Publicidade com ganhos falsos na Polymarket vira alvo de senadores nos EUA
A Polymarket, uma das líderes do chamado mercado de previsões, se tornou alvo de senadores americanos por suposto marketing enganoso, em que influenciadores estariam apresentando ganhos monetários falsos.
O Wall Street Journal apurou que a firma pagou criadores de conteúdo para encenar apostas falsas em sites fictícios, em vídeos voltados ao público americano.
Em carta enviada ao presidente da CFTC (órgão responsável por regular o mercado de derivativos), Michael Selig, os senadores John Curtis (republicano de Utah) e Adam Schiff (democrata da Califórnia) disseram que as alegações são “profundamente preocupantes” e exigem “escrutínio imediato”.
“O comportamento público alegado aqui não se assemelha a um mercado monetário sóbrio, projetado para hedge ou formação de preços”, escreveram os senadores. “Continuamos preocupados com o fato de que a Comissão nem está aplicando a lei adequadamente, nem está equipada para servir como reguladora federal de jogos de azar.”
A Polymarket havia sido multada em US$ 1,4 milhão pela CFTC em 2022 e proibida de aceitar usuários americanos na plataforma internacional, que oferece todos os mercados. Em dezembro de 2025, lançou uma versão americana restrita a mercados esportivos, e negocia com a CFTC para liberar a operação completa.
A CFTC já está conduzindo uma investigação contra a Polymarket, segundo apurou o WSJ. Uma porta-voz da CFTC declinou de confirmar a existência da investigação. A reguladora havia arquivado uma investigação ampla contra a Polymarket no ano passado. Um porta-voz da Polymarket declinou de comentar a carta e a investigação.
Os vídeos
A reportagem do WSJ analisou 1.105 vídeos feitos por criadores de conteúdo em redes sociais, a maioria em idade universitária, nenhum dos quais divulgou que estava sendo pago pela Polymarket.
Em quase 10% dos vídeos, os criadores usavam imagens antigas ou manchetes adulteradas para sugerir que tinham vencido um total de quase US$ 900 mil em apostas. Na realidade, se as apostas fossem reais, eles teriam perdido mais de US$ 166 mil. Muitos vídeos se referiam aos trades como “dinheiro grátis”.
Em resposta às descobertas do WSJ, um porta-voz da Polymarket disse anteriormente que a firma está comprometida com mercados precisos e transparentes, e que está conduzindo uma auditoria do seu conteúdo promocional ativo.
Defesa do consumidor
Em paralelo, um grupo de defesa do consumidor processou a Polymarket, o presidente-executivo Shayne Coplan e o diretor de marketing Matthew Modabber, alegando que a firma mirou estudantes universitários com publicidade enganosa, persuadindo-os a fazer apostas enquanto ocultava a probabilidade real de perder dinheiro.
A Polymarket “buscou atrair jovens para apostar em suas plataformas usando um método provavelmente eficaz: mostrar a eles vídeos em redes sociais de jovens populares e respeitados aproveitando a plataforma da Polymarket”, segundo o processo, que também é citado na reportagem do WSJ.
“Mas, em vez de buscar esse objetivo de forma legal, os réus usaram muitas camadas de manipulação para enganar consumidores em idade universitária, que sofreram danos significativos como resultado.”
O processo foi protocolado em Washington, D.C., e pede penalidades monetárias não especificadas e o fim das práticas de marketing descritas na investigação do WSJ. A Polymarket declinou de comentar o processo.
O contexto político
O ceticismo bipartidário sobre mercados de previsão vem crescendo. No início desta semana, mais de uma dúzia de senadores democratas pediu a uma subcomissão de apropriações do Senado que impedisse a CFTC, que tem adotado uma abordagem permissiva na fiscalização dos mercados de previsão, de obstruir a regulação estadual e tribal dessas plataformas.
O presidente Donald Trump, por outro lado, defendeu a CFTC. Em postagem na Truth Social, escreveu que é “criticamente importante” que a CFTC tenha autoridade exclusiva sobre mercados de previsão para que possam prosperar, chamando políticos que querem regulação estadual de “SCUM” (escória, em inglês). Donald Trump Jr., filho do presidente, é investidor da Polymarket e consultor pago da rival Kalshi.
No mês passado, o deputado James Comer, presidente republicano da Comissão de Supervisão da Câmara, abriu investigação sobre uso de informação privilegiada na Polymarket e na Kalshi. Ambas dizem proibir esse tipo de operação. Esta semana, as duas plataformas apresentaram à comissão as medidas que adotam para prevenir esse tipo de prática.
O contexto brasileiro
A pressão regulatória americana ocorre em momento em que outros países já tomaram medidas mais drásticas contra a Polymarket.
No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) bloqueou em maio o acesso a Polymarket e Kalshi, considerando que as plataformas ofereciam apostas esportivas em formato semelhante ao das bets reguladas no país, sem a devida licença para atuar.
A Kalshi recorreu da decisão. A Polymarket também havia sido bloqueada em outros mercados, incluindo Tailândia, Singapura e França.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Rikardy Tooge