Últimas Notícias

Volkswagen planeja dobrar demissões na Alemanha; CEO diz que modelo atual não funciona mais

A Volkswagen estuda dobrar o número de cortes de empregos previstos para suas operações na Alemanha, de 50 mil para até 100 mil postos, em uma reviravolta que escancara a dificuldade da maior montadora europeia em retomar a rentabilidade

O plano foi reportado pela revista alemã Manager Magazin e depende de aprovação do conselho de supervisão da firma, onde representantes dos trabalhadores têm peso considerável.

O movimento é parte de uma onda mais ampla que atinge toda a indústria automotiva alemã. BMW e Mercedes-Benz também avaliam cortes diante de tarifas americanas, queda nas vendas na China e custos altos de energia e mão de obra. A pressão se estende aos fornecedores. 

A Bosch, maior fabricante de autopeças do mundo, anunciou na sexta-feira (26) que o presidente-executivo, Stefan Hartung, deixará o cargo no fim deste mês, depois de iniciar um programa de 18,5 mil cortes. Schaeffler e Aumovio também estão fechando fábricas e demitindo. O WirtschaftsWoche, no entanto, contestou os números do Manager Magazin e disse que os cortes na VW ficariam em no máximo 80 mil postos.

A escala dos cortes reflete uma urgência crescente nos conselhos de administração alemães, em meio ao risco de o país perder sua liderança industrial para rivais mais ágeis. 

O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, fez na assembleia anual do grupo, neste mês, uma admissão raríssima para um executivo de sua estatura: o modelo de negócios histórico do grupo, segundo ele, deixou de funcionar.

“Desenvolver um ‘carro mundial’ na Alemanha, produzir na Europa e vender globalmente: nosso modelo de negócios, que foi bem-sucedido por décadas, hoje não funciona mais”, disse Blume.

Frentes de pressão

O setor alemão enfrenta uma confluência rara de problemas. Nos Estados Unidos, as tarifas impostas pela administração Donald Trump pressionam Porsche e Audi, marcas que não têm produção no país. 

Na China, segundo maior mercado das montadoras alemãs por anos, as firmas chinesas BYD e Xiaomi estão tomando espaço com modelos elétricos e híbridos mais baratos. As vendas alemãs no país caíram drasticamente. E na Europa, as vendas totais anuais de carros ainda estão cerca de 16% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Os custos de energia, agravados pelo conflito no Oriente Médio, e os altos salários da indústria, sustentados por convenções coletivas robustas, completam o cenário. Segundo Martin Ademmer, economista da Bloomberg Economics, o setor automotivo alemão emprega cerca de 700 mil pessoas diretamente, e garante milhares de empregos adicionais aos fornecedores.

“A indústria alemã, antes consistente, precisa se adaptar às novas realidades do mercado, ou simplesmente vai falhar”, disse Matthias Schmidt, analista independente do setor automotivo baseado próximo a Hamburgo, à Bloomberg. “As firmas alemãs já não podem mais se recostar e confiar no selo ‘made in Germany’ de alto custo.”

Cisão da VW

Diante do quadro, Blume começa a considerar movimentos que eram impensáveis há cinco anos. Um deles é separar a marca Volkswagen do conglomerado homônimo, segundo o Manager Magazin

O grupo Volkswagen é dono de marcas de luxo como Audi e Porsche, e também de marcas mais econômicas como Seat e Skoda. A marca VW, que fica no meio do espectro, vem sofrendo com baixa rentabilidade há anos. Separá-la pode permitir que o mercado dê mais valor a cada ativo individualmente, segundo o analista Harald Hendrikse, do Citigroup.

Outro movimento que Blume sinalizou é permitir que parceiros chineses produzam carros em fábricas alemãs com capacidade ociosa. A medida, se concretizada, seria uma virada simbólica enorme: a indústria que definiu o padrão automotivo mundial abrindo seu próprio chão de fábrica para concorrentes asiáticos.

“Aplaudimos a administração da VW. Esses são passos que não imaginávamos serem possíveis há apenas cinco anos”, escreveu Hendrikse em nota. “Também destaca o quanto a situação ficou difícil, dada a política industrial da União Europeia, e o quanto de reestruturação ainda precisa ser feita.”

©2026 Bloomberg L.P.

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: Rikardy Tooge

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo