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FIFA sai ainda mais rica de uma Copa do Mundo marcada por controvérsias

Com a poeira baixando após mais uma polêmica da Copa do Mundo, uma coisa já está clara: o presidente da FIFA, Gianni Infantino, parece mais forte do que nunca.

A Copa de 2026 foi alvo de críticas por praticamente todos os lados, seja pelo preço dos ingressos, pelo isolamento da seleção do Irã, pela proibição de um árbitro somali ou pela criação do primeiro prêmio da paz da FIFA, concedido ao presidente Donald Trump.

Nos últimos dias, a antipatia em relação à FIFA atingiu o auge depois que a entidade permitiu que um astro suspenso da seleção dos EUA entrasse em campo após pressão de Trump, provocando condenações de praticamente todos os que não eram americanos.

“A questão já não é simplesmente se o cartão vermelho original foi justificado”, afirmou Nick De Marco, advogado esportivo baseado no Reino Unido. “A questão é se a FIFA comprometeu a integridade da Copa do Mundo e sua própria autoridade como reguladora global do futebol.”

Essas reclamações, porém, provavelmente desaparecerão quando o torneio terminar. Após a goleada por 4 a 1 da Bélgica sobre os Estados Unidos, a intensidade da controvérsia envolvendo a autorização para que o atacante americano Folarin Balogun atuasse começou a diminuir. Enquanto isso, Infantino permaneceu concentrado talvez em sua tarefa mais importante: gerar receita.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe o Prêmio da Paz da FIFA das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, durante o sorteio oficial da Copa do Mundo de 2026, em Washington, D.C., em 5 de dezembro. Fotógrafo: Andrew Harnik/Getty Images.

A FIFA vive uma tensão constante entre manter proximidade com centros de poder para ganhar dinheiro e cumprir sua outra missão: preservar as regras e regulamentos do esporte. O dinheiro está levando vantagem. Sob o comando do dirigente de 56 anos à frente do esporte mais lucrativo do planeta, a FIFA deve arrecadar cerca de US$ 9 bilhões diretamente com a Copa de 2026, aproximadamente US$ 2 bilhões a mais do que na edição de 2022, no Catar.

A FIFA tornou-se sinônimo de escândalo há pouco mais de uma década, após um caso de corrupção conduzido por promotores dos EUA. Menos de um ano depois, Infantino assumiu como o novo rosto da organização. Ele supervisionou reformas, aumentou modestamente a transparência e ampliou drasticamente o tamanho e o alcance dos torneios da FIFA, incluindo o lucrativo FIFA Club World Cup. Mas também conduziu a entidade por um caminho familiar de mistura entre dinheiro, poder e política.

A Copa do Mundo está distribuindo dinheiro para todos os envolvidos. As gigantes de concessão responsáveis por alimentos e bebidas nos estádios estão colhendo os frutos. Em alguns estádios, os torcedores gastaram até US$ 100 por pessoa durante as partidas, quase o dobro do que costumam gastar em jogos da National Football League.

Os anunciantes também se beneficiaram das pausas obrigatórias para hidratação, transformando, na prática, o tradicional jogo de dois tempos em uma partida ao estilo americano, com quatro quartos.

As cidades-sede, que antes do torneio reclamavam dos custos, já registram ganhos iniciais. Dados do Bank of America referentes ao período de 10 a 21 de junho mostraram que os gastos em cartões de crédito e débito nas cidades anfitriãs cresceram 6,3% na comparação anual, enquanto os gastos de visitantes aumentaram 16,7%.

Nesta edição, a Copa do Mundo passou de 32 para 48 seleções. A premiação total dobrou e alcançou o recorde de US$ 871 milhões. Cada país participante tem garantido um pagamento mínimo de US$ 12,5 milhões apenas por disputar o torneio.

Cabo Verde já faturou mais de US$ 21 milhões com sua campanha histórica, valor equivalente a cerca de 0,75% do PIB da pequena nação. Para muitas outras federações nacionais, a generosidade financeira da FIFA é essencial.

Infantino disputará nova eleição no início de 2027, durante o 77º Congresso da FIFA, em Rabat, uma das cidades do país que sediará a próxima Copa do Mundo. Cada uma das 211 associações filiadas tem direito a um voto.

O resultado, por enquanto, é mera formalidade, já que Infantino concorre novamente sem adversários. Federações da Ásia, da América do Sul e da África já declararam apoio ao dirigente.

Será seu terceiro mandato, após suceder Sepp Blatter, que renunciou em 2015 em meio ao escândalo de corrupção.

Será fácil para a FIFA apresentar a Copa do Mundo como um sucesso absoluto — e, de muitas formas, ela realmente foi. Apesar do preço dos ingressos, os estádios estiveram lotados. Os maiores astros do futebol marcaram gols em abundância.

O torneio também ampliou a representação global, com nove seleções africanas alcançando a fase eliminatória. Os torcedores ainda desfrutaram da hospitalidade dos países anfitriões, após as duas últimas Copas realizadas na Rússia e no Catar.

Ainda não está claro como as críticas de jogadores e políticos afetarão Infantino após a intervenção de Trump no caso do cartão vermelho.

Políticos do Reino Unido e da Bélgica pediram sua renúncia. “Este é o nosso esporte, não o deles”, afirmou o ex-técnico do Liverpool FC, Jürgen Klopp. “Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre eles, é uma loucura. Isso coloca tudo em dúvida.”

Para a maioria dos países-membros, porém, o apoio permanece firme. “A FIFA está em sua melhor posição de todos os tempos”, disse o presidente da Asian Football Confederation, Sheikh Salman. De Kuwait à África do Sul, os governos e federações mantiveram apoio consistente.

A Royal Moroccan Football Federation destacou “o grande trabalho realizado pelo Sr. Gianni Infantino e sua equipe para desenvolver o futebol africano e mundial”.

Antes da Copa do Mundo, Trump afirmou que o futebol serve para “unir as pessoas”. Apesar das controvérsias, o controle de Infantino sobre o esporte continua inabalável.

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Autor: Karla Mamona

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