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Stablecoins já movimentam o equivalente a uma Vale no fim de semana

No mercado cripto, se existe uma classe “estrelinha”, é a das stablecoins, aquelas criptomoedas atreladas a outros ativos, como dólar, euro, real e por aí vai. O uso cresce tanto que, nos fins de semana, já se aproxima de gigantes dos pagamentos e supera o valor de mercado de algumas das maiores firmas brasileiras

Um relatório da Binance Research, braço de pesquisa e análise da exchange, aponta que as transferências de stablecoins aos sábados e domingos somam, em média, US$ 76 bilhões. O valor representa cerca de 53% da média movimentada nos dias úteis, de aproximadamente US$ 71 bilhões por dia.

Para colocar esse número em perspectiva: o montante é próximo do volume movimentado pela gigante dos pagamentos Visa durante um fim de semana, cerca de US$ 80 bilhões, e supera o valor de mercado da mineradora brasileira Vale, atualmente na faixa dos US$ 62 bilhões.

E quem vem dando um empurrão nessas movimentações são os contratos perpétuos de ativos tradicionais liquidados em stablecoins. Esses contratos são derivativos semelhantes aos contratos futuros, mas sem data de vencimento. Plataformas como a Hyperliquid se destacam nesse mercado e já oferecem exposição a ativos tradicionais, incluindo contratos ligados ao Ibovespa.

Segundo a pesquisa, esses produtos monetários adicionam aproximadamente US$ 4 bilhões em volume negociado nos fins de semana – uma demanda que existe justamente porque os mercados de stablecoins continuam abertos quando praticamente todo o restante está fechado.

Rendimentos em dólar

O relatório também mostra que os rendimentos em dólares obtidos na blockchain variam entre 2% e 4% ao ano, superando a taxa média nacional das contas de poupança americanas, de 0,38% ao ano, e oferecendo retornos próximos aos das treasuries, os títulos públicos dos EUA.

Vale lembrar que esses rendimentos de stablecoins são justamente um dos pontos que provocaram um cabo de guerra entre bancos e firmas do setor cripto nos EUA e acabaram atrapalhando o avanço do Clarity Act, proposta regulatória bastante aguardada pelo setor e que atualmente tramita no Senado americano.

Nesta semana, por exemplo, associações bancárias do país enviaram uma carta a senadores reforçando o pedido para que stablecoins de pagamento sejam proibidas de oferecer juros ou rendimentos aos usuários. O receio é que a possibilidade de remuneração incentive a migração de depósitos, principalmente dos bancos comunitários, para esses ativos digitais.

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Stablecoins no Brasil

E não é apenas lá fora que as stablecoins estão ganhando espaço. No Brasil, o cenário é parecido. Entre os dias 1º e 14 de julho, o volume negociado das duas principais stablecoins de dólar do mercado – USDT e USDC – somou aproximadamente R$ 13 bilhões, segundo dados da plataforma Índice Biscoint.

Detalhe: durante todo o mês passado, essas duas criptomoedas movimentaram cerca de R$ 16 bilhões. Ou seja, em apenas duas semanas, o mercado já alcançou mais de 80% do volume registrado em todo o mês anterior.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  +2,90%, US$ 64.627,89

Ethereum (ETH): +4,41%, US$ 1.877,11

BNB (BNB): +1,28%, US$ 577,16

XRP (XRP): +3,50%, US$ 1,10

Solana (SOL): +2,47%, US$ 77,31

Outros destaques do mercado cripto

Sol, praia e cripto. Rio de Janeiro é sinônimo de praia, muito sol, samba e, cada vez mais, de cripto também. O pessoal do Blockchain.RIO, plataforma da América Latina dedicada ao debate sobre o universo cripto, já revelou as trilhas de conteúdo da próxima edição de seu evento, que acontece nos dias 12 e 13 de agosto na “Cidade Maravilhosa”. Vai ter de tudo um pouco: transações internacionais, o papel das stablecoins, regulação, inteligência artificial e até apresentação de pesquisas do setor.

ETFs gringos de bitcoin voltam a captar. Parece que a maré negativa dos ETFs à vista de bitcoin nos EUA deu uma acalmada. Ontem, os fundos registraram US$ 181 milhões em entradas, recuperando parte dos US$ 424 milhões em saídas observadas na segunda-feira (13). O fluxo positivo, somado à desaceleração da inflação americana (que reforça as expectativas de corte de juros pelo banco central americano), deu algum alívio ao bitcoin, que voltou para a faixa dos US$ 64 mil.

IA paga com cripto. Tem tecnologias que chegam ao mercado e dão a sensação de que a gente já está vivendo no futuro, né? Um protocolo que permite que softwares e agentes de IA façam pagamentos automaticamente, sem intervenção humana, acaba de ganhar o apoio de gigantes como Visa, Mastercard, Google e Amazon. Batizada de x402, a novidade usa stablecoins como o USDC para viabilizar micropagamentos entre máquinas, aproximando a ideia de uma economia em que IAs compram e vendem entre si.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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