Stablecoins: cripto dólar USDC amplia vantagem sobre USDT no uso real; o que isso significa?
No mercado das stablecoins – as criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – a USDT, emitida pela Tether, sempre reinou absoluta. No entanto, quando o assunto é uso real na economia, quem vem ganhando cada vez mais espaço é a USDC, da Circle.
Uso real significa a utilização de stablecoins por pessoas, firmas e aplicações para atividades econômicas genuínas. Ou seja, desconsidera movimentações automáticas ou artificiais dentro da blockchain, como transações realizadas por bots e operações repetitivas usadas apenas para gerar volume.
Dos US$ 8,82 trilhões em volume ajustado de transações com stablecoins no primeiro semestre deste ano, cerca de 70% foram atribuídos à USDC, segundo dados do Painel On-chain da Visa – plataforma interativa criada pela gigante dos pagamentos para rastrear e analisar transações com esse tipo de cripto em diferentes blockchains.
Para efeito de comparação, em 2020 a USDT representava quase 90% do volume ajustado de transações, enquanto a USDC respondia por apenas 10%. De lá para cá, a moeda da Circle foi ganhando espaço até ultrapassar a concorrente.
O que explica isso?
As duas stablecoins seguiram caminhos diferentes. A USDT se consolidou como o dólar do mercado cripto, amplamente utilizada por traders e corretoras.
Veja o caso do Brasil, por exemplo. Apenas no mês passado, o volume total negociado (considerando tanto o uso real quanto o não) foi de R$ 13,81 bilhões para a USDT, ante R$ 2,25 bilhões da USDC, segundo dados da plataforma Índice Biscoint. A diferença ainda é grande.
Além disso, a Tether sempre esteve mais próxima do universo cripto do que do sistema monetário tradicional. A firma também acumulou questionamentos regulatórios e sobre a composição de suas reservas ao longo dos anos. No ano passado, por exemplo, a S&P Global Ratings, uma das maiores agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a avaliação da capacidade da USDT de manter sua paridade com o dólar.
A USDC, por outro lado, foi lançada pela Circle, firma de capital aberto que desde o início buscou se aproximar do sistema monetário tradicional dos Estados Unidos. Isso facilitou a adoção da stablecoin por bancos, fintechs e firmas de pagamentos. Além disso, boa parte da infraestrutura de pagamentos em blockchain foi construída inicialmente ao redor da USDC, incluindo projetos da Visa e de outras instituições financeiras.
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USDT ou USDC?
Para o investidor cripto, a escolha entre USDT e USDC depende mais do objetivo do que do potencial de valorização, pois ambas foram criadas para manter paridade com o dólar.
Quem busca liquidez e acesso ao maior número de corretoras e pares de negociação ainda encontra vantagens na USDT, que segue sendo a principal moeda do mercado cripto em volume e adoção global.
Por outro lado, investidores que priorizam transparência regulatória e maior integração com bancos e firmas podem enxergar a USDC como uma alternativa melhor.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.
Bitcoin (BTC): -1,63%, US$ 62.064,89
Ethereum (ETH): -2,10%, US$ 1.736,97
BNB (BNB): -2,65%, US$ 562,35
XRP (XRP): -3,65%, US$ 1,08
Solana (SOL): -4,65%, US$ 77,10
Outros destaques do mercado cripto
Tether, R$ 100 milhões e o Mercado Bitcoin. E já que o assunto é stablecoin, olha essa. A Tether, emissora da USDT, investiu R$ 100 milhões no Mercado Bitcoin. Dinheirão, hein? Em nota enviada para o InvestNews, a exchange brasileira disse que vai usar essa bolada toda para expandir sua infraestrutura de pagamentos, ampliar sua oferta de investimentos tokenizados, fortalecer suas operações de crédito e empréstimos e desenvolver o mercado de capitais on-chain (na blockchain). Ufa!
B3 e as opções cripto. A B3 liberou nesta semana opções sobre contratos futuros de bitcoin, ethereum e solana. Que é isso? Opções funcionam como um direito de comprar ou vender um ativo por um preço previamente definido, sem a obrigação de executar a operação. Elas são bastante usadas por traders e investidores mais experientes para proteção (hedge) e para apostas na alta ou na queda do mercado. São super arriscadas, ok? Principalmente para quem está começando.
Uma sai, outra entra. O mercado cripto tem movimentos curiosos. No mês passado, contamos que a exchange NovaDAX decidiu encerrar suas operações no Brasil e deu prazo para os clientes retirarem seus ativos. Agora veio o capítulo seguinte da história: a corretora anunciou uma parceria com a Foxbit. Na prática, os clientes da NovaDAX poderão optar por abrir conta na concorrente para continuar negociando criptomoedas sem precisar começar tudo do zero.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
