Oncoclínicas: às vésperas de julgamento sobre oferta obrigatória a acionistas, Centaurus pede arbitragem
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para terça-feira (25) o julgamento sobre a necessidade de oferta de fechamento de capital (OPA) da Oncoclínicas por parte da Centaurus Capital. Neste sábado (22), a gestora americana se antecipou ao colegiado da autarquia e entrou com um pedido de arbitragem contra a Latache Capital, gestora de Renato Azevedo, em uma disputa paralela que, em tese, não altera o rito da CVM.
A área técnica da CVM já havia descartado a necessidade de uma OPA da Oncoclínicas pela Centaurus, mas a Latache e outros acionistas minoritários contestaram a avaliação e conseguiram levar a decisão para o colegiado.
Em junho, o fundador e ex-CEO da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, enviou manifestação à CVM defendendo que a Centaurus deveria ser obrigada a realizar a OPA, pois não aparecia entre os acionistas relevantes da companhia antes da listagem na Bolsa, realizada em agosto de 2021.
Segundo o estatuto da Oncoclínicas, um acionista que assumisse posição superior a 15% das ações após o IPO deveria realizar uma oferta para comprar todo o capital da firma.
E, pelo texto, o valor por papel deve ser no patamar de 120% da maior cotação registrada nos 12 meses anteriores a quando o acionista em questão anunciou sua posição.
Por isso, sob a expectativa da decisão da CVM, as ações da Oncoclínicas acumulam alta de mais de 40% nos últimos cinco dias.
A disputa na CVM
A Centaurus é a única cotista do fundo Josephina III, que atualmente detém 9,91% do capital social da Oncoclínicas, segundo formulário de referência mais atual da firma, de 22 de julho.
A análise sobre o caso, no entanto, remete a período anterior. Entre novembro de 2024 e março de 2025, o Goldman Sachs, até então principal acionista da firma de saúde, com 36% das ações, realizou a cisão de seus fundos.
Passou a controlar 20% das ações e informou que a Centaurus, que era uma das cotistas, passaria a deter de forma separada os outros 16% do capital social da Oncoclínicas.
Antes da reorganização dos fundos, o Goldman chegou a ter 72,5% do capital social da Oncoclínicas. O banco americano começou a investir na Oncoclínicas em 2015, seis anos antes da abertura de capital.
O entendimento da área técnica da CVM em 30 de junho deste ano – após analisar o caso por cerca de um ano – foi o de que não havia obrigação de OPA porque a Centaurus já era cotista dos fundos do Goldman desde 2018.
Entre pessoas próximas ao caso, uma das provas de que era conhecida a proximidade da Centaurus com a base acionária da Oncoclínicas era a posição de Allen Mc Michael Gibson, diretor de investimento da gestora, como conselheiro da firma desde antes do IPO.
Segundo pessoas familiarizadas com a firma ouvidas pelo InvestNews, a participação da Centaurus era conhecida internamente, inclusive por Bruno Ferrari.
A Latache, que atualmente é a maior acionista da Oncoclínicas com 14,59%, e associações representando minoritários contestam esse entendimento da área técnica da CVM.
Hoje, além dela e da Centaurus, apenas o banco BRB consta como acionista relevante, com 8,66% das ações, herdados de ativos antes detidos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. O restante do capital está pulverizado no mercado.
Apesar do parecer da área técnica da CVM, a decisão está nas mãos do colegiado, que já seguiu direções opostas.
A reportagem não conseguiu contato com o Centaurus nem com a Latache. Procurada, a Oncoclínicas ainda não respondeu. O espaço segue aberto para atualização das partes.
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Autor: Raquel Brandão