Bitcoin tem pior 1º semestre em oito anos. O que esperar do mercado cripto agora?
Hoje é o último dia do primeiro semestre. E o bitcoin (BTC), como anda? Nada bem. Se nenhum grande catalisador positivo surgir até a meia-noite desta terça-feira (30) – algo considerado muito improvável -, a maior criptomoeda do mercado deve encerrar o primeiro semestre com queda de 22,2%.
Detalhe: será o pior primeiro semestre desde 2018, segundo dados da plataforma CoinGlass.
Vários fatores colaboraram para esse desempenho: guerra no Oriente Médio, juros elevados nos Estados Unidos, queda das ações de tecnologia, saídas massivas de investidores dos ETFs (fundos negociados em bolsa), dúvidas com o modelo de negócio das tesourarias cripto e por aí vai. E isso, claro, acabou puxando as demais criptomoedas também.
Ok, mas olhando para frente, o que esperar do bitcoin e do mercado cripto como um todo?
Os dois cenários para o bitcoin
A Grayscale, uma das maiores gestoras de criptoativos do mundo, traça dois possíveis cenários. Em um deles, o bitcoin pode se recuperar; no outro, ainda há espaço para novas quedas. Vamos começar pelo mais otimista.
Para a criptomoeda voltar a ganhar força, ela depende de três fatores importantes. O primeiro é a aprovação do Clarity Act, projeto de lei que define com mais clareza quais órgãos serão responsáveis por regular o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. O governo americano já sinalizou que pretende acelerar a tramitação da proposta.
Outro ponto é que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), deixe de elevar os juros neste ano. Com a inflação persistente, porém, esse cenário ficou mais difícil, e parte do mercado ainda trabalha com a possibilidade de uma alta até o fim de 2026.
O terceiro fator é a Strategy, maior firma do mundo a utilizar bitcoin como ativo de tesouraria, fortalecer seu balanço patrimonial. A companhia tem sido uma das principais impulsionadoras da demanda pela criptomoeda.
“No cenário negativo, o projeto de lei não é aprovado neste ano, a Strategy e outras firmas com grandes reservas de bitcoin reduzem ainda mais sua alavancagem e o Fed é obrigado a elevar os juros por causa da inflação persistente. Nesse caso, o bitcoin ainda pode registrar novas quedas”, escreveu Zach Pandl, head de research da Grayscale.
No geral, no entanto, analistas continuam sugerindo o BTC nas carteiras recomendadas.
“O bitcoin entra em julho ainda pressionado pelo ambiente macroeconômico global, mas mantendo seu papel central no mercado”, diz Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso.
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E o mercado cripto?
O mercado cripto vai muito além do bitcoin. Stablecoins, tokenização e mercados preditivos são alguns dos segmentos que continuam avançando. Para a gestora suíça 21Shares, eles devem seguir crescendo no segundo semestre, mas em um ritmo menor do que o esperado no início do ano.
ETFs: A previsão para os ETFs globais de criptomoedas (aqui entram tanto os produtos dos EUA como os de outros países) foi revisada para baixo. No fim de 2025, a gestora estimava que esses fundos encerrariam 2026 com mais de US$ 300 bilhões em ativos sob gestão. Hoje, porém, administram cerca de US$ 140 bilhões, contra US$ 172 bilhões no fim do ano passado. Apesar disso, a firma afirma que a demanda institucional continua forte.
Stablecoins: No início do ano, a expectativa era que a oferta global de stablecoins chegasse a US$ 1 trilhão até dezembro, impulsionada por novas legislações e pela adoção corporativa. Agora, a 21Shares estima que o mercado termine 2026 entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões. Ainda assim, a gestora continua bastante otimista com esse segmento, citando a entrada de firmas como Mastercard e Visa e a consolidação das stablecoins como infraestrutura para pagamentos.
Tokenização: No início do ano, a gestora previa que os ativos tokenizados ultrapassariam US$ 500 bilhões até o fim de 2026. Hoje, porém, as blockchains públicas concentram cerca de US$ 31 bilhões, sendo US$ 15 bilhões em títulos do Tesouro americano e US$ 5 bilhões em commodities. A casa afirma que o segundo semestre deve acelerar esse mercado com o avanço da infraestrutura e da regulação, mas reconhece que atingir a meta original exigiria um crescimento extraordinário que não deve ocorrer.
Tesourarias em bitcoin: As companhias menores que compram BTC enfrentam dificuldades para captar recursos e podem ser obrigadas a vender parte de suas reservas, enquanto firmas mais capitalizadas tendem a ganhar espaço por meio de aquisições ou fusões. A expectativa de que essas companhias somem mais de US$ 250 bilhões em criptoativos até o fim do ano. No entanto, tudo dependerá principalmente de uma valorização do bitcoin.
Mercados preditivos: O mercado de apostas em eventos futuros – no universo cripto, a Polymarket, proibida no Brasil, é o principal exemplo – deve continuar aquecido. A projeção é que o volume negociado em 2026 deve superar com folga a projeção inicial de US$ 100 bilhões, impulsionado por eventos como a Copa do Mundo e as eleições legislativas nos Estados Unidos.
O que tudo isso significa para o investidor?
Para quem investe, o recado continua o mesmo: as criptomoedas podem entregar ganhos expressivos, mas também registram fortes quedas e seguem sendo ativos de alto risco. Por isso, muitos analistas sugerem destinar apenas entre 1% e 5% da carteira para esse mercado.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.
Bitcoin (BTC): -1,57%, US$ 59.142,33
Ethereum (ETH): -0,03%, US$ 1.575,92
BNB (BNB): -0,95%, US$ 546,73
XRP (XRP): -1,46%, US$ 1,03
Solana (SOL): +0,84%, US$ 73,28
Outros destaques do mercado cripto
Compras de cripto disparam. Mesmo com toda a queda de preços, os brasileiros continuam comprando cripto. O Banco Central informou que a aquisição de criptoativos no exterior somou US$ 2,632 bilhões em maio, alta de 158% em relação ao mesmo mês de 2025. É dinheiro, hein? Os dados consideram apenas criptomoedas com passivo correspondente, ou seja, emitidos por uma firma que assume uma obrigação sobre o ativo. Nessa categoria entram as stablecoins, mas não o bitcoin.
Último dia para vender criptos. Termina nesta terça-feira (30) o prazo para investidores venderem suas criptos na NovaDAX, exchange que anunciou neste mês o encerramento das operações no Brasil. Em nota enviada ao InvestNews, a corretora informou que quem não vender os ativos terá duas alternativas: transferir as criptos para outra carteira ou exchange até 31 de agosto ou aguardar a liquidação compulsória, prevista para setembro, quando os ativos serão convertidos em reais.
Companhia brasileira compra mais 74 bitcoins. Quem resolveu abrir a carteira foi a OranjeBTC, a maior tesouraria de bitcoin do Brasil. A companhia informou a compra de mais 74 BTC e agora soma 3.896 bitcoins nas reservas. A estratégia continua sendo aumentar o número de bitcoins por ação. Vale lembrar que os papéis da firma acumulam queda de 75% desde a estreia na bolsa, em outubro do ano passado.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins