Preço do ouro na taça da Copa dispara 1.268% desde o penta do Brasil
A última vez que o Brasil levantou a taça da Copa do Mundo, em 2002, o ouro vivia outro momento de mercado. Durante o mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, a onça-troy do metal era negociada a US$ 314,40 (R$ 1.617,34).
Em 2026, a commodity encerrou o pregão desta quinta-feira (18) cotada a US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62), uma alta de 1.238,04% entre o último título do Brasil e a nova participação da seleção na busca pelo hexa.
O troféu não vale apenas pelo metal: ele carrega história, design, disputa esportiva e o peso simbólico de ser entregue ao campeão do mundo. Mas, se o recorte considerar apenas a valorização do ouro presente em sua composição, o salto desde sua primeira aparição, na Copa de 1974, é expressivo.
O design do escultor italiano Silvio Gazzaniga é feito em ouro 18 quilates e pesa 6,175 quilos, sendo 75% da composição formada pelo metal, o equivalente a 4,631 quilos do total da taça. O troféu ainda conta com duas faixas verdes de malaquita na base, 36,8 centímetros de altura e 13 centímetros de diâmetro.
Se fosse fabricado nos dias de hoje, o custo estimado do ouro usado na taça da Copa do Mundo seria de US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00). O valor é muito superior aos US$ 22.933,40 (R$ 117.987,70) estimados para sua estreia, durante a Copa de 1974.
Quanto vale a taça da Copa do Mundo?
Para estimar o valor da taça da Copa do Mundo, é preciso entender como o ouro é negociado nos mercados internacionais. A referência utilizada é a onça-troy, medida internacional para metais preciosos.
Convertendo a medida para o peso de ouro da taça, o metal presente no troféu equivale a 148,92 onças-troy. Com isso, o ouro utilizado na taça teria valor estimado em US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00).
Em 2002, ano do quinto título mundial da seleção brasileira, o ouro custava US$ 314,40 (R$ 1.617,34) por onça-troy. Considerando a mesma quantidade presente no troféu, o ouro da taça equivalia a cerca de US$ 46.820,70 (R$ 240.883,10).
Considerando a série corrigida pela inflação do dólar, o ganho real do ouro desde o pentacampeonato do Brasil — ou seja, acima da inflação acumulada no período — foi de cerca de 619%.
Mesmo com o ajuste pela inflação, a diferença continua expressiva. O valor corrigido da onça-troy de 2002 seria de US$ 585,02 (R$ 3.009,46), ainda distante dos US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62) utilizados como referência em 2026.
Como o preço do ouro evoluiu desde o penta?
A comparação entre as Copas mostra que o preço do ouro quase dobrou de 2002 para 2006, com alta de 99,14%. O movimento ocorreu após o pentacampeonato do Brasil, conquistado com vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, em Yokohama.
Entre o título brasileiro de 2002 e a Copa de 2006, na Alemanha, o ouro passou por um período de retomada como ativo monetário. O movimento foi impulsionado pelo aumento da demanda por investimentos, pela fraqueza do dólar e pelas tensões geopolíticas no pós-11 de Setembro.
A partir de 2003, a criação dos primeiros ETFs de ouro também ampliou o acesso dos investidores ao metal, reforçando a demanda financeira ao longo do período.
Após a Copa de 2006, marcada pela final entre Itália e França, o avanço do ouro até a edição de 2010 foi de 91,45%. A decisão daquele Mundial terminou empatada em 1 a 1 e, na prorrogação, o clima mudou quando Zinédine Zidane foi expulso após dar uma cabeçada no italiano Marco Materazzi.
No intervalo entre aquele título italiano e a Copa de 2010, na África do Sul, a commodity foi impulsionada pela crise financeira global de 2008, pela busca por proteção e pela mudança de postura dos bancos centrais, que voltaram a ser compradores líquidos de ouro.
O ritmo perdeu força entre 2010 e 2014, quando a alta do ouro foi de 9,01%. Em 2010, a Espanha conquistou sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Holanda por 1 a 0, em uma decisão definida apenas na prorrogação.
O lance decisivo veio aos 116 minutos, quando Andrés Iniesta recebeu passe de Cesc Fàbregas e marcou o gol do título espanhol.
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Ouro passa por fraqueza até a Copa da Rússia
No intervalo entre a conquista da Espanha e a Copa de 2014, o ouro se manteve em um patamar elevado, mas o mercado passou por um ajuste após os extremos registrados em 2013. O período foi marcado por menor demanda por barras e moedas, saídas de ETFs, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.
De 2014 para 2018, houve queda de 6,08% no preço do ouro. A Copa de 2014, disputada no Brasil, terminou com o tetracampeonato da Alemanha no Maracanã, após vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.
A final permaneceu sem gols até a prorrogação. Aos 113 minutos, Mario Götze dominou cruzamento de André Schürrle e finalizou de primeira para marcar o gol que deu o título aos alemães.
No ciclo seguinte, até a Copa da Rússia, o principal fator por trás da fraqueza do ouro foi a combinação entre melhora da economia norte-americana, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais elevados. Com isso, o apelo do ouro como ativo de proteção diminuiu e reduziu a demanda por investimentos.
França conquista o bicampeonato e ouro volta a avançar
Em 2018, a França conquistou seu segundo título mundial ao vencer a Croácia por 4 a 2. A decisão ficou encaminhada no segundo tempo, quando Paul Pogba marcou o terceiro gol francês, aos 59 minutos, e Kylian Mbappé fez o quarto, aos 65, tornando-se apenas o segundo adolescente a marcar em uma final de Copa do Mundo, depois de Pelé.
Entre 2018 e 2022, o ouro avançou 45,93%. Segundo o World Gold Council (WGC), 2022 foi um ano de “forças conflitantes” para a commodity. O metal registrou pequeno ganho no ano, apesar da alta dos juros reais dos Estados Unidos e do fortalecimento do dólar, fatores normalmente desfavoráveis ao ouro.
A resiliência naquele ano veio do investimento de varejo, da inflação, das tensões geopolíticas e das compras excepcionais de bancos centrais.
A demanda anual por ouro subiu 18%, para 4.741 toneladas. A demanda por investimento chegou a 1.107 toneladas, enquanto barras e moedas somaram 1.217 toneladas, o maior nível em nove anos.
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Busca por ouro aumenta após a Copa do Catar
A Copa de 2022 terminou com o tricampeonato da Argentina, após empate por 3 a 3 contra a França e vitória por 4 a 2 nos pênaltis. Já no ano seguinte, a alta passou a aparecer de forma mais clara no preço do ouro.
O metal encerrou 2023 cotado a US$ 2.078,40 (R$ 10.691,70) por onça-troy, recorde de fechamento anual, com retorno de 15%. O preço médio anual foi de US$ 1.940,54 (R$ 9.982,53) por onça, também um recorde e 8% acima de 2022.
Segundo o WGC, esse movimento refletiu compras intensas de bancos centrais, demanda resiliente por joias e negociações diretas sem a necessidade de intermediários, mesmo com saídas de ETFs.
Em 2024, a demanda total por ouro chegou a 4.974 toneladas, um novo recorde anual, impulsionada principalmente por bancos centrais e investidores.
Já entre 2022 e 2026, o salto chegou a 134,89%, o maior avanço entre Copas. Nesse intervalo, a alta ganhou força principalmente em 2025, quando o preço médio anual ficou em US$ 3.431,50 (R$ 17.652,32) por onça, alta de 44% sobre 2024. O ouro também registrou 53 novas máximas históricas ao longo de 2025.
A commodity começou o ano em um patamar elevado, disparou em janeiro até a máxima histórica de US$ 5.405 (R$ 27.804,40) por onça, mas perdeu força nos meses seguintes.
Na abertura da Copa, em 11 de junho, o metal estava abaixo do nível registrado no início do ano, pressionado pela realização de lucros, pela melhora do apetite por risco, por saídas pontuais de ETFs e pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.
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Autor: Patrick Fuentes

