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Sob nova direção, Braskem prepara recuperação extrajudicial e venda de ativos

A gestora IG4 assumiu oficialmente nesta quarta-feira (3) o controle da Braskem após a Novonor (ex-Odebrecht) concluir a transferência de suas ações para a casa fundada pelo investidor Paulo Mattos. Agora, IG4 e Petrobras passam a compartilhar oficialmente o comando da maior petroquímica do Brasil.

O fechamento da operação encerra um processo iniciado em dezembro de 2025, quando a IG4 comprou os créditos que Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES detinham contra a Novonor, garantidos pelas próprias ações da Braskem – uma dívida que já chegava perto dos R$ 19 bilhões.

Já nesta segunda-feira (8) será realizada uma assembleia extraordinária para eleger o novo conselho de administração e definir também a nova diretoria executiva. No board, a novidade é a indicação de Luciano Coutinho, presidente do BNDES entre 2007 e 2016, como conselheiro independente. 

Também chega ao board Walter Susini, ex-executivo global de Coca-Cola e Unilever, para cuidar da estratégia internacional e do negócio de polímeros verdes – bioplásticos produzidos a partir do etanol da cana-de-açúcar, segmento em que a Braskem é líder global e que a nova gestão vê como o futuro da companhia.

Outros nomes encaminhados para o conselho são Hélio Novaes, sócio-diretor da IG4 e ex-executivo da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em reestruturações, e Octavio Lopes, ex-CEO da Light, que também liderou uma complexa recuperação judicial.

Novaes será o vice-presidente do conselho comandado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Com a operação concluída, a IG4 passa a ter 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, enquanto a Petrobras terá 47%. Já a Novonor fica com apenas uma fatia minoritária de 4% em ações preferenciais, sem direito a voto.

Recuperação extrajudicial ganha força

Já está confirmado também que Helcio Tokeshi, que comandou a operadora portuária CLI até o início deste ano, será o novo CEO. Carlos Brandão, ex-CEO da Iguá Saneamento e ex-CFO da Oi durante sua recuperação judicial, assumirá a diretoria financeira da petroquímica.

A prioridade imediata segue sendo um acordo para garantir a reestruturação financeira da Braskem. O novo comando da firma irá apresentar na próxima semana uma proposta aos credores que envolve um standstill – suspensão temporária do pagamento de dívidas – de 90 dias, como passo inicial para negociar uma recuperação extrajudicial.

O prazo é curto. Entre julho e agosto, a Braskem terá de pagar juros sobre dívidas emitidas no exterior, algo em torno de US$ 150 milhões. “Os credores vão ter que ter um pouco de paciência, a Braskem não tem condições de honrar esses pagamentos. Mas a proposta que será apresentada deve surpreender positivamente os credores”, diz ao InvestNews uma fonte envolvida nas conversas.

Helcio Tokeshi, futuro CEO da Braskem (Ilustração: Daniela Arbex)

A negociação envolve também a subsidiária mexicana Braskem Idesa, joint venture com o grupo local Idesa que está na iminência de pedir recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo mecanismo do Chapter 11

Como a Braskem mantém com a subsidiária um contrato de suporte monetário, um eventual pedido de recuperação judicial nos EUA pode gerar obrigações adicionais para a matriz brasileira – o chamado cross-default.

Os números do primeiro trimestre de 2026 mostram a dimensão do desafio que a IG4 herda. A dívida líquida ajustada encerrou março em US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), alta de 9% em relação a igual período do ano anterior, com alavancagem de 16,81 vezes o lucro operacional (Ebitda) recorrente. 

A companhia tem cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos de dívida ainda em 2026.

Venda de ativos

Embora a Petrobras tenha mostrado resistência inicial à venda de ativos, a agenda do novo comando da Braskem passa também por desinvestimentos. 

Na lista de ativos que deverão ser negociados estão terminais portuários, plantas de geração de energia e unidades de tratamento de resíduos. A companhia opera terminais próprios em Triunfo e Rio Grande (RS), Duque de Caxias (RJ) e no Porto de Aratu, na Bahia.

A ideia, diz uma das fontes, é reduzir a complexidade operacional e concentrar recursos nas linhas de negócio mais rentáveis, com ênfase na produção baseada em gás natural em detrimento da nafta – petróleo refinado usado como matéria-prima petroquímica, mais caro e menos eficiente que o gás para determinados processos.

Outra aposta central é o negócio de polímeros verdes. A Braskem lançou em 2010 o primeiro polietileno de fonte renovável produzido em escala industrial no mundo, fabricado a partir do etanol da cana-de-açúcar, e é hoje líder global na produção de biopolímeros, com capacidade para fabricar 200 mil toneladas por ano. 

A nova gestão vê o segmento como o futuro da companhia e pretende acelerar seu crescimento.

“A IG4 levou sete anos para reestruturar a Iguá, na CLI [vendida recentemente por US$ 835 milhões] foram cinco anos. Uma reestruturação desse porte vai exigir tempo e paciência de todos, sobretudo dos credores”, completa uma fonte.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Rikardy Tooge

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