de ajudar o executivo a criar vínculos locais depois de sua mudança do Texas.

“Muitas dessas mordomias são excessivas”, afirmou Rosanna Weaver, consultora de remuneração de executivos do Interfaith Center for Corporate Responsibility.

Segundo ela, a maioria dos executivos “já recebe remunerações extraordinariamente altas, e não estou convencida de que esses benefícios sejam necessários. Há um certo ar de privilégio nisso — CEOs que dizem: ‘Eu mereço isso’.”

O restaurante executivo ainda aparece como benefício declarado por algumas firmas.

A Rollins, companhia de controle de pragas dona de marcas como a Orkin, ofereceu ao seu presidente emérito, o bilionário Gary W. Rollins, US$ 26.751 em refeições gratuitas no restaurante executivo da firma — o equivalente a US$ 107 por dia útil.

Aalap Shah, consultor de remuneração de executivos da Pearl Meyer, afirmou que o maior crescimento ocorreu em benefícios que podem favorecer o CEO, mas que também atendem a necessidades da firma, como planos de saúde especiais para executivos e serviços de segurança pagos pela companhia.

“Existe um risco existencial para a firma se alguma coisa acontecer com o CEO ou com parte da equipe executiva”, disse Shah.

Segundo ele, muitos desses benefícios atualmente são “realmente necessários para que a firma seja administrada da forma mais eficiente possível”.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: The Wall Street Journal

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