Ânima recompra FMU por R$ 410 milhões e amplia presença em São Paulo
A Ânima Educação, dona da Universidade São Judas e da Anhembi Morumbi, informou nesta terça-feira (14) que sua subsidiária integral Rede Educacional do Brasil assinou contrato para aquisição da totalidade das cotas da FMU, instituição de ensino superior que está em recuperação judicial.
O negócio foi celebrado com o Camp Nou Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, da gestora Farallon Capital, fundo que detém as cotas da FMU, e prevê um valor de aquisição (equity value) de R$ 410 milhões. Em 2020, a Farallon havia comprado a FMU da própria Ânima por R$ 500 milhões.
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Do total, R$ 240 milhões serão pagos à vista, em dinheiro, no fechamento da operação. Caso a conclusão do negócio ocorra após 31 de dezembro de 2026, esse valor será corrigido pelo CDI a partir dessa data.
A segunda parcela, no valor mínimo de R$ 170 milhões, será paga em dinheiro em 31 de dezembro de 2029 ou após três anos da aprovação definitiva da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), considerando o evento que ocorrer primeiro. A Ânima estima que a análise do órgão antitruste seja concluída até o fim de 2026.
Esse pagamento poderá ser ajustado conforme uma fórmula de earn-out prevista no contrato, que considera o desempenho futuro da FMU, indicadores da Ânima Educação e a evolução da dívida líquida da instituição adquirida. O valor final da parcela será o maior entre o montante mínimo corrigido pelo CDI e o valor calculado pela fórmula estabelecida.
Curso de Direito e área Saúde
Entre os ativos considerados estratégicos pela companhia está o curso de Direito da FMU, que apresenta um dos maiores índices de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Estado de São Paulo.
A área de Saúde também foi destacada pela Ânima como uma das principais fortalezas da instituição, com laboratórios próprios, crescimento da demanda e potencial de integração com a rede de ensino do grupo. A FMU tem cursos de enfermagem, nutrição e terapia ocupacional.
Além disso, a companhia afirmou que a presença nacional da marca FMU por meio de unidades acadêmicas parceiras pode contribuir para o avanço das modalidades digital e híbrida.
Ânima destaca desalavancagem
A Ânima afirmou que a operação ocorre após um processo de desalavancagem orgânica que reduziu sua relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda ajustado ex-IFRS 16 para 2,39 vezes no período de 12 meses encerrado em 31 de março de 2026.
Segundo a firma, a geração de caixa e a retomada do crescimento do segmento Core dão suporte para a expansão sustentável do grupo.
“A chegada da FMU fortalecerá a posição estratégica da rede de instituições que integram o ecossistema Ânima no ensino superior brasileiro, adicionando crescimento de receita às suas operações nos segmentos Core e Digital”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.
A FMU
Com mais de 50 anos de história, a FMU é uma das instituições de ensino superior mais tradicionais do Brasil. Localizada em São Paulo, a instituição conta atualmente com 51 mil alunos matriculados em seis campi na capital paulista e mais de 200 unidades acadêmicas de ensino a distância distribuídas pelo país.
Segundo a Ânima, a FMU encerrou os 12 meses até 31 de março de 2026 com receita líquida de R$ 281,7 milhões e EBITDA ajustado — indicador usado para medir a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização — de R$ 52,9 milhões.
O cálculo exclui os efeitos do IFRS 16, norma contábil que estabelece regras para o reconhecimento de contratos de arrendamento. A dívida líquida ajustada da instituição, também sem os efeitos do IFRS 16, era de R$ 150,3 milhões.
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Autor: Karla Mamona