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Autocustódia de criptomoedas é colocada em xeque após três incidentes

No mercado cripto, existe uma expressão que vira e mexe é repetida, especialmente por investidores mais antigos e críticos às instituições financeiras: “not your keys, not your coins” (“se não são suas chaves, não são suas moedas”, na tradução para o português).

O que isso significa? É a ideia de que a pessoa deve fazer a autocustódia de suas criptomoedas em carteiras quentes (espécie de programas ligados à internet) ou frias (dispositivos parecidos com pen drives e offline) e guardar a própria frase seed, uma sequência de palavras que dá acesso às criptos e funciona como uma senha. Ou seja, a pessoa é o próprio banco.

É diferente de deixar os criptoativos em exchanges ou instituições financeiras, que cuidam dessas chaves de acesso e são responsáveis por guardar os ativos digitais, e não os usuários.

O problema é que esse modelo foi colocado em xeque nas últimas semanas por causa de três casos principais.

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Os 3 casos

O primeiro ocorreu no fim de julho, na carteira offline Coldcard. A falha estava na geração das seeds. Um bug permitiu que hackers gerassem combinações de frases e identificassem quais correspondiam a carteiras com saldo em bitcoin – tudo sem precisar acessar fisicamente os dispositivos. O resultado? Perdas estimadas em cerca de US$ 130 milhões, segundo a Galaxy Research.

Na semana passada, a Trezor, uma carteira offline “famosinha”, comunicou que um de seus provedores de logística sofreu uma violação de dados que expôs informações sensíveis de quase 14 mil clientes, como nomes completos, endereços de entrega, números de telefone e e-mails. O incidente afetou clientes nos EUA, Reino Unido, Suécia, Colômbia, Itália, Portugal e Brasil.

Segundo a firma, seus sistemas e dispositivos permaneceram seguros, e não houve comprometimento de chaves privadas, carteiras ou fundos. O principal risco é o aumento de tentativas de phishing.

Para completar, no domingo (16), outra carteira offline, a SafePal, divulgou que informações de pedidos de clientes foram acessadas externamente sem autorização. Os dados incluem nome, e-mail, endereço de entrega, número de telefone e detalhes da compra. Cerca de 40 mil usuários foram afetados.

De acordo com a firma, o vazamento pode transformar esses clientes em alvos de tentativas de phishing mais sofisticadas, com criminosos se passando por suporte ou enviando pedidos falsos de atualização de firmware. A frase seed e as chaves privadas não foram comprometidas.

Autocustódia morreu?

Os episódios, segundo analistas, mostram que a autocustódia em carteiras frias, sempre vista como mais segura, também envolve outros riscos.

“Remover um custodiante terceiro não elimina o risco de custódia; apenas transfere esse risco para o hardware, o software e os processos de geração de chaves dos quais o titular depende”, disse Jianing Wu, pesquisadora associada da equipe de research da Galaxy, em relatório recente.

Isso não significa, no entanto, que a autocustódia deixou de fazer sentido, de acordo com especialistas. Mostra apenas que, na hora de escolher uma carteira, é preciso considerar os riscos envolvidos e o próprio perfil do investidor.

Além disso, segundo o economista Charles Mendlowicz, os casos revelam outra estratégia que faz sentido no mundo cripto: diversificar. “Fracionar o capital entre hardware wallets (outro nome da carteiras offline), corretoras consolidadas, bancos e ETFs regulados é a única blindagem eficaz no mercado”, fala.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h15.

Bitcoin (BTC):  +1,03%, US$ 63.580,35

Ethereum (ETH): +1,38%, US$ 1.904,11

BNB (BNB): -0,24%, US$ 604,61

XRP (XRP): +0,64%, US$ 1,00

Solana (SOL): -0,08%, US$ 75,67

Outros destaques do mercado cripto

Tesouraria cripto brazuca no prejuízo. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, divulgou o balanço do segundo trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 183,9 milhões. Segundo a firma, a volatilidade do bitcoin no período ajudou a puxar o resultado para baixo. Hoje, a companhia tem cerca de 3.950 BTC em sua tesouraria, de acordo com seu próprio site, e está entre as 25 maiores firmas com bitcoin em caixa do mundo

Harvard mantém “quedinha” por bitcoin. A Universidade Harvard manteve sua posição no ETF de bitcoin da gestora BlackRock, o IBIT, no segundo trimestre. Segundo documento enviado à SEC (a CVM norte-americana), a Harvard Management Company tinha 3,04 milhões de cotas do fundo em 30 de junho, avaliadas em US$ 101,4 milhões. É a primeira vez, após dois trimestres seguidos de redução, que a instituição não mexe na posição.

Trump e os chefões da cripto. O presidente dos EUA, Donald Trump, deve receber na quarta-feira (19), na Casa Branca, alguns dos principais nomes do mercado cripto e de plataformas de apostas preditivas. Entre os convidados estão executivos de firmas como Coinbase, Ripple, Gemini, Polymarket e Kalshi. O encontro deve abrir um diálogo sobre políticas públicas e inovação, em um momento em que o Congresso discute novas regras para o setor. Estamos de olho por aqui.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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