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O que está derrubando o bitcoin? Veja os 5 fatores que explicam a queda

O bitcoin (BTC) voltou a perder os US$ 60 mil nesta sexta-feira (26) e passou a ser negociado no menor patamar em quase dois anos. Se mantiver o ritmo atual, a criptomoeda deve fechar este mês com queda de cerca de 20%, o pior desempenho desde junho de 2022.

As principais criptomoedas, que costumam acompanhar os movimentos do bitcoin, seguem o mesmo caminho. Com exceção da solana (SOL), que registra leve alta hoje, as demais operam no vermelho. O ethereum (ETH) cai 5,34%, enquanto o XRP (XRP) recua cerca de 4%.

Há cinco principais fatores por trás da queda do bitcoin e, como consequência, das altcoins.

Saídas dos ETFs

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin continuam registrando retiradas de recursos. Só na quinta-feira (25), os produtos americanos ligados à criptomoeda tiveram saídas líquidas de quase US$ 700 milhões, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Esses fundos são a principal porta de entrada para investidores institucionais. Quando registram saídas, é um sinal de que os grandes investidores estão mais cautelosos com o mercado cripto.

“A demanda institucional perdeu força, com os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos continuando a registrar saídas líquidas de recursos e menor volume de negociações”, diz a Glassnode em relatório publicado nesta semana.

Vendas de ações de tecnologia

Outro fator que pesa sobre o bitcoin é a forte venda de ações de tecnologia, especialmente das firmas ligadas à inteligência artificial.

Investidores passaram a questionar se os investimentos bilionários no setor serão suficientes para justificar avaliações tão elevadas. Além disso, houve um movimento de realização de lucros após a forte valorização dos últimos meses.

Como o bitcoin é considerado um ativo de maior risco, ele costuma acompanhar o desempenho desse segmento e acabou sendo pressionado também.

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Inflação elevada nos EUA

Também pesou no mercado a divulgação do índice de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quinta. O núcleo do PCE atingiu 4,1% na comparação anual, o maior nível em três anos.

“Com a inflação reacelerando, o mercado passou a precificar cerca de 80% de chance de alta de juros em dezembro, e o apetite por risco evaporou”, diz André Franco, CEO da Boost Research.

Juros mais altos costumam ser negativos para ativos de risco, como as criptomoedas, porque tornam os títulos do Tesouro americano (as famosas treasuries) mais atrativos para os investidores.

As dúvidas sobre a Strategy

A Strategy é a maior tesouraria corporativa de bitcoin do mundo e se tornou uma das principais compradoras da criptomoeda nos últimos anos. Agora, porém, seu modelo de negócios passou a ser questionado em meio à forte queda do bitcoin.

A casa de análise CryptoQuant acredita que a firma deveria dar uma pausa nas compras da criptomoeda e priorizar a recomposição do caixa. Segundo a companhia, os bitcoins adquiridos entre 2024 e 2026 acumulam perdas não realizadas de US$ 10,6 bilhões.

Caso a Strategy reduza o ritmo de compras – ou, em um cenário extremo, seja obrigada a vender parte de suas reservas – uma importante fonte de demanda pode desaparecer do mercado, aumentando a pressão sobre o preço do bitcoin.

Vencimento de opções

Outro fator acompanhado de perto pelo mercado é o vencimento, nesta sexta, de cerca de US$ 10,6 bilhões em contratos de opções de bitcoin na Deribit, a maior bolsa desse tipo de derivativo.

Opções são contratos que dão ao investidor o direito de comprar ou vender um ativo por um preço predeterminado até uma data específica.

Como esses instrumentos expiram hoje, muitos participantes do mercado costumam encerrar ou ajustar suas posições, o que pode aumentar a volatilidade da criptomoeda.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  -3,22%, US$ 59.301,11

Ethereum (ETH): -5,34%, US$ 1.545,56

BNB (BNB): -0,10%, US$ 563,73

XRP (XRP): -4,21%, US$ 1,02

Solana (SOL): +0,65%, US$ 68,66

Outros destaques do mercado cripto

Mais de R$ 2 bi em bitcoin. Apesar da queda do bitcoin, os brasileiros seguem negociando a criptomoeda em ritmo forte. Junho ainda nem terminou, e o volume movimentado nas principais exchanges com operação no Brasil já chegou a R$ 2,16 bilhões. O valor supera os R$ 1,77 bilhão registrados em maio e os R$ 1,52 bilhão de abril. Agora, fica a expectativa para saber se junho vai ultrapassar os R$ 2,37 bilhões negociados em março.

Uma nova parceria no Brasil. Vira e mexe, um grande projeto de criptomoedas anuncia parceria com instituições brasileiras. Desta vez, a Fundação Cardano, organização responsável pelo desenvolvimento do ecossistema da ADA, fechou um acordo com a Fiesp e o SENAI-SP para capacitar profissionais e ampliar o uso da blockchain da cripto na indústria brasileira. A ideia é impulsionar aplicações como rastreabilidade, certificação de origem, segurança de dados e integração entre firmas.

Brasileiro deixa cargo de VP. O brasileiro Guilherme Nazar deixou o cargo de vice-presidente da Binance para a América Latina, posição que ocupava havia dois anos. Agora, ele passa a atuar como consultor da maior corretora de criptomoedas do mundo. Em seu lugar assume o colombiano Daniel Acosta, que desde 2022 era diretor-geral da Binance para a Colômbia e o Norte da América Latina. Antes de ingressar na exchange, Acosta trabalhou por dez anos na Mastercard.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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