Por onde anda a seleção brasileira do Penta? Muitos deles, nos negócios
A seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 2002 não ficou marcada apenas pelo penta. Parte dos jogadores do penta levou o nome construído em campo para negócios próprios, investimentos, franquias e clubes.
As trajetórias variam entre portfólios amplos, como os de Ronaldo e Ronaldinho, e experiências pontuais, algumas encerradas ou com pouca divulgação recente.
Ronaldo, o fenômeno firmarial
Ronaldo Fenômeno tem o portfólio firmarial mais amplo entre os jogadores do penta. O ex-atacante criou a 9ine Sports & Entertainment em 2010, ao lado da WPP e de Marcus Buaiz, para atuar com marketing esportivo, imagem de atletas e entretenimento. A operação foi encerrada em 2016.
Depois, Ronaldo virou sócio do Fort Lauderdale Strikers, dos EUA, em 2014, mas o projeto enfrentou crise financeira. Em 2018, comprou 51% do Real Valladolid, em transação estimada em € 30 milhões, e vendeu sua participação em 2025.
Ronaldo também comprou 90% da SAF do Cruzeiro por R$ 400 milhões e vendeu a fatia em 2024, em negócio reportado na casa de R$ 600 milhões. Além dos clubes, criou a Ronaldo Academy, rede de escolas de futebol em parceria com Carlos Wizard, com unidade em Orlando que recebeu US$ 4,5 milhões de investimento.
O ex-camisa 9 também participa de negócios como Octagon Brasil, ODDZ Network, Beyond Films, Galáticos Capital e Reserva Beach Club.
Ronaldinho Gaúcho, o bruxo dos negócios
Ronaldinho Gaúcho transformou a marca R10 em diferentes frentes. O ex-meia firmou sociedade com a 300 Franchising para expandir a R10 Academy e a R10 Futsal pelo Brasil, em modelo de franquias de formação de atletas.
O antigo camisa 11 também levou a marca para tecnologia, games e entretenimento. Em 2022, lançou o R10 Score, aplicativo de dados de futebol. No setor de e-sports, criou a R10 Team, equipe ligada à Fifa, com registro de atividade ao menos até 2024.
Fora do futebol, entrou no mercado musical com a Tu Música, selo com sede em Miami. Em 2026, o selo lançou o projeto “Camisa 10”. Em 2024, Ronaldinho entrou no grupo proprietário do Greenville Triumph e do Greenville Liberty, nos Estados Unidos.
A Ronaldinho Soccer Coin, lançada no mercado cripto em 2018, fracassou. Já a 5Xmais Holding e o Vrauu Energy Drink foram anunciados em anos anteriores, mas sem divulgação recente sobre continuidade.
LEIA MAIS: De Herbalife a LiveMode: os negócios de Cristiano Ronaldo, primeiro jogador a ficar bilionário
Rivaldo, o camisa 10 da gestão
Rivaldo teve trajetória mais concentrada no futebol. Foi sócio de César Sampaio na CSR, firma ligada a gestão e negócios no esporte, e participou de iniciativas relacionadas ao Guaratinguetá, clube que depois se transformou em firma.
O caso mais conhecido foi o Mogi Mirim. Rivaldo assumiu o clube, chegou a ser dono, presidente e jogador, e pagou R$ 1,8 milhão à família do antigo presidente para saldar débitos. A gestão terminou em crise, com dívidas, conflitos e judicialização.
Fora do futebol, lançou a R10 Blindados, firma de blindagem de veículos em São Caetano do Sul, em 2014. Apesar do lançamento, não há divulgação recente sobre a permanência no negócio.
Denílson e a tentativa de se “reinventar” fora do futebol
Denílson entrou nos negócios por um caminho fora do futebol. Em 1999, comprou os direitos comerciais do grupo de pagode Soweto, do qual Belo era vocalista, por aproximadamente R$ 1 milhão.
O negócio virou disputa judicial depois que Belo deixou o grupo, em 2000, para seguir carreira solo. Em 2004, a Justiça condenou o cantor a pagar R$ 388 mil. Com correções monetárias, a dívida ultrapassou R$ 7 milhões.
Em 2017, Denílson conseguiu bloquear o cachê de um show de Belo para abater parte da dívida, então estimada em R$ 4,7 milhões. Também houve penhora de valores recebidos pelo cantor em emissoras de televisão.
LEIA MAIS: Messi bilionário: como o craque construiu fortuna de US$ 1 bilhão
São Marcos, da Cerveja 12 aos bolões
Marcos levou a camisa 12 para o mercado de bebidas. Em 2017, lançou o Clube 12, clube de relacionamento com fãs ligado à Cerveja 12. O modelo previa assinatura de R$ 99,90 por mês, com kits de cerveja e experiências com o ex-goleiro.
A marca teve continuidade ao menos até 2019, quando o Clube do Malte lançou a terceira edição do Clube 12. Em 2018, Marcos também lançou uma linha exclusiva de carnes.
O ex-goleiro ainda investiu na Hit, startup de bolões e apostas sociais que recebeu aporte de R$ 3 milhões e projetava chegar a 2,5 milhões de usuários em 2022. No entanto, as firmas não avançaram.
Cafu, Roque Júnior e Edmílson: clubes, base e formação
Cafu entrou no agronegócio em 2012, ao se tornar sócio da FortisAgro, firma de grãos, carnes e sebo bovino. A operação previa participação de 10% do ex-lateral. Depois, levou sua marca para a Cafu Academy Brasil, rede de escolas de futebol com primeira unidade no Shopping Taboão e mensalidade a partir de R$ 209,90, além de matrícula e uniforme.
Roque Júnior fundou o Primeira Camisa em 2005, em São José dos Campos. O clube se licenciou em 2012, mas voltou a disputar torneios de base da Federação Paulista em categorias como sub-11 e sub-12.
Roque também foi sócio da Convocados, consultoria escolhida para gerir a futura SAF do São Bento. A proposta previa R$ 30 milhões de aporte direto, movimentação estimada de R$ 140 milhões em dez anos e controle de 90% da SAF. Após cinco meses, a firma desistiu da compra.
Edmílson fundou e presidiu o FC SKA Brasil, em Santana de Parnaíba, com investimento japonês, metodologia própria e centro de treinamento. Em 2024, o SKA pediu à Federação Paulista para não disputar a Série A4 de 2025 e informou que manteria foco na formação de atletas.
Roberto Carlos e Gilberto Silva, tecnologia, imóveis e consultoria
Roberto Carlos participa da Striver, plataforma de futebol lançada no Brasil com Gilberto Silva. Também negociou a entrada como sócio do União São João, de Araras, em operação envolvendo dívida estimada entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões.
Fora do futebol, comprou duas unidades residenciais em Fort Lauderdale, na Flórida, por cerca de US$ 5 milhões, valor acima de R$ 25 milhões. O ex-lateral também integra uma proposta para a SAF da Inter de Limeira, ao lado de Ronaldo e de um príncipe saudita, com orçamento previsto de R$ 454 milhões em dez anos.
Gilberto Silva entrou no mercado de consultoria esportiva como sócio de Fábio Mello na Partner Sports. A transferência de Fred para o Manchester United, por € 55 milhões, foi apresentada como cartão de visitas da atuação do ex-volante. Ele também participa da Striver, integra a SWC Brasil e é parceiro da Gilberto Silva Fitness Buritis.
LEIA MAIS: Messi, Mbappé ou Cristiano Ronaldo, quem é o maior… em patrocínios?
Outros campeões do penta também viraram empresários
Entre os demais jogadores do penta, os negócios se espalham por formação esportiva, gestão de clubes, alimentação, bebidas, eventos, mídia digital e investimentos patrimoniais.
Belletti seguiu no futebol de base e em franquias esportivas, com a Belletti Sports e a Belletti Soccer Academy/Arena Belletti, voltadas à formação de atletas.
Juninho Paulista foi para a gestão de clubes: assumiu o Ituano em 2009 por meio da Dimache e, em 2025, teve aprovada a criação da SAF, com sua firma ficando com 60% dos direitos. Fora dos gramados, Júnior entrou no setor de alimentação ao abrir o restaurante Mes Amis, em Belo Horizonte, em 2011.
Vampeta tentou entrar no mercado de bebidas com a Cerveja Vamp, lançada em 2019. Já Edílson Capetinha levou a atuação para eventos, entretenimento e música, com a ED Dez Eventos, a Estação Ed Dez e trabalhos como empresário de grupos de pagode.
Rogério Ceni aparece em frentes de marketing esportivo e alimentação, com firmas como a Ceni Sports e Marketing Ltda. e a Restaurante da Praça 19 Ltda.
Kaká, por sua vez, diversificou em mídia digital, marketing, tecnologia esportiva e investimentos patrimoniais: foi sócio do Desimpedidos e investiu em firmas como Nasi Empreendimentos, Kabod Marketing e Kasa Live Sports Tech, além de aplicações no setor imobiliário e em Bolsa.
Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026
- Jogos do Brasil na Copa: veja datas, horários e quando será a estreia da seleção
- Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022
- Qual o valor do prêmio da Copa do Mundo 2026 para a seleção campeã
- Jogos da Copa do Mundo 2026: veja datas, horários e o chaveamento
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Patrick Fuentes