Memecoin de Hunter Biden despenca 99,5%: lição para o investidor?
Hunter Biden, filho do ex-presidente dos EUA Joe Biden, lançou na quarta-feira (9) sua própria memecoin, a LAPTOP, inspirada no famoso computador que ele deixou em uma assistência técnica em 2019 e que se tornou uma das principais polêmicas da eleição americana. Foi uma quebradeira.
A criptomoeda chegou a US$ 190,81 nos primeiros minutos de negociação, mas, na sequência, engatou uma forte queda e chegou a recuar 99,5%, sendo negociada a US$ 0,81 na manhã desta quinta-feira (10), segundo dados da CoinGecko.
Nas redes sociais, a firma de análise de blockchain Bubblemaps chamou o lançamento de “banho de sangue” e apontou que cerca de 80% dos traders perderam dinheiro. Entre eles, dois tiveram prejuízos entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão.
O tom subiu ainda mais nas redes sociais. Muitos usuários classificaram o lançamento como um rug pull – golpe em que os responsáveis por um token supostamente inflacionam seu preço e depois vendem suas posições, deixando os demais investidores com grandes prejuízos.
Hunter Biden, porém, negou que tenha lucrado com a queda. Em uma publicação no X, afirmou que ninguém da equipe do projeto vendeu e que, pessoalmente, não ganhou “um único dólar”. Não há, até o momento, evidências de que seja realmente um golpe.
O projeto afirmou que bots – programas que compram tokens automaticamente assim que eles são lançados, tentando chegar antes dos demais investidores – e a baixa liquidez inicial ajudaram a provocar a forte volatilidade.
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Mesmo roteiro das memecoins de Trump
A trajetória da memecoin de Biden seguiu o mesmo roteiro de outras criptomoedas ligadas a políticos, mas de maneira muito mais rápida.
O Official Trump (TRUMP), lançado pelo presidente Donald Trump em janeiro de 2025, chegou a passar dos US$ 73 no auge. Hoje, é negociado perto de US$ 2, uma queda de cerca de 97% desde o recorde histórico.
Já o token da primeira-dama dos EUA, Offical Melania Meme (MELANIA), chegou a ultrapassar os US$ 13 no início do ano passado. Atualmente, vale cerca de US$ 0,10, uma queda de mais de 99% desde o pico.
O que isso significa para o investidor?
Se criptomoedas já são arriscadas, as memecoins podem ser ainda mais. Elas costumam ter alta volatilidade, pouca ou nenhuma utilidade prática e dependem muito do hype (empolgação e grande repercussão em torno de um ativo) para atrair compradores.
Além disso, o mercado é bastante influenciado por redes sociais e acontecimentos do momento. No final de agosto, por exemplo, uma memecoin ligada ao vazamento de vídeos do jogo GTA chegou a saltar 25.000%.
Por isso, segundo analistas, quem deseja se aventurar com memecoins precisa ter em mente que esse é um dos segmentos mais arriscados do mercado cripto. O preço pode disparar rapidamente, mas também despencar em questão de minutos.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h15.
Bitcoin (BTC): -1,15%, US$ 77.999,01
Ethereum (ETH): -0,87%, US$ 2.487,11
BNB (BNB): -4,18%, US$ 718,60
XRP (XRP): -2,98%, US$ 1,37
Solana (SOL): -2,20%, US$ 101,30
Outros destaques do mercado cripto
Mineração escondida no Brasil. O Brasil registrou 69 mil tentativas de mineração irregular (cryptominer) no primeiro semestre deste ano, segundo dados da firma de segurança cibernética Fortinet. Minerar, vale lembrar, é o processo de gerar novas criptos por meio da validação e inclusão de transações na blockchain, usando poder computacional. Os criminosos virtuais tentam usar os computadores das pessoas sem que elas saibam, principalmente para minerar monero (XMR).
Trezor e seu novo problema. Os problemas de segurança não dão trégua para a Trezor, fabricante de carteiras frias para armazenar criptos (parecidas com um pen drive). Depois de uma campanha de phishing e de um vazamento de dados neste ano, a firma voltou a alertar os usuários. Desta vez, hackers invadiram o provedor de e-mail da Trezor e enviaram mensagens falsas usando o domínio oficial da firma. A Trezor derrubou o domínio usado no golpe e investiga como os criminosos conseguiram acesso.
Banco dos EUA testa stablecoin. Mais um banco tradicional está entrando no mundo das stablecoins. O U.S. Bank concluiu seu primeiro pagamento internacional em tempo real usando a USBDC, sua própria stablecoin lastreada em dólar. A transação conectou operações do banco na América do Norte e na Europa. O teste também serviu para avaliar a emissão, o resgate e até o congelamento dos tokens. A ideia é usar a tecnologia em pagamentos e na gestão do caixa, áreas em que as stablecoins vêm ganhando espaço.
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Autor: Lucas Gabriel Marins