Yara vê demanda por fertilizantes se recuperar após choque da guerra
A demanda por fertilizantes começou a se recuperar após a disparada dos preços nos estágios iniciais do conflito entre EUA e Irã levar agricultores a adiar compras, segundo a gigante de nutrientes agrícolas Yara International.
“Há uma recuperação de volumes e preços neste momento”, disse o CEO, Svein Tore Holsether, em entrevista. “Se os agricultores não precisam aplicar fertilizante imediatamente no campo, eles esperam.”
Os preços dos fertilizantes dispararam quando o conflito no Oriente Médio começou. O Golfo Pérsico abriga grandes produtores de nutrientes agrícolas, incluindo Qatar Fertiliser, Fertiglobe e Saudi Basic Industries.
Isso levou agricultores a adiarem compras, o que deixou as importações de nitrogênio pela Europa em mínimas históricas, segundo a Yara. Holsether afirmou que as importações ficaram “muito baixas” em parte porque os estoques haviam sido reforçados antes do início do ano.
“Com a queda dos preços, eles esperaram até que se estabilizassem e até ficarem mais próximos do momento em que realmente precisariam do produto”, disse ele.
Os preços da ureia eliminaram o prêmio de guerra em meados de junho, com o fim da temporada no Hemisfério Norte. Mas agora, com a demanda de potências agrícolas importantes do Hemisfério Sul, como Brasil e Argentina, ganhando força, os preços da ureia no Egito — um importante benchmark regional — voltam a subir. Os preços saltaram 24% nas três semanas até 10 de julho, segundo a Bloomberg Green Markets.
A produção global de fertilizantes também enfrenta uma nova rodada de incerteza, pois o tráfego pelo Estreito de Ormuz voltou a ficar praticamente paralisado, com EUA e Irã trocando novos ataques aéreos.
Nos primeiros dias do conflito, dezenas de embarcações ficaram presas dentro do Golfo Pérsico, atuando, na prática, como armazenamentos flutuantes, o que permitiu que produtores continuassem operando. Agora, armadores já cautelosos se mostram ainda mais relutante em cruzar Ormuz para carregar novas cargas.
“É muito difícil ter uma visão clara do que acontece em termos de produção no Irã, por exemplo. Também há produção significativa no Catar, na Arábia Saudita e no Bahrein”, disse Holsether. “O próximo teste é quando e como as embarcações voltarão ao Estreito de Ormuz”.
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Autor: Karla Mamona
