Copom: mercado prevê corte de 0,25 ponto. Veja o que esperar dos investimentos que seguem a Selic
O mercado monetário chega no dia da decisão do Copom nesta quarta-feira (5) com uma visão praticamente unânime: a de que o Banco Central vai reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano.
E não são apenas bancos, corretoras e consultorias que mostram convergência em torno desse cenário.
Existe a ferramenta das opções de Copom, da B3. A mecânica é a mesma do Polymarket e da Kalshi. Trata-se de uma ferramenta de apostas do mercado monetário sobre qual será a decisão do Comitê de Política Monetária. Ela indica 95% de chance de haver um corte de 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (5).
Seria o quarto corte consecutivo do atual ciclo de redução de juros, desde a reunião de março.
O consenso tem mudado desde junho, quando a maioria enxergava pouco espaço para cortes adicionais. Um dos fatores que impactou na nova leitura do mercado foram os dados do IPCA de junho e do IPCA-15 de julho, que mostraram uma inflação bem mais contida do que o esperado.
O índice oficial de inflação fechou junho com uma alta de 0,16%, uma desaceleração significativa comparada ao 0,58% de maio.
O IPCA-15, visto com uma prévia do índice “cheio”, mostrou que em julho a inflação desacelerou ainda mais, para 0,06%.
O boletim Focus mais recente, que traz projeções de instituições financeiras coletadas pelo BC, trouxe a quinta queda seguida na projeção do IPCA para 2026, de 5,12% para 5,03%.
A inflação mais moderada foi consequência da queda nos preços de alimentos puxada por fatores sazonais e uma reversão parcial do choque dos preços de combustíveis.
Além do IPCA, o mercado revisou para baixo a expectativa para a própria Selic no fim do ano. Agora as instituições financeiras enxergam uma taxa básica em 13,75%. Até algumas semanas atrás, o consenso era de que o BC não teria espaço para cortar abaixo dos 14%.
O alívio também teve suporte do câmbio mais comportado. O dólar tem oscilado entre R$ 5,10 e perto de R$ 5,20 sem grande volatilidade.
O elefante na sala, porém, continuam a ser as expectativas de inflação, que seguem bem acima da meta de 3% ao ano perseguida pelo Banco Central.
Longa vida para o DI
Para o médio prazo, de qualquer forma, o cenário segue de juro real (acima da inflação) bem alto. Veja os cenários do Focus:
- Final de 2026: juro 13,75% X 5,03% inflação
- Final de 2027: juro 12,00% X 4,22% inflação
- Final de 2029: juro 10,00% X 3,50% inflação
Quanto maior a janela de previsão, mair a tendência de erro, claro. Mas é o que temos. E isso mostra que investimentos que seguem os juros básicos (como fundos DI e Tesouro Selic) ainda podem ter muitos anos de retorno fora da curva.
Juros maiores lá fora
Outro fator que o mercado monitora é a sinalização do Fed, o BC americano, sobre o rumo dos juros lá fora. Tem crescido a percepção de que a autoridade dos EUA vai ter de subir as taxas nas próximas reuniões.
Aí o efeito sobre juros no Brasil é inverso: altas lá puxam altas aqui. Quanto maior o juro americano, maior a pressão para altas no dólar. Dólar caro puxa a inflação brasileira para cima; e juro é basicamente o inseticida econômico para combater inflação.
A ferramenta CME FedWatch, que funciona de maneira parecida com as Opções do Copom, mostram que a maioria dos investidores já acredita em uma alta de juros na reunião de 16 de setembro.
A parcela de quem enxerga uma subida de taxas no próximo encontro do Fed alcança 56,9% ante 43,1% que ainda acredita na manutenção da faixa atual entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Por essas, apesar do consenso sobre o corte desta quarta-feira por aqui, as casas de análise têm apresentado divergências sobre o nível da Selic no fim de 2026.
Bank of America (BofA), Goldman Sachs, XP e ASA preveem mais um corte de 0,25 ponto até o fim do ano, levando a taxa a 14%. O Itaú, o Bradesco, o BTG Pactual e o Santander acreditam em um ciclo um pouco mais intenso, com a Selic encerrando o ano em 13,75%.
As atenções vão estar voltadas mesmo para o tom do comunicado que acompanha a decisão. O que todo mundo quer saber é se o Copom vai sinalizar a continuidade dos cortes ou indicar uma nova pausa, diante da resistência das expectativas de inflação e da incerteza fiscal que assombra a política monetária brasileira.
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Autor: Sérgio Tauhata
