Após investir no etanol de milho, Amaggi vai ao mercado para levantar R$ 3,5 bilhões
A Amaggi, a gigante do agro que é uma das maiores produtoras de grãos do país, está levantando no mercado de capitais R$ 3,54 bilhões, na maior emissão do ano em cédulas de produto rural financeira (CPR-F).
O timing da captação é interessante. Ela ocorre dias depois de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar que a firma da família Maggi compre 40% da produtora de etanol FS, em um negócio de US$ 1 bilhão.
A CPR-F é um título de dívida que o produtor emite com lastro na sua produção agrícola e que, em vez de ser quitado com a entrega de grãos, é liquidado em dinheiro. Essa é a primeira emissão de CPR-F da Agropecuária Maggi, o braço de produção agrícola do grupo responsável pela operação.
A operação é destinada apenas a investidores profissionais, categoria que reúne instituições financeiras, fundos e investidores com mais de R$ 10 milhões aplicados. O Bradesco BBI, que coordena a oferta, deu garantia firme, ou seja, se a demanda não cobrir tudo, o banco fica com o que sobrar. A liquidação ocorre na próxima segunda-feira (8).
A cédula terá prazo de dez anos, com remuneração de CDI mais 1,08% ao ano e cinco anos de “carência de principal”, o que significa que a Amaggi paga apenas os juros e só começa a amortizar o principal a partir do quinto ano, até o vencimento, em 2036.
A Amaggi não diz com todas as letras que essa polpuda emissão vai para o negócio com a FS. A destinação declarada é genérica: capital de giro, investimentos e fomento à própria produção. Por outro lado, quem garante o papel, ao lado da holding André Maggi Participações, é a Amaggi Exportação e Importação, o mesmo CNPJ que comprou a fatia da FS.
Etanol de milho dos Maggi
A Amaggi perseguiu o etanol de milho por anos. Em agosto, anunciou uma joint venture com a Inpasa, a principal produtora do país, para erguer ao menos três usinas em Mato Grosso, num plano estimado em cerca de R$ 7,5 bilhões. A parceria ruiu 45 dias depois.
A Amaggi disse, então, que tocaria a obra sozinha, e foi o que fez. Deu entrada no pedido de licença da primeira usina, em Rondonópolis, um investimento de R$ 2,5 bilhões em área própria, abastecida pelo próprio milho e pela própria biomassa.
A Amaggi é a maior firma brasileira de grãos e fibras, com receita em torno de R$ 45 bilhões. Fundada em 1977 por André Maggi e sediada em Cuiabá, vai da produção nas fazendas à originação, ao processamento, à logística fluvial e à geração de energia, e comercializa cerca de 18 milhões de toneladas de grãos por ano.
O nome mais conhecido da família é Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura.
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Autor: Rikardy Tooge

