Cripto dólar nunca foi tão negociado no Brasil. Vale ter na carteira?
Os brasileiros nunca negociaram tanto em cripto dólar. Em julho, o volume de USDT e USDC – as duas maiores stablecoins atreladas à moeda americana – somou R$ 31,4 bilhões nas principais exchanges do país, um recorde.
Desse total, R$ 21,3 bilhões vieram da USDT, líder do segmento, enquanto a USDC respondeu por R$ 10,1 bilhões.
O montante representa o dobro do registrado em junho e o triplo do observado no mesmo mês do ano passado, segundo dados da plataforma Índice Biscoint. É o maior volume desde o início da série histórica, em janeiro de 2024.
Esses números reforçam uma tendência que já vinha sendo observada. Neste ano, a Receita Federal informou que cerca de 80% das criptomoedas declaradas pelos brasileiros são stablecoins. Já o Banco Central revelou, no mês passado, que as compras desses ativos no exterior mais do que dobraram.
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Motivos
O avanço das stablecoins tem diferentes explicações. Uma delas é que esses ativos permitem ao investidor permanecer no mercado cripto sem precisar converter recursos para reais.
Na prática, quem vende bitcoin (BTC) ou ethereum (ETH), por exemplo, pode migrar o valor para USDT ou USDC e continuar exposto ao ecossistema, sem precisar recorrer à moeda fiduciária.
Além disso, as stablecoins facilitam a dolarização de parte do patrimônio e vêm sendo cada vez mais usadas em remessas internacionais, muitas vezes com custos menores do que os dos meios tradicionais.
Vale investir?
Esses tokens também apareceram entre as carteiras de criptomoedas feitas por players locais para agosto. Mas o objetivo não é buscar valorização.
Segundo a exchange Brasil Bitcoin, esses ativos funcionam como uma espécie de caixa da carteira.
“Manter uma parcela alocada em USDT ou USDC permite que o investidor tenha poder de compra disponível caso o mercado caia mais, sem precisar sair e voltar do sistema monetário tradicional a cada movimento.”
Na avaliação de Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul da Bitso, o crescimento do uso das stablecoins em pagamentos internacionais, remessas e integração com instituições financeiras reforça o papel desses ativos dentro do ecossistema cripto.
Riscos
As stablecoins não são totalmente livres de risco. Entre os principais estão a solidez do emissor, a qualidade das reservas que lastreiam os tokens e eventuais mudanças regulatórias. No caso da Tether, emissora da USDT, por exemplo, a composição de suas reservas já foi alvo de questionamentos do mercado.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): +1,19%, US$ 63.654,15
Ethereum (ETH): +0,30%, US$ 1.855,98
BNB (BNB): +0,38%, US$ 587,11
XRP (XRP): +0,17%, US$ 1,07
Solana (SOL): +0,75%, US$ 73,15
Outros destaques do mercado cripto
De pagamento a reserva de valor. O ex-presidente do Banco Central e atual vice-chairman do Nubank, Roberto Campos Neto, afirmou, em artigo publicado na Folha de S.Paulo, que as criptos de dólar estão cada vez mais sendo usadas como reserva de valor, e não como meio de pagamento. Segundo ele, o mercado, que já supera US$ 315 bilhões, demanda uma regulação mais ampla para reduzir riscos como dolarização de economias e desintermediação bancária.
Rumo aos derivativos. O Mercado Bitcoin está de olho em um novo nicho. A exchange comunicou que pretende pedir ao Banco Central, em outubro, as autorizações necessárias para oferecer derivativos de criptomoedas no Brasil, um segmento que movimenta cerca de cinco vezes mais do que o mercado à vista. A firma também aguarda a aprovação da licença MiCA, que permitirá expandir sua atuação para os países da União Europeia.
A gigante quer mais. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, deu mais um passo na tokenização. A firma lançou dois novos produtos tokenizados ligados a fundos de mercado monetário, que poderão servir como reserva para emissores de stablecoins nos Estados Unidos. O movimento reforça a estratégia da gestora de ampliar sua presença nesse mercado. A gigante quer se tornar a principal gestora de reservas de stablecoins do setor.
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Autor: Lucas Gabriel Marins