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Nvidia desafia Intel e entra de vez na disputa pelo mercado de PCs

A Nvidia está entrando no mercado de PCs com um novo chip destinado a enfraquecer o domínio da tecnologia da Intel nesse segmento e modernizar os computadores para a era da inteligência artificial.

A partir do próximo outono no Hemisfério Norte, o novo RTX Spark Superchip da Nvidia estreará em notebooks e desktops de grandes fabricantes, incluindo a Dell Technologies e a Lenovo, anunciou o CEO da firma, Jensen Huang, durante a feira Computex, em Taipei.

O produto combina um processador central e um chip gráfico, desenvolvido com a ajuda da MediaTek, e utilizará o sistema operacional Windows para Arm, da Microsoft.

Hoje dominante em data centers, a Nvidia tenta novamente ganhar espaço no mercado de processadores para computadores pessoais após participar de uma iniciativa semelhante que fracassou há mais de uma década. Desta vez, porém, a companhia entra na disputa em uma posição muito mais forte, com capacidade de investir mais recursos do que concorrentes estabelecidos ou aspirantes, como a Qualcomm e sua linha Snapdragon para PCs.

Para a Nvidia, o projeto também reforça sua estratégia de permanecer no centro do desenvolvimento e da utilização da inteligência artificial.

As ações da Intel chegaram a cair cerca de 7% no pré-mercado dos Estados Unidos, enquanto os papéis da Nvidia avançavam aproximadamente 2%. Já as ações da Arm Holdings dispararam mais de 14%, beneficiadas pelo apoio da Nvidia à sua tecnologia. Os papéis da MediaTek subiram mais de 5% em Taipei.

A Nvidia afirmou que os primeiros notebooks equipados com o RTX Spark serão voltados ao segmento premium e prometem eliminar os compromissos normalmente exigidos pelos produtos concorrentes. Segundo a firma, a eficiência energética do chip permitirá que fabricantes ofereçam máquinas extremamente potentes, mas ainda assim finas e leves.

Versões futuras da tecnologia deverão atender também a faixas de preço mais amplas.

No passado, uma expansão mais agressiva para o mercado de PCs teria representado uma enorme oportunidade para a Nvidia. Hoje, porém, a receita gerada por sua divisão de chips para data centers supera com folga as vendas combinadas de seus concorrentes mais próximos. No último trimestre, a receita da Nvidia foi aproximadamente equivalente às vendas anuais totais da Intel e da Advanced Micro Devices em todo o ano passado.

Mesmo assim, investidores que impulsionaram as ações da firma com base no boom da inteligência artificial podem ver com bons olhos sua crescente presença em produtos que colocam essa tecnologia diretamente nas mãos dos consumidores. Apesar do forte crescimento, o desempenho das ações da Nvidia ficou atrás do índice Philadelphia Semiconductor Index neste ano.

Durante a apresentação, Huang classificou o RTX Spark como o início de uma transformação do mercado de PCs que pode, eventualmente, rivalizar com o impacto provocado pelo surgimento dos smartphones.

“O número de clientes e parceiros empolgados para levar o RTX ao mercado é simplesmente incrível”, afirmou Huang em Taipei.

O RTX Superchip contará com uma CPU de até 20 núcleos de processamento e uma GPU da geração Blackwell com 6.144 núcleos. Ambos compartilharão memória integrada, permitindo lidar melhor com grandes modelos de IA e jogos de alto desempenho.

Os componentes utilizarão a interface NVLink da Nvidia para se comunicar, trazendo para computadores pessoais uma tecnologia antes restrita aos data centers. O chip será fabricado pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. utilizando o processo de fabricação 3N.

A Nvidia afirmou que trabalha há anos com a Microsoft para preparar os novos dispositivos e garantir suporte de software capaz de consolidar a adoção da arquitetura Arm no ecossistema Windows.

Microsoft e Qualcomm promovem computadores baseados em Arm há mais de um ano, mas com resultados limitados. Fora da linha Mac da Apple, a maioria dos PCs ainda utiliza processadores da Intel ou da AMD.

A principal vantagem da arquitetura Arm é a eficiência energética significativamente superior, embora historicamente tenha enfrentado dificuldades relacionadas à compatibilidade de software.

Segundo a Nvidia, os novos computadores serão mais capazes de executar modelos avançados de inteligência artificial e recursos de IA incorporados em softwares populares. Um exemplo é o Photoshop, da Adobe, que está sendo reformulado para responder melhor a comandos de IA voltados à criação de imagens e vídeos.

Os novos dispositivos também deverão ampliar o desempenho em jogos, permitindo que notebooks executem títulos de ponta com maior facilidade.

De forma mais ampla, a Nvidia afirma que seus PCs serão capazes de rodar grandes modelos de IA localmente e de forma segura, oferecendo aos usuários maior controle sobre quais dados e programas podem ser acessados.

Segundo a firma, essas capacidades acelerarão a transformação dos computadores em verdadeiros assistentes pessoais, capazes de realizar tarefas além de simplesmente responder a comandos. Atividades como pesquisar e-mails ou até identificar e corrigir erros em um site poderão se tornar muito mais simples.

A Nvidia não divulgou comparações de desempenho com produtos atuais ou futuros da concorrência. Esses dados serão apresentados quando os novos computadores chegarem ao mercado. A firma também afirmou que as atuais restrições na cadeia de suprimentos da indústria de semicondutores não devem afetar a disponibilidade dos produtos.

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Autor: Karla Mamona

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