Vai para Portugal? Conheça Comporta antes de todo mundo

Dirigindo ao norte de Melides em direção à vila de Comporta, pelas regiões ocidentais do Alentejo português, passei por extensos arrozais, florestas de pinheiros-mansos e grupos de casas caiadas de branco.
Então vieram os outdoors.
Um após o outro anunciavam novos empreendimentos residenciais de luxo, com promessas que incluíam, em inglês, a oportunidade de construir a “Comporta dos seus sonhos”. Casas com telhados de palha apareciam em imagens publicitárias sofisticadas, vendendo uma visão idealizada da vida ao longo desse trecho da costa atlântica, pouco mais de uma hora ao sul de Lisboa.
Uma curva à esquerda em uma rotatória e a estrada deu lugar a grandes extensões de praia.
A viagem contava duas histórias. Uma era a de um lugar sobre o qual eu ouvia falar havia anos: uma cidade litorânea tranquila, cercada por várias outras, uma região adorada por pessoas da moda, artistas e amantes da natureza.
A outra era a de um lugar em plena transformação, à medida que novos hotéis de luxo, restaurantes badalados e empreendimentos de casas de férias atraem uma nova geração de viajantes.
Uma costa em transformação
Uma das minhas primeiras paradas foi a vila de Carvalhal, onde sofisticadas lojas de roupas e design ficam lado a lado com cafés tradicionais onde os moradores passam o tempo tomando café. Encontrei Helena Lunardelli, coproprietária da Caju, uma loja-conceito colorida e irreverente que vende moda internacional descolada e peças vintage de decoração portuguesa. Lunardelli se apaixonou por Comporta há sete anos, durante uma visita a partir de São Paulo, e hoje divide seu tempo entre o Brasil e Portugal.
“Existe uma magia de verdade aqui”, disse Lunardelli. “É uma maneira muito fácil de viver. As pessoas vêm para cá e sentem que têm tempo.” Durante os anos em que viveu na região, ela viu alguns moradores antigos partirem para dar lugar a novos residentes abastados. “Sentimos falta de um pouco da verdadeira alma do lugar”, disse. “Mas, para os negócios, é muito bom.”
Lunardelli insistiu que minha próxima parada deveria ser o Sal, um restaurante à beira-mar com vista para a Praia do Carvalhal. Era domingo, e famílias se reuniam em torno de grandes mesas enquanto os garçons corriam de um lado para outro. Do lado de fora, mesas ocupavam um terraço e avançavam até a areia. No meio de tudo estava o proprietário, Vasco Hipólito Raposo, recebendo e cumprimentando os convidados.
Assim que me apresentei, Hipólito Raposo me fez sentar e pediu para mim carpaccio de tomate, sopa de peixe e uma taça de vinho da casa. Nossa conversa era interrompida por um fluxo constante de amigos e clientes que apareciam para dar um oi.
“Acho que as maiores mudanças ainda estão por vir”, disse Hipólito Raposo, que cresceu em Lisboa e comprou sua primeira casa em Comporta há 25 anos. “Os próximos cinco anos trarão muito crescimento. Mas esta é uma área protegida. Não se pode construir no litoral.”
Ele se referia às regras relacionadas à Reserva Natural do Estuário do Sado, uma área protegida nos arredores de Comporta. A reserva restringe onde e como os empreendimentos podem ser construídos, especialmente perto da costa. Como resultado, mesmo com o surgimento de novos hotéis e vilas no interior, grande parte da orla permaneceu tranquila.
Depois do almoço, caminhei para o norte pela praia. Os restaurantes e clubes de praia estavam concentrados em apenas alguns pontos de acesso. Em poucos minutos, as multidões diminuíram, deixando longos trechos de areia praticamente sem outro banhista à vista.
Uma nova onda chega
Mais adiante na costa, na Praia do Pego, tive um vislumbre da Comporta que pode estar por vir. No JNcQUOI Beach Club, de três anos, é mais provável encontrar pessoas vestindo maiôs de grife e carregando bolsas caras de ráfia do que o uniforme habitual da região, composto por camisas de linho e chinelos.
Enquanto o restaurante Sal é colorido e eclético, o JNcQUOI Beach Club aposta em uma paleta elegante de azul-marinho, madeira natural e creme.
Muito antes de o JNcQUOI levar sua marca de luxo para Comporta, Gonçalo Pessoa já havia percebido seu potencial. O ex-piloto da TAP Air Portugal chegou à região pela primeira vez em 2001, depois de passar anos tirando férias no Algarve, mais desenvolvido, no sul de Portugal. À medida que observava viajantes bem-informados começarem a chegar, percebeu que faltava algo: um lugar sofisticado para eles se hospedarem. Em 2014, abriu o Sublime Comporta, com apenas 14 quartos.
Em maio, inaugurou o Sublime Sand, uma extensão com aspecto de vila do outro lado da estrada, desta vez com 43 vilas. Acrescentou restaurantes, incluindo a churrascaria Beefbar, além de um spa, degustações de vinho com o sommelier da propriedade, passeios a cavalo pelas dunas e excursões de bicicleta pelos arrozais. Os preços começam em US$ 1.400 por noite.
As vilas do Sublime Sand, de dois a quatro quartos, estão espalhadas pela floresta e são feitas de madeira, vidro e zinco para se integrar à paisagem. “Devemos ser fiéis aos lugares onde nos estabelecemos, e a arquitetura precisa respeitar isso”, disse Pessoa.
Criando raízes
Durante meu tempo nos arredores de Comporta, percebi um padrão. Muitas das pessoas que conheci haviam chegado como visitantes e depois encontrado motivos para continuar voltando, até finalmente se estabelecerem de vez. O Atlantic Club Comporta, uma nova comunidade residencial com 24 vilas, pode ser uma resposta a essa atração. Idealizado pelo designer de interiores francês Jacques Grange, frequentador da região há 30 anos, o empreendimento ocupa 35 acres de terreno nas encostas, com vista para o Atlântico e para os arrozais de Carvalhal.
Suas vilas, de quatro a oito quartos, estão espalhadas entre figueiras, romãzeiras e jardins projetados pelo paisagista Madison Cox. No interior, azulejos portugueses, ráfia e roupas de cama coloridas preenchem espaços arejados que se abrem para piscinas privativas. Elas podem ser compradas por preços que variam de aproximadamente US$ 4,6 milhões a US$ 13,8 milhões. Os aluguéis começam em cerca de US$ 15 mil por semana.
Anna Jorge, que cresceu na região, viu o dinheiro chegar em grande quantidade. Encontrei-a no Cavalariça, um restaurante em Comporta instalado em um antigo estábulo de cavalos. As antigas baias agora emolduram o salão. “Tudo ao nosso redor explodiu em termos de investimentos, o que cria empregos e oportunidades que, de outra forma, não teríamos”, disse Jorge. “Mas sempre ficamos um pouco apreensivos quando as pessoas falam em desenvolvimento, porque não sabemos onde isso vai parar.”
Em um momento tenso para os moradores locais, o que me surpreendeu foi como a antiga Comporta que eu conhecia pelas histórias — com suas lojas artesanais e cafés — ainda podia ser encontrada com tanta facilidade. Por quanto tempo ela conseguirá manter esse equilíbrio é outra questão.
Por enquanto, parece que ela ainda oferece algo cada vez mais difícil de encontrar nas costas mais cobiçadas da Europa: espaço para respirar.
O que reservar antes de chegar a Comporta
Algumas das experiências mais memoráveis da região exigem um pouco de planejamento antecipado. Veja o que reservar antes de viajar.
Passeio a cavalo pelas dunas
Reserve um passeio com a Cavalos na Areia, cujas excursões guiadas também atravessam florestas de pinheiros e arrozais antes de chegar à praia. (A partir de aproximadamente US$ 80 por pessoa.)
Degustação privada de vinhos
Agende uma degustação privativa na Quinta Brejinho da Costa, uma vinícola familiar perto de Melides, conhecida por seus vinhos de pequena produção e visitas personalizadas.
Passeio de barco pelo estuário do Sado
Saia com a Sado Emotion em busca dos golfinhos-nariz-de-garrafa que vivem no Sado, em um cruzeiro pela costa da Arrábida. Também são oferecidos passeios privativos. (A partir de aproximadamente US$ 52 por adulto.)
Jantar no Xtian
Visite o restaurante dentro do Vermelho Hotel, a pousada de 13 quartos de Christian Louboutin, uma verdadeira joia em formato de caixa localizada em Melides, e peça um dos pratos de arroz típicos da região. Chegue cedo para tomar um aperitivo no bar e passear pelos interiores repletos de obras de arte e pelos jardins labirínticos.
Passeio privativo de buggy ao pôr do sol
Explore os campos, florestas e dunas de Comporta em um passeio privativo de buggy off-road com a Feel Comporta. Para uma experiência ainda mais especial, faça um upgrade incluindo um piquenique com harmonização de vinhos. (A partir de aproximadamente US$ 345 por pessoa.)
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal