Sob nova onda de tarifas, aposta da Gerdau nos EUA garante lucro de R$ 1,5 bilhão no trimestre
Os Estados Unidos ampliaram ainda mais sua importância para os resultados da Gerdau, em um momento em que a siderúrgica brasileira continua enfrentando um mercado doméstico mais fraco e forte concorrência do aço importado.
No segundo trimestre, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 1,47 bilhão – alta de 69,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado, métrica que mede a geração de caixa da firma, avançou 33,9%, para R$ 3,43 bilhões.
Boa parte dessa melhora veio da América do Norte. A operação nos Estados Unidos e Canadá registrou um crescimento de 59% no Ebitda, que somou R$ 2,6 bilhões no trimestre.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento dos volumes vendidos, preços mais altos e uma maior participação de produtos de maior valor agregado nas vendas.
Com isso, embora a região represente cerca de metade do aço vendido pela Gerdau, respondeu por 74% de toda a geração de caixa operacional da companhia entre abril e junho.
Enquanto isso, no Brasil, a operação apresentou recuperação em relação ao trimestre anterior, mas ainda ficou abaixo do desempenho de um ano antes. O EBITDA caiu 19,6% na comparação anual, para R$ 705 milhões.
O lucro bruto da operação brasileira caiu 37% na comparação anual, para R$ 329 milhões.
Tarifas
Desde junho de 2025, os Estados Unidos aplicam uma tarifa 50% sobre o aço e o alumínio importado. A barreira reduziu a concorrência estrangeira e sustentou preços e margens das siderúrgicas instaladas no país.
Até então, o Brasil era, em volume, o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, com foram 4,1 milhões de toneladas exportadas para o país em 2024.
A Gerdau afirma que esse ambiente favoreceu suas operações norte-americanas, onde as vendas cresceram 7,3% e a geração de caixa operacional avançou 59% no segundo trimestre.
Concorrência chinesa
No Brasil, a indústria siderúrgica brasileira vem pressionando o governo por medidas de defesa comercial diante do avanço das importações de aço, principalmente da China.
Segundo o Instituto Aço Brasil, a participação do produto importado no consumo nacional mais do que dobrou nos últimos anos, passando de cerca de 10% para aproximadamente 25%.
As siderúrgicas argumentam que parte desse aço chega ao país com preços artificialmente baixos, beneficiado pelo excesso de capacidade da indústria chinesa, o que comprime preços e reduz a utilização das usinas brasileiras.
O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, disse em março que a companhia enfrenta no Brasil um cenário comparável ao das crises mais agudas de sua história recente.
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Autor: Camila Alves Barros