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Trump quer o petróleo da Venezuela para aliviar o preço da gasolina nos EUA. Não vai ser tão simples

No ano passado, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, reclamou que o Congresso, liderado pelos republicanos, não daria ao governo Trump os bilhões de dólares necessários para recompor as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Agora, o presidente Donald Trump tenta encontrar uma maneira de contornar a resistência dos parlamentares.

Trump disse no domingo (30) que pretende usar petróleo venezuelano – que os Estados Unidos controlarão por meio de um acordo com uma firma privada – para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo do país. O acordo daria a Washington acesso a campos de petróleo que, segundo estimativas, concentram um quinto das reservas de petróleo bruto da Venezuela.

Os estoques federais de petróleo precisam urgentemente de novos suprimentos.

O governo Trump tem culpado repetidamente o ex-presidente Joe Biden por esvaziar as reservas, mas os estoques diminuíram ainda mais durante o atual governo, apesar da promessa de Trump de que iria recompô-los “até o topo”.

O plano de Trump, porém, envolve uma série de incertezas — e não está claro se ele traria alívio, no curto prazo, aos americanos pressionados pelos preços elevados da gasolina.

Pode levar meses até que o acordo resulte em novos barris, e o governo ainda não explicou exatamente como funcionaria a aquisição do petróleo. Além disso, eleições futuras nos dois países podem colocar o projeto em risco, segundo analistas.

Os Estados Unidos liberaram mais de 128 milhões de barris armazenados em cavernas de sal estratégicas na costa do Golfo do México, em uma tentativa de mitigar os efeitos do fechamento, que já dura meses, do Estreito de Ormuz.

Os níveis de petróleo nesses locais caíram para o menor patamar desde o outono de 1982 – e Trump tem cada vez menos opções para levar os preços da gasolina para menos de US$ 4 por galão.

“Acho que eles provavelmente veem isso como um mecanismo plausível tanto para estimular a indústria venezuelana quanto para trazer [petróleo] para o país”, disse Joseph Majkut, especialista em energia do Center for Strategic and International Studies, sobre o acordo anunciado recentemente.

O governo Trump afirmou que o acordo “garante nossa dominância energética para o próximo século — tudo isso sem nenhum custo para os Estados Unidos”. Segundo o governo, a iniciativa asseguraria uma oferta estável de petróleo de baixo custo, que poderia ser usada para recompor os estoques federais.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que o petróleo começaria a chegar ao mercado até o fim do ano, ajudando a reduzir os preços da gasolina para os americanos.

Segundo ele, se a firma com a qual os Estados Unidos fecharam o acordo ampliar suas operações conforme o planejado, o país poderá adicionar 50 milhões de barris às reservas estratégicas todos os anos.

No passado, o Departamento de Energia utilizou recursos obtidos com a venda de petróleo bruto para comprar novos barris. Mas, antes da reeleição de Trump, essa conta estava praticamente esgotada, segundo analistas da consultoria de energia Rapidan Energy Group na época.

No ano passado, o Congresso destinou apenas US$ 171 milhões para começar a recompor os estoques, muito menos que os US$ 20 bilhões que Wright afirmou, na época, serem necessários.

Em janeiro, poucos dias depois de o governo Trump capturar o então homem forte da Venezuela, Nicolás Maduro, Wright disse que estava estudando “maneiras criativas de fazer acordos com firmas privadas que nos permitam gerar petróleo sem nenhum dinheiro do governo e colocá-lo na Reserva”.

Wright deu mais detalhes sobre o acordo pouco convencional na quarta-feira. Em entrevista à CNBC, ele disse que as refinarias americanas estão preparadas para processar o petróleo pesado venezuelano e se beneficiariam da chegada de novos barris.

O governo poderia trocar esse petróleo pesado por petróleo leve ou médio produzido nos Estados Unidos e, então, colocar esse petróleo nos estoques nacionais.

“Nossas refinarias poderiam comprar petróleo venezuelano e, em seguida, oferecer ao governo dos EUA petróleo de qualidade superior”, disse Clayton Seigle, diretor-gerente da consultoria Beacon Global Strategies.

“É como trocar um carro antigo e usar o valor dele como parte do pagamento por um veículo novo.”

Analistas disseram que essa troca provavelmente seria necessária porque as cavernas de sal estão preparadas para armazenar principalmente tipos de petróleo leve e médio.

Eles observaram, porém, que o mecanismo também teria o benefício adicional de permitir a participação dos produtores americanos de petróleo no plano, o que poderia ajudar a amenizar as preocupações do setor com uma concorrência patrocinada pelos Estados Unidos vinda da Venezuela.

As recentes licitações do governo para comprar petróleo e recompor os estoques estratégicos foram reservadas a produtores domésticos.

Desafios ao plano do petróleo

O plano enfrenta vários desafios. Por exemplo, analistas dizem que ainda não está claro exatamente como os Estados Unidos comprariam o petróleo bruto.

A Casa Branca afirmou que a North American Blue Energy Partners, firma privada de petróleo com a qual o governo assinou o acordo, concedeu ao Departamento de Estado o direito de comprar 20% do petróleo produzido nos campos atuais e futuros, pelo custo de produção.

Mas não está claro quais recursos o departamento poderia usar para financiar essas compras, disseram analistas da firma de pesquisa de energia ClearView Energy Partners.

O governo Trump está contando com o fato de que futuros líderes em Washington e na Venezuela considerarão o acordo importante para a estabilidade econômica da Venezuela e para a segurança energética dos Estados Unidos, disse Kevin Book, chefe de pesquisa da ClearView.

Mas, se os democratas retomarem a Casa Branca em 2028, eles poderão retirar o apoio ao acordo. Na Venezuela, um futuro governo também poderia rejeitar acordos anteriores firmados com os Estados Unidos.

Em qualquer um dos cenários, o plano do governo de usar a produção de petróleo venezuelana para recompor os estoques estratégicos provavelmente estaria ameaçado.

O funcionário da Casa Branca afirmou que o acordo foi firmado com uma firma privada e dentro da estrutura jurídica existente.

Mesmo que o plano seja implementado com sucesso, seriam necessários anos para recuperar a reserva – que atualmente está em cerca de 286 milhões de barris – até sua capacidade autorizada de 714 milhões de barris.

As retiradas frequentes, o desgaste das instalações e a falta de investimentos pressionaram a reserva.

As 60 cavernas de sal na costa do Golfo do México que compõem os estoques não podem ser esvaziadas nem reabastecidas na velocidade para a qual foram projetadas, segundo pesquisadores federais.

“As liberações emergenciais dos últimos cinco anos e as duas crises de energia nos levaram não ao fundo do tanque, mas a um nível bastante baixo”, disse Majkut.

Escreva para Benoît Morenne em benoit.morenne@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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