Por que uma gestora brasileira decidiu encerrar seu ETF de bitcoin nos EUA?
A Hashdex, maior gestora de criptoativos do Brasil, anunciou nesta semana o encerramento do DEFI, seu ETF de bitcoin (BTC) à vista negociado nos Estados Unidos.
Segundo a gestora, a decisão levou em conta fatores como o patrimônio sob gestão, a liquidez do fundo, os custos operacionais e o interesse dos investidores.
Lançado em março de 2024, poucos meses após a aprovação dos ETFs à vista de bitcoin nos Estados Unidos, o DEFI foi o primeiro produto do tipo administrado por uma gestora brasileira a ser negociado no mercado americano.
O interesse dos investidores, porém, foi limitado. O fundo reúne apenas US$ 14,7 milhões em ativos, o menor patrimônio entre os ETFs à vista de bitcoin negociados no país.
Para efeito de comparação, o IBIT, da BlackRock, administra US$ 47,65 bilhões em ativos, enquanto o FBTC, da Fidelity, reúne US$ 11,04 bilhões e o GBTC, da Grayscale, soma US$ 8,51 bilhões. Os dados são da plataforma SoSoValue.
Os investidores poderão negociar as cotas do fundo na bolsa NYSE Arca até 17 de agosto de 2026. Depois dessa data, o ETF deixará de ser negociado, e os investidores que permanecerem no fundo receberão uma distribuição em dinheiro, prevista para 28 de agosto.
Após o último dia de negociação, o fundo também vai vender todos os bitcoins que ainda tem.
A Hashdex informou que continua a gerir mais de US$ 200 milhões em ativos em outros produtos monetários voltados a investidores dos Estados Unidos.
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ETFs enfrentam momento mais difícil
O encerramento do DEFI ocorre em um momento de menor apetite dos investidores por ETFs de bitcoin.
Entre o início de maio e o começo de julho, os produtos negociados nos Estados Unidos registraram oito semanas consecutivas de saídas líquidas, totalizando cerca de US$ 6 bilhões em retiradas. O movimento aumentou a pressão sobre o preço da criptomoeda. No fim de julho e no início de agosto, os ETFs estrangeiros voltaram a registrar entradas, mas os volumes ainda são modestos, segundo analistas.
Os ETFs de criptoativos no Brasil também vêm sentindo o impacto. Segundo dados da Economatica, divulgados no mês passado pelo Estadão, esses produtos perderam cerca de R$ 4 bilhões em patrimônio líquido desde outubro do ano passado, quando o bitcoin atingiu sua máxima histórica de US$ 126 mil.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): +0,59%, US$ 64.037,15
Ethereum (ETH): +0,10%, US$ 1.867,98
BNB (BNB): +1,26%, US$ 596,11
XRP (XRP): -1,21%, US$ 1,06
Solana (SOL): +0,41%, US$ 73,83
Outros destaques do mercado cripto
Pedido para o Banco Central. As firmas do setor cripto querem mais tempo para solicitar a licença exigida pelo Banco Central. O prazo termina em 30 de outubro, mas, segundo os players, o processo ficou mais complexo após a autarquia publicar novas exigências ao longo de 2026. Outro entrave é a certificação técnica, já que poucas firmas estão habilitadas para realizar essas auditorias.
Blockchain nas árvores. Depois de ser usada para monitorar carros, abelhas e até vacas, a tecnologia blockchain agora também chegou às árvores. Uma startup amazonense passou a rastrear mais de 10 mil mudas nativas do Cerrado plantadas em uma área de recuperação ambiental em Minas Gerais. Cada árvore recebeu um registro individual na blockchain, com informações como localização, histórico de campo e evolução do crescimento.
Quanto mais ETH, melhor. A BitMine, maior firma de tesouraria de ethereum do mundo, continua comprando a criptomoeda sem parar. Na última semana, adicionou mais 10.399 ETH ao caixa e agora já acumula quase 5,8 milhões de ether – quase 5% de toda a oferta em circulação. O presidente da firma, Tom Lee, afirmou que o bom desempenho recente do ethereum frente às ações de tecnologia reforça sua aposta no ativo.
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Autor: Lucas Gabriel Marins