Por que a inflação dos EUA pode mexer com o bitcoin e as criptos?
Os Estados Unidos e o Irã entraram em uma nova rodada de ataques, mexendo com parte do mercado. O bitcoin (BTC) até que conseguiu se segurar, sustentando o patamar dos US$ 62 mil. Mas dois dados desta semana podem dar uma chacoalhada na maior cripto do mundo e nas altcoins.
Nesta terça-feira (14), o Departamento do Trabalho americano divulga a inflação ao consumidor do país, o CPI. Já na quarta-feira (15), será a vez do PPI, a inflação ao produtor.
“Se vierem benignos, podem aliviar parte da pressão causada pela geopolítica. Se vierem acima do esperado, o mercado pode voltar a precificar um Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mais duro, o que tende a pressionar bitcoin”, diz Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin.
Depois da nova escalada entre os dois países, a probabilidade de uma elevação dos juros em 25 pontos-base em setembro subiu para 52%, ante 49,1% há uma semana e 24,9% há um mês, segundo dados do CME FedWatch, ferramenta que calcula as probabilidades das taxas.
E só para relembrar a lógica: juros mais altos tornam os títulos do Tesouro americano (as famosas treasuries) mais atrativos, drenando recursos de ativos considerados mais arriscados, como as criptos. Já juros mais baixos costumam produzir o efeito contrário, levando mais dinheiro para ativos de risco.
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ETFs e regulação gringa
Mas não são apenas os juros que afetam o mercado. Há outras peças nesse xadrez dos ativos digitais para acompanhar.
Uma delas é a movimentação dos ETFs (fundos negociados em bolsa) americanos. Depois de oito semanas consecutivas de saídas, que pressionaram o bitcoin, os produtos registraram entradas na semana passada, o que trouxe certo alívio para o mercado.
Mas, se esse fluxo voltar a ficar negativo, o bitcoin e outras criptomoedas podem voltar a sentir a pressão.
Ainda nos Estados Unidos, há também toda a discussão envolvendo o Clarity Act, projeto que busca estabelecer um marco regulatório para o setor cripto no país. O presidente Donald Trump pediu ao Senado que acelerasse a aprovação do texto, considerado essencial para o setor.
Mas a proposta vem enfrentando resistência, principalmente por causa dos possíveis conflitos de interesse envolvendo os negócios de Trump no universo das criptomoedas.
“Um CPI mais benigno, aliado à continuidade das entradas nos ETFs e ao avanço do Clarity Act, seria o caminho para transformar essa mínima mais alta (do bitcoin) em uma recuperação efetiva, tendo US$ 67.250 como o nível técnico que confirmaria esse movimento”, diz Jasper de Maere, estrategista da Wintermute, em relatório divulgado ontem.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -0,20%, US$ 62.765,89
Ethereum (ETH): +1,01%, US$ 1.795,11
BNB (BNB): +0,36%, US$ 570,16
XRP (XRP): -0,63%, US$ 1,07
Solana (SOL): -1,12%, US$ 75,25
Outros destaques do mercado cripto
Neymar e Satoshi Nakamoto. Parece que Neymar Jr. também tem uma quedinha pelo universo cripto. O craque apareceu em uma foto usando uma camiseta com o nome de ninguém menos que o misterioso Satoshi Nakamoto, o criador (ou criadores) do bitcoin. Vale lembrar que não é a primeira vez que o jogador navega por esse mercado. Em 2022, ele foi fisgado pela febre dos NFTs e desembolsou cerca de R$ 5 milhões em tokens. Quase nada para ele, né?
O agro é cripto. Agro é tech, agro é pop, agro é cripto também. A AKIN S.A., firma brasileira de blockchain fundada em 2019, captou R$ 10 milhões para dar um “up” na AgroDeri, sua plataforma que usa tecnologia blockchain e tokenização para estruturar operações de crédito rural. Segundo a companhia, os recursos serão usados para desenvolver novas soluções e acelerar a digitalização das operações financeiras ligadas ao agronegócio.
Reino Unido de olho na tokenização. O Reino Unido decidiu acelerar na corrida da tokenização – o processo de transformar ativos do mercado tradicional em tokens na blockchain. O governo britânico divulgou um plano para digitalizar partes do mercado monetário tradicional e estima que a tecnologia possa adicionar até 33 bilhões de libras por ano à economia do país até 2035, além de gerar 14 bilhões de libras em receitas tributárias anuais. Muita grana, hein?
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
