Bitcoin sobe 10% em julho; veja o que pode mover a criptomoeda em agosto
Julho foi um mês de recuperação para o bitcoin (BTC). Depois de cair cerca de 20% em junho – o pior desempenho mensal desde meados de 2022 -, a criptomoeda caminha para fechar julho com alta próxima de 10%, na faixa dos US$ 63 mil.
Alguns fatores ajudaram na recuperação. As saídas dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos Estados Unidos, um dos principais veículos de investimento dos institucionais, diminuíram. Além disso, a pressão vendedora perdeu força e o apetite dos investidores por ativos de risco voltou a crescer.
E agosto? O que esperar?
Para os analistas, o bitcoin deve continuar mostrando resiliência mesmo diante das incertezas macroeconômicas. Ainda assim, a criptomoeda segue bastante sensível às decisões de política monetária dos Estados Unidos.
Nesta semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano.
“Pelo lado macro, o movimento reflete maior cautela dos investidores diante da decisão de juros nos EUA e das novas sinalizações sobre os rumos da política monetária”, afirma a equipe de research cripto do BTG Pactual.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, cerca de 65% do mercado espera uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro. Juros elevados no país tornam os títulos do Tesouro americano mais atrativos, reduzindo o fluxo de recursos para ativos considerados mais arriscados, como as criptomoedas.
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Tensões geopolíticas
Além dos juros, as tensões no Oriente Médio devem continuar no radar dos investidores e podem pressionar o bitcoin e as demais criptomoedas, segundo analistas. Isso porque conflitos na região aumentam o prêmio de risco global, pressionam a inflação e podem influenciar a trajetória dos juros futuros.
“A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã mantém os investidores cautelosos, limitando o potencial de valorização do bitcoin no curto prazo”, diz Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget Latam.
De olho no dinheiro
Outro fator importante para acompanhar em agosto, segundo os players do setor, é o fluxo de capital para o bitcoin, que costuma influenciar diretamente os preços.
Os ETFs americanos caminham para registrar a quarta semana consecutiva de entradas de recursos. Foram US$ 509 milhões em aportes líquidos, segundo a plataforma SoSoValue. Embora positivo, o volume ainda é modesto diante dos cerca de US$ 6 bilhões em saídas acumuladas nas oito semanas anteriores.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -0,86%, US$ 63.884,11
Ethereum (ETH): -1,49%, US$ 1.886,98
BNB (BNB): +1,13%, US$ 592,11
XRP (XRP): -0,36%, US$ 1,07
Solana (SOL): -0,35%, US$ 73,55
Outros destaques do mercado cripto
Volume de BTC e ETH cai. Apesar do mês positivo, o volume negociado de bitcoin no Brasil diminuiu. O total foi de R$ 1,56 bilhão em julho, abaixo dos R$ 2,56 bilhões registrados em junho. No caso do ethereum, o cenário foi semelhante. Foram R$ 419 milhões, ante R$ 754 milhões. Os dados são da plataforma Índice Biscoint e consideram as negociações em exchanges locais ou com operação por aqui.
Um prejuízo bilionário. Apostar todas as fichas no bitcoin é arriscado. Olha só o caso da Strategy, maior firma detentora de BTC do mundo. A companhia registrou prejuízo de US$ 8,2 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado foi causado, principalmente, pela desvalorização da cripto, que encerrou o período mais de 40% abaixo do registrado um ano antes. Apesar disso, a firma segue com 843.775 BTC em caixa.
Falha em carteira drena 594 bitcoins. No mercado cripto, existem as carteiras físicas, conhecidas como cold wallets. Elas lembram um pen drive e servem para armazenar criptos com mais segurança. Pois uma delas virou notícia – e da pior forma. Uma falha na geração das chaves (as “senhas” que dão acesso aos ativos) da carteira Coldcard permitiu o roubo de 594 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 38 milhões.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
