Porsche planeja novos cortes e recorre à Audi para reverter crise
A Porsche, controlada pelo Grupo Volkswagen, espera fechar um acordo com os sindicatos sobre novos cortes de custos até as férias de verão da fábrica, em julho. A informação foi revelada pelo CEO da montadora, Michael Leiters, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.
A fabricante iniciou as discussões sobre novas medidas de economia ainda no ano passado, enquanto enfrenta o impacto de tarifas alfandegárias nos Estados Unidos, o agravamento da crise no mercado chinês e a concorrência cada vez mais acirrada na Europa.
Leiters se comprometeu a melhorar o desempenho monetário da Porsche após as ações da firma deixarem o DAX, o principal índice da Bolsa de Frankfurt, no ano passado. Estas novas medidas devem se somar ao plano anterior da companhia, que já previa a eliminação de cerca de 3.900 postos de trabalho até 2029.
Redução na produção e foco em margem
Os cortes também vão impactar diretamente o volume de produção da montadora. Segundo Leiters, a Porsche planeja fabricar um volume menor do que os cerca de 280.000 veículos vendidos no ano passado.
“A Porsche precisa ser capaz de lucrar mesmo vendendo menos carros”, afirmou o executivo, destacando que a estratégia para atingir esse objetivo inclui aprofundar a cooperação com a Audi, sua marca irmã dentro do grupo.
Leiters, que assumiu o comando da Porsche em janeiro, afirmou que pretende manter a oferta da linha de entrada 718 para continuar atraindo novos clientes. Vale lembrar que a produção da geração mais recente do 718 (os modelos a combustão Boxster e Cayman) foi encerrada no ano passado.
Cenário desafiador
Considerada por muito tempo a principal máquina de lucros da matriz Volkswagen, a Porsche tem sido duramente atingida pelas transformações no mercado automotivo global. No ano passado, as entregas da marca registraram a maior queda desde 2009, o que forçou a fabricante a reduzir suas projeções financeiras (guidance) por quatro vezes consecutivas.
As entregas da Porsche globalmente caíram 10% em 2025, pressionadas pela fraca demanda por veículos elétricos e pela retração nas vendas na China, que recuaram 26%.
A marca de luxo do grupo Volkswagen entregou 279.449 veículos no ano passado, com China e Alemanha liderando as quedas. A firma afirmou que “gaps de fornecimento” para versões com motor a combustão do 718 e do SUV Macan também prejudicaram os números.
A Porsche enfrenta uma série de desafios, incluindo a correção de um plano ambicioso de expansão de veículos elétricos, que desorganizou o cronograma de modelos e pressionou margens. Tarifas nos EUA — atualmente o mercado mais importante da marca, superando a China — também afetaram os lucros.
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Autor: Sérgio Tauhata

