Por que a criptomoeda ligada ao ChatGPT disparou 160%?
Enquanto bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas vêm operando em queda nas últimas semanas, uma moeda digital roubou os holofotes: a Worldcoin (WLD), projeto cofundado por Sam Altman, CEO da OpenAI, firma criadora do ChatGPT.
A criptomoeda faz parte de um ecossistema desenvolvido pela Tools for Humanity, startup fundada por Altman e pelo empreendedor alemão Alex Blania. A firma é responsável pelo World ID, sistema de identidade digital que utiliza o escaneamento da íris para comprovar que um usuário é humano em um mundo cada vez mais dominado por inteligência artificial.
Nos últimos 30 dias, o polêmico token – que recompensa usuários pela verificação de identidade por meio do escaneamento da íris – acumulou alta de 160%, segundo dados do CoinMarketCap. No mesmo período, o bitcoin (BTC) caiu 17%, enquanto o ethereum (ETH) recuou 20%.
Segundo especialistas, três fatores ajudam a explicar a disparada.
Motivos para a alta
O primeiro é a expectativa em torno do IPO da OpenAI. Neste mês, a firma enviou documentação para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). Embora a Worldcoin não tenha ligação societária com a OpenAI, muitos investidores enxergam o token como uma forma indireta de exposição aos temas de inteligência artificial e identidade digital.
O segundo fator é a entrada de investidores institucionais. A firma listada em bolsa Eightco Holdings revelou ter cerca de 8% dos tokens atualmente em circulação, reduzindo a oferta disponível no mercado e reforçando a percepção de demanda institucional.
Já o terceiro fator é técnico. A partir do fim de julho, o ritmo de emissão de novos tokens deve cair 43%, reduzindo a pressão de venda e favorecendo a dinâmica de oferta e demanda.
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Vale como investimento?
Segundo Felipe Mendes, head de Research da Vault Capital, o que está sendo precificado hoje é principalmente narrativa – a aposta de que a Worldcoin captura os temas de inteligência artificial e identidade digital, e não necessariamente fundamentos já consolidados.
De acordo com o especialista, trata-se de um ativo de altíssima volatilidade e fortemente dependente do sentimento dos investidores. A criptomoeda subiu porque a narrativa está em evidência, mas pode cair com a mesma velocidade caso o entusiasmo em torno da inteligência artificial diminua.
“Para o investidor, a régua certa é não tratar isso como uma posição central de carteira, e sim como uma aposta satélite, pequena, em que você aceita conscientemente a chance de perder uma fatia relevante. O tamanho da posição importa mais do que a tese”, afirma.
Riscos
A forte valorização também aumenta os riscos. Depois da disparada das últimas semanas, Mendes afirma que indicadores técnicos apontam uma condição de sobrecompra, cenário que historicamente costuma anteceder correções de curto prazo.
Outro ponto é a concentração da oferta. Quando um único investidor institucional controla uma parcela relevante dos tokens em circulação, qualquer movimento de compra ou venda pode ampliar a volatilidade. Além disso, investidores acompanham de perto possíveis vendas de tokens pela própria fundação responsável pelo projeto.
O risco mais estrutural, porém, continua sendo regulatório, avalia Mendes. O modelo da Worldcoin depende da coleta de dados biométricos por meio do escaneamento da íris, prática que já motivou suspensões, investigações e questionamentos em países como Espanha, Quênia, Coreia do Sul e Hong Kong.
No ano passado, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu no Brasil a distribuição de tokens em troca da coleta da biometria da íris, por entender que o modelo poderia ferir regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O projeto também foi alvo de CPI em São Paulo.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -2,36%, US$ 62.412,74
Ethereum (ETH): -3,05%, US$ 1.687,63
BNB (BNB): -2,88%, US$ 571,90
XRP (XRP): -4,06%, US$ 1,12
Solana (SOL): -4,31%, US$ 68,11
Outros destaques do mercado cripto
Audiência pública sobre stablecoins. Cripto tem movimentado Brasília. A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir um projeto de lei que cria regras para as stablecoins no Brasil. Entre os convidados estão representantes do Banco Central, da Receita Federal e da Polícia Federal. A expectativa é que o encontro aconteça em julho.
Lutador brasileiro vira token. Olha essa. A Vib3, joint venture criada pela exchange Mercado Bitcoin e pela startup Sportheca, tokenizou a carreira do lutador brasileiro de UFC André “Mascote” Lima. Na prática, foi realizada uma oferta de R$ 526 mil, e os investidores terão direito a uma fatia das receitas futuras do atleta, incluindo premiações, patrocínios e valores recebidos por participação em eventos ao longo dos próximos oito anos.
Mineradores de bitcoin no prejuízo. A rentabilidade da mineração de bitcoin está bastante pressionada neste ano. Segundo analistas do JPMorgan, o custo médio para produzir uma unidade da criptomoeda gira em torno de US$ 78 mil hoje, enquanto a cripto é negociada na faixa dos US$ 62 mil. Com isso, cerca de 20% dos mineradores estão operando no prejuízo. Isso tem levado parte dos mineradores a desligar equipamentos e reduzir operações
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Autor: Lucas Gabriel Marins