Como a campanha da Noruega na Copa mudou o dia-a-dia no país nórdico
As camisas da seleção norueguesa estão esgotadas em todo lugar, a venda de cerveja subiu um terço e os noruegueses correm em busca de um canto para assistir à histórica quartas de final contra a Inglaterra, neste sábado, 18h.
O país não acredita: ninguém esperava que a seleção masculina chegasse tão longe na Copa do Mundo. O resultado é uma nação unida em euforia.
“Isso é incrível, é mágico”, disse a torcedora Tora Bell, 31 anos, em entrevista em Oslo antes do jogo tenso de sábado. “A gente quer ver junto com uma multidão, dividir esse momento.”
Ela vem costurando e decorando suas próprias camisas vermelhas, brancas e azuis para apoiar a seleção, e diz que sente um orgulho e uma esperança novos ao ver a comunidade e as comemorações dos jogadores noruegueses pelas ruas de Oslo.
“A gente está até abraçando gente que não conhece”, contou, descrevendo um comportamento que, para os brasileiros, é basicamente uma regra de etiqueta durante Copas do Mundo.
A Noruega não se classificava para uma Copa havia 28 anos. E os feitos históricos para que ela chegasse até aqui começaram ainda nas eliminatórias – o time de Haaland bateu a Itália em Milão por 4×1, ajudando a tirar a seleção tetracampeã da Copa.
E no torneio, sabemos todos, eliminaria nas oitavas o único pentacampeão – maior feito da história do futebol norueguês.
O torcedor Fartein Nordling, 31, está nervoso, mas diz que vai ficar feliz de qualquer jeito. “A gente nunca deveria ter chegado até aqui. Daqui pra frente é tudo bônus. Mas agora, talvez a gente ganhe a coisa toda”, disse ele, entoando o canto que virou trilha sonora das ruas norueguesas: “Vamos ganhar a Copa do Mundo”.
Por causa do fuso horário com os EUA, a Noruega liberou os bares para servir álcool depois do horário-limite habitual, 3h da manhã — uma medida excepcional que fez alguns políticos pedirem para tornar a extensão permanente.
A Mack Bryggeri, em Tromsø, que se apresenta como a cervejaria mais setentrional do mundo, viu as vendas subirem 32% em relação ao ano passado, segundo a emissora TV2.
A partida de sábado contra a Inglaterra começa às 23h no horário local, o que dá tempo de sobra para os bares venderem cerveja antes e depois do jogo.
Stefan Jansen, dono do bar Blå, em Oslo, calcula que a Copa e a extensão temporária do horário fizeram as vendas subirem cerca de 50% durante Noruega x Brasil. Para o jogo contra a Inglaterra, ele espera que o faturamento dobre, com torcedores chegando horas antes para garantir lugar.
“As pessoas estão desesperadas por um lugar para assistir ao jogo”, disse Jansen por telefone. “Tem gente que aparece ao meio-dia para um jogo que começa às 23h. E enquanto espera, bebe.”
Quando o pequeno país de 5,6 milhões de habitantes surpreendeu o Brasil, 100 mil pessoas tomaram as ruas de Oslo para comemorar, e puxaram o príncipe herdeiro Haakon para o meio da multidão em frente ao Palácio Real para fazer, junto com milhares de fãs, o já famoso gesto do remo.
O movimento de remar, que imita os remadores vikings, foi inspirado no “Viking clap” da Islândia na Eurocopa de 2016 e popularizado pela torcida organizada da Noruega, a Oljeberget, ou “Monte do Petróleo”. O gesto viralizou: políticos, jogadores e torcedores do mundo todo estão postando vídeos remando.
Nos EUA, a Noruega vem recebendo “muita atenção positiva”, disse a embaixadora Anniken Huitfeldt.
Isso depois de alguns atritos com o governo Trump no último ano, incluindo uma campanha do presidente americano, Donald Trump, para ganhar o Nobel da Paz.
“Quando eu encontro senadores e deputados agora, eles não apertam minha mão — eles começam a remar. Virou uma marca do país”, disse Huitfeldt por telefone. “Nossa diplomacia esportiva deu a muita gente uma visão positiva da Noruega.”
Por Heidi Taksdal Skjeseth e Redação InvestNews
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Autor: Alexandre Versignassi